sexta-feira, 13 de abril de 2018

TERRA DE NINGUÉM (1974)

Amor acima de tudo

TERRA DE NINGUÉM (Badlands / 1974) - A estreia. Em todos os sentidos. Terrence Malick escreveu, produziu, dirigiu e atuou em Terra de Ninguém pela primeira vez. Ele tinha 30 anos de idade e já mostrava ali algumas marcas que levaria pra sempre - o questionamento sobre o estado das coisas, os momentos filosóficos de repensar a própria existência e importância no mundo.

Malick não só dirige como tem um papel relevante no filme

A ideia para o roteiro de Terra de Ninguém Malick tirou da vida real - a história é baseada na vida e morte de Charles Steakweather que matava sem critério apelas pelo próprio prazer. Entre o final de 1958 e o comecinho de 1959 ele matou 11 pessoas que cruzaram o seu caminho, inclusive toda a família da namorada, que continuou ao lado dele mesmo depois da matança. Steakweather foi condenado à cadeira elétrica aos 20 anos e baseou, além de Terra de Ninguém, o rapaz do casal protagonista de Assassinos por Natureza.

Kit

Kit (o estreante na telona Martin Sheen, que faria no final daquela década Apocalipse Now), trabalha como lixeiro em uma cidade perdida no meio-oeste dos Estados Unidos. Acaba sendo demitido pelo seu jeitão largado e despreocupado demais. Lembra James Dean. E é isso que chama atenção de Holly (a também estreante Sissy Spacek, que estrelaria pouco tempo depois Carrie - A Estranha) que se interessa pouco a pouco pelo rapaz.

A solitária Holly

O casal começa a se conhecer melhor - ele boca dura, decidido do que quer e ela, menina ainda, tipicamente interiorana, simples e que acaba realizando tudo o que Kit quer. O que irrita o pai da moça. Mas isso não é problema para Kit, que quando vai confrontar o velho depois que ele impediu os dois de se verem, o jovem simplesmente saca uma arma e dispara contra o pai da namorada, que cai morto no chão. Ele bota fogo na casa e foge com Holly, que aceita tudo com estranha passividade.

Em chamas a velha vida fica pra trás

Sem destino certo, o casal pega a estrada e no caminho mata qualquer um que atrapalhe a jornada, sem dó. Holly assiste enquanto Kit executa. Ela não parece entender em nenhum momento tudo o que aquilo representa. Ao todo são cerca de 10 mortes até que a polícia finalmente consegue colocar as mãos no casal.

Matar... uma banalidade pro casal

Durante a jornada de Terra de Ninguém a narração que se ouve é de Holly, o tempo todo, como se tivesse nos contando a história. Tudo no tempo passado, como uma vaga lembrança dela. E ali nada de julgamento sobre as atitudes frias e impiedosas do namorado. Chocam a destreza e a frieza de Kit, que acaba condenado à cadeira elétrica, assim como Steakweather foi na vida real.

O refúgio antes da captura

Uma estreia consistente de Terrence Malick, que fez uma ponta no filme. E em alguns momentos temos aqui aquelas discussões existenciais que Malick tanto gosta como fez em trechos de Além da Linha Vermelha e durante todo o Árvore da Vida.

Vidas violentas e questões existencialistas

Veja abaixo o trailer de Terra de Ninguém.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

BAIXIO DAS BESTAS (2006)

Dira Paes na cena-cartaz do filme

BAIXIO DAS BESTAS (2006) - Desde 2000 o estado do Pernambuco vem ganhando força no cenário cinematográfico nacional. Não só pelo lançamento de obras importantes e premiadas internacionalmente, mas também por ser o berço de nomes relevantes para a nossa sétima arte, como Marcelo Gomes de Cinema, Aspirinas e Urubus, Kleber Mendonça Filho de O Som ao Redor e Aquarius, e Cláudio Assis de Amarelo Manga e deste Baixio das Bestas.

Uma das muitas cenas fortes do longa

Zona da mata de Pernambuco. Um cidadezinha não citada é um retrato de pessoas e situações das mais absurdas no que se diz respeito a abuso e violência moral e sexual. Seu Heitor (Fernando Teixeira) é um avô que leva toda semana - mais de uma vez se preciso for - sua neta de 16 anos Auxiliadora (Mariah Teixeira) para ser "apreciada" pelos caminhoneiros num posto de gasolina de beira de estrada. O velho recebe da dona do posto que com essa "atração" recebe mais visitantes.

O avô leva a neta pros fundos do posto

Cícero (Caio Blat) é um jovem bem de vida que estuda no Recife e volta de vez em quando para casa na pequena cidade. Nessas voltas, gasta suas noites e madrugadas com os amigos, principalmente Everardo (Matheus Nachtergaele), bebendo, se drogando e fazendo arruaça. Um dos passatempos prediletos é ir a uma casa de prostituição que tem Dora (Dira Paes) como uma das empregadas.

A casa de prostituição

As histórias é claro, se cruzam. E Auxiliadora que é calada, tímida, fechada e sofre abusos do próprio avô (que dizem que na verdade é o seu pai), acaba sendo abusada por Cícero que com uma arma força a menina ao sexo. Tudo muito cru e com destino cruel pra todos os personagens da trama.

Misoginia

O roteiro de Hilton Lacerda - o mesmo de Baile Perfumado, Amarelo Manga e Árido Movie -, a direção de Cláudio Assis e os atores fenomenais fizeram de Baixio das Bestas um filme premiado em festivais em Paris, Rotterdam e Brasília. A fotografia belíssima que mistura o árido, seco com os verdes campos de cana de açúcar são outro destaque do filme.

Bela fotografia

Baixio das Bestas choca porque se propõe a isso desde a primeira cena que mostra o avô despindo a neta no fundo de um posto de gasolina. Não é um filme fácil. Dá nojo de cada um dos personagens. O de Matheus Nachtergaele em determinado momento, quebra a quarta parede e diz olhando pra câmera: "no cinema tu pode fazer o que queres." A misoginia explícita em vários momentos rebaixa Baixio das Bestas a um filme que poderia ir além sem ir tão fundo.

"No cinema tu pode fazer o que tu queres"
Mas como o intuito é chocar vale então enfiar cabo de vassoura no ânus da prostituta... vale ver a neta tocada por caminhoneiros imundos... vale chutar a cabeça da mulher que se negou ao prazer anal. Mas agora sem ironia... será que vale mesmo? De qualquer forma vale como retrato da realidade que escancara e ela nem sempre é doce como cana de açúcar.  
Veja abaixo o trailer de Baixio das Bestas.

domingo, 1 de abril de 2018

SPARTACUS (1960)

O olhar desafiador do escravo

SPARTACUS (1960) - Grandiosidade. Quando se junta Stanley Kubrick, Dalton Trumbo e Kirk Douglas não dá para se esperar outra coisa. O projeto para lá de ambicioso foi todo produzido na década de cinquenta e tem mesmo um pé naquela época, mas só foi lançado no comecinho da década seguinte. Foi ignorado nos principais prêmios da Academia, levou um de ator coadjuvante, figurino, fotografia e direção de arte. Levou também o Globo de Ouro de melhor filme dramático. E só. Merecia mais.

Escravo de destaque

Spartacus é um escravo do Império Romano. Trabalha dia e noite junto com outros tantos. Mas ele tem algo a mais. Não leva desaforo dos guardas romanos, está sempre com aquele olhar desafiador e não dá à eles o prazer do grito, do choro de dor. Se destaca e por isso mesmo acaba sendo vendido para um treinador de gladiadores, junto com outros tantos.

Uma verdadeira arma de guerra

E passa a lutar com outros escravos até a morte em uma pequena arena. A alta casta de Roma assiste a tudo lá de cima e vibra como uma partida de futebol. Em uma dessas lutas, logo em sua primeira, Spartacus é derrotado. Mas no momento em que será morto, o escravo vencedor se revolta e joga o tridente - arma que usa no combate - contra os romanos. Tenta pular a grade e acertá-los pessoalmente, mas logo é impedido e morto pelos guardas.

A luta pela vida

Spartacus, então se transforma em um grande líder dos demais escravos. E lidera uma rebelião, onde todos escapam e fogem pro campo. Lá montam uma pequena cidade com suas mulheres e crianças e aos poucos a vida começa a caminhar para os escravos, pela primeira vez livres. Mas Spartacus não descuida de seguir treinando os seus companheiros, já que ele acredita que um contra-ataque do Império Romano é eminente.

Kubrick no set

Dito e feito. Mas antes... Intermission. É, Spartacus é um filme longo, tem quase três horas e vinte, e por isso, como era costume nos grandes épicos daquela época, o filme tinha uma interrupção no meio, onde a plateia podia levantar, tomar uma água e só depois de alguns minutos o filme era retomado. Seguindo Seguindo com o filme.

O senado romano

Nessa segunda parte, o Império Romano acaba por achar o paradeiro dos escravos. Eles querem saber qual dos homens ali é Spartacus, ninguém se pronuncia. Então eles vão crucificando um por um os escravos para que todos que passem vejam o que acontece com quem desobedece o Império Romano. Por fim, Spartacus e Antoninus, que se tornaram grandes amigos naquela jornada, são os que sobram e devem duelar até a morte, o outro será crucificado.

Cenários grandiosos


O sucesso foi estrondoso. Custou meros doze milhões de dólares e arrecadou sessenta. Kubrick, que sempre traz uma assinatura muito própria em cada um dos seus longas, entrega um Spartacus sem as suas grandes marcas próprias. E isso tem uma explicação - Anthony Mann começou a rodar o filme, mas desentendimentos com Kirk Douglas fizerem com que ele fosse substituído por Kubrick, que já havia trabalhado com Kirk recentemente em Glória Feita de Sangue.

De escravo à líder

Veja abaixo o trailer de Spartacus.


sexta-feira, 30 de março de 2018

ELE ESTÁ DE VOLTA (2015)

E se...

ELE ESTÁ DE VOLTA (Er Ist Wieder Da / 2015) -  A premissa é simples - e se o cara mais odiado da história simplesmente aparecesse nos dias de hoje com aqueles discursos extremistas inflamados? Como seria? Pois é... curioso, polêmico e provocador. A ideia é de um time de roteiristas alemães liderados por David Wnendt, que acabou assumindo a direção do longa.

Celebridade imediata

Adolf Hilter acorda no local onde ficava seu bunker na Berlim de hoje por um motivo que não é explicado. E nem precisa. Ele anda desnorteado pra cima e pra baixo procurando por seus colegas. Esbarra num grupo de meninos que não entende seu pedido. Acaba sendo levado como piada pelas pessoas nas ruas, que o confundem com um ator vestido de Hitler.

Do nada ele aparece

A grande sacada de Ele Está de Volta está na forma original como a história é contada. A montagem mescla trechos ficcionais - com os atores em estúdio ou externa - com trechos documentais, quando Adolf vai às ruas e confronta as pessoas captando as impressões do povo alemão sobre a controversa figura. Algo parecido com que Sacha Baron Cohen experimentou em filmes como Borat e Bruno.

Abordando a pessoas, o melhor momento do longa 

A reação de parte das pessoas assusta - muitas (muitas mesmo) apoiando o ditador. Esta é a grande sacada de Ele Está de Volta, ver que os discursos de ódio e pensamentos extremistas de lado a lado não são apenas algo presente em nossa cultura. Entre os alemães - povo de 1º mundo - o problema também existe. Assusta e que convida à reflexão.

Apoio e repúdio pelas ruas
Veja abaixo o trailer de Ele Está de Volta


terça-feira, 27 de março de 2018

TERRA EM TRANSE (1967)

Cena clássica de um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro

TERRA EM TRANSE (1967) - Walter Salles, Arnaldo Jabor, Luis Carlos Barreto, Anselmo Duarte, Fernando Meirelles... Sim, o Brasil já produziu e produz grandes cineastas. E dessa lista Glauber Rocha talvez seja o maior deles. O baiano sempre pregou o pensamento crítico, orgulhou-se do cinema novo e execrou qualquer aproximação de cineastas brasileiros com o pensamento imperialista norte americano. Era um cara à frente do seu tempo, corajoso e sem qualquer receio de colecionar inimigos. "A nossa cultura é a macumba e não a ópera", ele dizia.

Glauber em ação

Glauber lançou no final da década de 60 um dos filmes mais polêmicos, controversos e explosivos do cinema brasileiro. Terra em Transe expõe alegorias de personagens importantes da política brasileira, relevantes e fundamentais para o golpe militar e a ditadura que nasceu no ano de 1964.

O político ditador

José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo, Flavio Migliaccio, Francisco Milani, Hugo Carvana... um elenco estelar para um filme que é uma verdadeira ópera, recheado de poesias densas e muito bem encenadas - e dubladas pelos atores depois - com uma crítica ferrenha ao sistema político e social do país.

O jornalista na fictícia cidade de Eldorado

Na fictícia cidade de Eldorado um empresário (Gracindo) financia festas e campanhas políticas como a de um candidato (Lewgoy) em busca de poder. Um jornalista (Jardel Filho) foge da cidade e vai para a pequena Alecrim, depois que outro candidato inescrupuloso (Autran) se elege senador. Quando os dois candidatos passam a concorrer à presidência, interesses políticos e conchavos de todas as parte leva o jornalista a uma profunda reflexão e à frases e sequências que permanecem relevantes e atuais até hoje.

"O povo é imbecil, analfabeto, despolitizado!"

A parte final é a que mais choca. Aqui não apenas o discurso, mas a atuação, se torna ainda mais direta. Os atores olham direto para câmera, falam com quem assiste. O povo representado por um rapaz de fala simples diz: "o país está mergulhando numa grande crise, não sei o que fazer, o melhor é acreditar no presidente". Eis que o jornalista tapa a boca do rapaz e diz: "estão vendo o que é o povo? Um imbecil, um analfabeto, um despolitizado!" Independente da sua inclinação política - nada poderia ser mais atual.

Empresários que fomentam a política suja

Terra em Transe recebeu o Prêmio da Crítica no Festival de Cannes de 1967. Glauber, a partir dali, cravaria seu nome entre os mais respeitados cineastas do mundo. Não é exagero não. No youtube é fácil de encontrar grandes diretores falando bem sobre Glauber, como Martin Scorsese, por exemplo. Uma figura única que faz falta no cenário cultural brasileiro, sorte que os filmes dele - repito, provocativos, controversos e explosivos - estão aí para dar orgulho e tapar a boca de tantos que só sabem falar mal do produto nacional.

O homem que ao ver a sujeira política, muda de lado

Veja abaixo o trailer de Terra em Transe.    





terça-feira, 13 de março de 2018

PERFUME DE MULHER (1992)



PERFUME DE MULHER (Scent of a Woman / 1992) - Um verdadeiro baile. Não somente digo isso pela cena do tango, certamente a mais memorável de Perfume de Mulher, mas a expressão cabe pela performance estonteante de Al Pacino do primeiro ao último minuto de filme. Falar bem dele é chover no molhado, claro, mas aqui ele prova mais uma vez que é um ator diferente, com um dom muito acima do normal. Levou o Oscar aqui, o seu único (!) na carreira.

Um militar aposentado

Charlie (Chris O´Donnell) é um jovem estudante de uma escola muito tradicional. Ele tem bolsa ali e está longe de ser abastado, diferente dos colegas de classe, como George (Phillip Seymour Hoffman). Por isso ele precisa aceitar pequenos trabalhos para levantar um dinheiro, como quando aceita a tarefa de ser uma espécie de babá de um idoso no feriado de ação de graças.

Phillip Seymour Hoffman e Chris O´Donnell

O idoso é Frank Slade (Al Pacino), um coronel aposentado do exército, cego e rabugento. Ele trata Charlie com dureza desde o começo, o convívio não é fácil - "se tocar em meu braço mais uma vez eu te mato" - e por isso mesmo Charlie cogita abandonar tudo aquilo logo de cara, mas ele acaba convencido pela contratante, a sobrinha do coronel que vai aproveitar o feriado e viajar com a família, deixando o tio sob os cuidados do jovem Charlie.

Coronel Slade e Charlie 

O coronel já tem tudo programado, ele não vai passar o feriado em casa, decide ir para Nova York e leva Charlie consigo. Tudo de avião primeira classe e se hospedando na melhor suíte do melhor hotel e alugando uma limousine que o leva para cima e para baixo. Naquela noite o coronel diz ao jovem o intuito de tudo aquilo - "vou tomar uma taça do melhor vinho, jantar um belo prato, ir pro quarto e dar um tiro na minha cabeça".

Uma das grandes interpretações de Al Pacino na carreira - e isso não é pouco

Mas o que ele não esperava é que aquele garoto jovem, inexperiente e bobão por assim dizer, iria lhe trazer o sopro de inocência que ele já tinha perdido depois de anos e anos no exército. E tudo isso veio à tona depois de um desastroso encontro com o seu irmão mais velho, quando acaba defendendo a honra de Charlie ao pegar o próprio sobrinho falastrão pelo pescoço.

Momento embaraçoso em família, ninguém segura a língua ferina de Slade

Ficamos como Charlie, atônitos com aquele velho cego e suas frases de efeito sobre o perfume que as mulheres usa, ou sua habilidade para montar e desmontar uma arma, ou mesmo dirigir uma Ferrari em alta velocidade e não ser pego pela polícia ou ainda bailar ao som de um tango.




Perfume de Mulher é um filme para se exaltar a performance de Al Pacino, acima de tudo. Daqueles que dá vontade de ver e rever só por isso. Ele concorreu oito vezes ao Oscar de melhor ator e ator coadjuvante, mas só levou uma. E foi muito merecido.

O ator com o maior prêmio da sua carreira

Veja abaixo o trailer de Perfume de Mulher.

domingo, 11 de março de 2018

LUCY (2014)

Bem mais do que 10% do cérebro

LUCY (2014) - Luc Besson tem uma reputação a zelar. O cineasta francês já produziu, dirigiu e principalmente escreveu muitos filmes. E com tanta produção assinada por ele algumas coisas ruins tinham que sair das mãos do francês, certo? Essa é uma delas... Mas claro ele fez coisa boa também. León: O Profissional é lembrado como um dos seus maiores filmes, embora eu prefira O Quinto Elemento.

Besson, à esquerda de blusa cinza, em ação

Em Lucy, Besson assina o roteiro e a direção. Aqui, mais uma vez, o diretor flerta com a ficção científica - o gênero que mais gosta de trabalhar. Scarlett Johansson é Lucy. Ela entra em um prédio de Honk Kong para fazer uma entrega de uma maleta para um chefão do tráfico. Ela nem sabe o que tem lá dentro. Acaba raptada.

O rapto

É "contratada" (à força) para transportar o conteúdo da maleta - drogas - para outros traficantes espalhados pelo mundo. A embalagem da droga é implantada no estômago de Lucy. Mas ao sofrer uma tentativa de estupro ela toma chutes na barriga, a embalagem se rompe e a droga acaba entrando em contato com a corrente sanguínea da moça.

Scarlett "Norris" Johansson

A droga é a CPH4, uma enzima produzida naturalmente no corpo das mulheres grávidas a partir do sexto mês de gestação. A substância fornece energia pro feto e é parte essencial na criação dos ossos. Segundo o filme o efeito da droga no bebê é parecido com o de uma bomba atômica. No filme, a droga faz Lucy aumentar progressivamente a capacidade cerebral até 100%.

Possibilidades quase infinitas

O filme é dividido em capítulos. A cada novo capítulo, Lucy está com 10% a mais de capacidade cerebral. E para dar embasamento a isso, Morgan Freeman surge como um cientista especializado nas atividades cerebrais. Ele diz quer o ser humano usa em torno de 10% e diz ser impossível definir como seria um ser humano com uma capacidade cerebral maior do que esta, como a dos golfinhos que usam em torno de 20% da capacidade cerebral.

Conhecimento infinito

Aos poucos, ela vai se tornando robótica, não sente dor, prazer, aflição, medo... o seu olhar frio e distante fazendo dela cada vez mais um robô. Lucy passa a controlar objetos, pessoas, linhas de telefone, sinais de tv e chega até a viajar no tempo... tudo com o poder da mente.

SPOILERS

Ao final, Lucy chega aos 100% da capacidade cerebral e some, deixa de ser matéria e repassa todo o seu conhecimento acumulado para um pen drive que fica com o cientista Freeman. Uma teoria, que é melhor do que o próprio filme na verdade, diz que Lucy teria se tornado um sistema operacional - o que explicaria a Samantha do filme Ela, que vê tudo, está em todo lugar e inclusive tem a voz da própria Scarlett Johansson.

FIM DOS SPOILERS

Lucy... é ruim. Besson até tenta criar mais uma das suas malucas ficções científicas, mas não rola. No começo a ideia até parece promissora - uma droga que faz aumentar a capacidade cerebral - mas não desenrola bem. Desta vez a inexpressividade natural de Johansson serve bem à atuação, no caso para uma personagem quase robô. Freeman está no automático e não compromete.


Tudo fraco, muito fraco
Lucy é uma bela bomba de Besson apesar do bom ritmo, bons efeitos e boa edição frenética. A cada novo capítulo e mais 10% na conta da robótica personagem mais difícil fica nos mantermos conectados à história. O roteiro maluco de Besson desta vez passou bem dos limites.
Veja abaixo o trailer de Lucy.     
   

sexta-feira, 9 de março de 2018

SEXTA FEIRA EM APUROS (1995)

"Damn!"

SEXTA FEIRA EM APUROS (Friday / 1995) - Um filme de estreias. Pelo menos para Chris Tucker, Ice Cube e F. Gary Gray. O desbocado Tucker, que pouco depois ficaria famoso, fez aqui a sua estreia como ator. Ice Cube assinou o roteiro e a produção aqui, também pela primeira vez. A Gray coube organizar tudo, já que ele assumia pela primeira vez também, a cadeira de direção. E não dá para dizer que o esforço de todos não foi recompensado, já que Sexta Feira em Apuros foi um sucesso.

Gray, à esquerda, em ação

Em um subúrbio negro, dois amigos passam o dia conversando na varanda - já que um deles foi dispensado do emprego no dia anterior -, enquanto são alvo dos mais diferentes personagens daquele meio, como o fortão que rouba dos outros descaradamente, o pastor que tenta pregar sua fé, a vizinha que usa roupas provocantes, os pais que tentam moralizar seus filhos, os mais jovens que cometem pequenos crimes. Isso sem falar no tráfico de drogas e a rivalidade com os hispanos.

Desfile dos mais diferentes tipos de personagens

Chris Tucker improvisou boa parte das cenas no filme, por isso as reações são tão inesperadas dos demais atores quando dividem a cena com ele. O sucesso de Sexta Feira em Apuros foi o trampolim que Tucker precisava. Dois anos depois ele foi dirigido por Luc Besson e Quentin Tarantino, respectivamente nos filmes O Quinto Elemento e Jackie Brown. Que salto, hein?

Deebo, o valentão

O filme - rodado em apenas 20 dias - foi feito nas ruas do subúrbio onde o diretor F. Gary Gray cresceu em Los Angeles. Mas muitos moradores, descontentes com a presença da produção, à todo tempo assistiam as cenas, como se vigiassem o que a equipe estava fazendo.

Ponta de Bernie Mac

Um desfile de talentos - todos negros - que se tornariam atores de sucesso e apareceriam em tantas e tantas obras daquela época. Sexta Feira em Apuros é na verdade uma grande reunião de amigos que deu muito certo e rendeu duas sequências - Mais uma Sexta Feira em Apuros de 2000 e A Mais Louca Sexta Feira em Apuros de 2002. E os aqui estreantes - Chris TuckerIce Cube e F. Gary Gray - até hoje colhem bons frutos nas suas carreiras.
Veja abaixo o trailer de Sexta Feira em Apuros.