sábado, 23 de setembro de 2017

CORAÇÃO LOUCO (2009)

Bad Blake

CORAÇÃO LOUCO (Crazy Heart / 2009) - Poucos atores estão tão marcados por encarnar tipos tão característicos como Jeff Bridges. Apesar de tudo ter começado com aquele tipo ligado em jogos eletrônicos de Tron, Bridges parece ter se encontrado mesmo como aquele redneck americano, texano tradicional sem papas na língua e de preferência com um copo ao lado. Foi assim em Big Lebowski, R.I.P.D., A Qualquer Custo e nesse Coração Louco.

Bridges cheio de talento

Jeff Bridges interpreta Bad, um cantor country decadente que vai de espelunca em espelunca pelos rincões dos Estados Unidos - seguindo o roteiro montado por seu empresário - para cantar para um público pequeno as mesmas canções que canta há décadas. Ele está sempre bêbado, se nega a compor coisas novas e se fecha totalmente para o novo.

A jornalista que mexe com a cabeça do cantor

A amizade com uma jornalista local - Jean (Maggie Gyllenhall) - muda a vida de Bad. Os dois se apaixonam e ele vê nela e no pequeno filho de 4 anos o alicerce que sempre lhe faltou - uma esposa e um filho. Seria a chance de voltar a acertar na vida. Bad já foi casado quatro vezes e tem um filho de quase 30 que não vê há mais de vinte e cinco anos. E não mantém contato com ninguém. Sua vida é o violão, a estrada e a bebida.

A estrada, o mantra da vida de Bad

Ele não pensa em mudar o rumo da carreira, nem quando encontra Tommy (Colin Farrell) que foi seu parceiro de palco há tempos. Eles romperam relações porque Tommy optou por um estilo novo de country - sem chapelão e mais moderno, com um show mais atraente. Atrai multidões enquanto Bad se segura naquele violão e voz, com banda de apoio em pequenos bares e pistas de boliche das pequenas cidades. Estes reencontros (com Tommy e com Jean) são verdadeiros tapas na cara que fazem com que Bad aos poucos abra os olhos para novas possibilidades - na carreira e na vida.

Ex-parceiros de palco mas ainda amigos

Coração Louco é uma jornada de reencontros. Bad precisa mudar os seus hábitos e é quando sofre um grave acidente de carro que tudo começa a vir à tona. Jeff Bridges levou o Oscar de melhor ator aqui pela tocante interpretação. A cena do show foi filmada toda em 10 minutos no intervalo de um concerto musical country de verdade. Foi tudo de surpresa. E claro, centenas de celulares gravaram tudo. O público foi pego de surpresa. Veja.


Uma jornada de um homem que só começa a andar quando percebe que tudo o que sempre teve na vida se perdeu para nunca mais voltar. Duro, mas é assim. Nem tudo é como um filme, onde o bom é premiado no final, Coração Louco tem esse grande mérito de por vezes não se render ao sentimentalismo barato e Bad (Bridges) aprende.

Atuação de Bridges premiada

Veja abaixo o trailer de Coração Louco.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CAFÉ SOCIETY (2016)

Um casal de outra época

CAFÉ SOCIETY (2016) - Os roteiros do Woody Allen nunca são somente o que parecem. Difícil decifrar um filme dele só por assistir o trailer ou ler a sinopse. Personagens - que a princípio tem pouca ligação - se amarram, se mostram essenciais e tudo se conecta. Genialmente. Mas às vezes nada disso resulta necessariamente num filme marcante. É o caso de Café Society.

Woody dirigindo Eisenberg e Stewart

A história se passa nos anos 30. Bobby (Jesse Eisenberg, abusando dos gestos e dos trimiliques) sai da Nova York e chega a Hollywood para tentar um emprego com o tio Phil (Steve Carrell, provando definitivamente que é muito mais do que apenas um bom comediante), um ocupado dono de estúdio muito rico, que vive no meio das estrelas e outros figurões do cinema.

Um magnata de Hollywood

Começando por baixo, Bobby passeia nas horas vagas pela cidade na companhia da secretária de Phil, Vonnie (Kristen Stewart, uma atriz nota "cem" - sem sal, sem graça e sem expressão) com quem aos poucos se apaixona. O problema é quando o namorado dela entra em cena.

Sem graça, sem sal

Toda essa parte inicial de Café Society tem uma escolha de cores muito interessante que deixa tudo com um aspecto dourado. Desde as roupas, as luzes internas e externas. Tudo parece mágico, difícil de resistir, muito encantador e charmoso. E é nessa onda de nobreza e luxo que Bobby cai de cabeça.

Uma aproximação que se transforma em paixão

SPOILERS

A partir do momento que Phil se separa da esposa com quem era casado há 25 anos e decide se casar com Vonnie, com quem namorava escondido, as cores do filme mudam para um tom mais escuro, pastel, sem tanto dourado-ouro. E isso não é à toa. Bobby volta pra Nova York onde tenta retomar a vida após a desilusão amorosa.

FIM DOS SPOILERS

O cuidado com a fotografia
O problema de Café Society está basicamente na escolha dos atores. Eu não iria longe a dizer que Jesse Einsenberg é um ator ruim, não é. Mas o problema é que os maneirismos deles - que os acompanham em todos os papeis que interpreta - incomodam bastante. Será que foi pedido do Woody ou criações do próprio Eisenberg?

Trejeitos irritantes

O maior problema mesmo é com Kristen Stewart. Ela não está à vontade no papel, parece incomodada com a roupa, não tem química com Einseberg. É o grande erro de Café Society. Estranho é que Woody poderia ter optado por uma saída bem simples, já que Blake Lively aparece no terço final do filme. Lively sim tem carisma, é bonita e poderia interpretar Vonnie sem problemas. Pena.
Veja abaixo o trailer de Café Society.

sábado, 9 de setembro de 2017

MEMÓRIAS SECRETAS (2015)

Um idoso atormentando pelo passado

MEMÓRIAS SECRETAS (Remember / 2015) - Existem memórias que levamos para a vida toda, que marcam e moldam quem seremos no futuro. Dá para se dizer sem medo que o povo alemão - na verdade o mundo inteiro, mas mais especificamente o povo alemão - foi moldado pelo nazismo. Certa vez eu disse a um amigo alemão que eles deveriam virar a página e tocar a vida, eis que ele me respondeu: "nunca, jamais o nazismo deve ser esquecido. O povo alemão tem que levar isso para sempre, para não correr o risco de acontecer de novo."

Corrigindo o passado

Memórias Secretas é um filme alemão indicado ao Leão de Ouro que conta a história de idosos que viveram o horror daquela época dentro do olho do furacão. Zev (Christopher Plummer, canadense falando um inglês carregado de sotaque alemão) está internado num asilo. Tem em Max (Martin Landau) seu grande amigo ali. Mais do que isso. Os dois têm números tatuados no braço, são as marcas que carregam do período que passaram em Auschwitz.

Landau e Plummer

Após uma promessa feita a Max em uma carta, Zev tem um novo objetivo na vida - agora que sua esposa morreu. Encontrar e matar o alemão que matou toda a sua família e a de Max no campo de concentração. São quatro endereços que contem um tal Rudy Kurlander. Zev vai atrás de cada endereço atrás da sua vingança.

Um dos muitos encontros atrás do algoz

Zev sofre de demência, então familiares assumem que ele está perdido, vagando por aí. E na verdade, ele se pega tendo que ler e reler a tal carta para lembrar o próximo passo a tomar. Nessa busca ele se tromba com várias figuras: um alemão de mesmo nome mas que não serviu em Auschwitz, outro que era perseguido não por ser judeu e sim homossexual e mais um cuja postura doentia anti semita por pouco não causa uma tragedia na trajetória de Zev.

Uma trajetória perigosa

Ao final ele chega até o Kurlander que ele tanto procura, mas é pego por uma surpresa que muda completamente o destino da história. Os velhinhos no asilo ficam chocados com o desfecho, ao que Max, afirma sem medo "Zev sabia bem o que estava fazendo."

Sempre em contato com o amigo
O roteiro de Memórias Secretas dá uma forçada de barra em vários momentos, daqueles que você se pega pensando "mas como?". No mais a história é chocante em vários aspectos, não somente pela questão do nazismo que já é um assunto delicado, mas sim por tocar em outro também difícil... a demência.

O desfecho

Veja abaixo o trailer de Memórias Secretas.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

INVASÃO ZUMBI (2016)

Uma corrida desenfreada

INVASÃO ZUMBI (Busanhaeng / Train to Busan / 2016) - O boom dos filmes de zumbi aconteceu já faz algum tempo. Extermínio (2002), Madrugada dos Mortos (2004), Terra dos Mortos (2005), Diários dos Mortos (2007), Eu Sou a Lenda (2007), Quarentena (2008), e tantos e tantos outros. Esse sul coreano Invasão Zumbi pode ter chegado tardiamente - e com isso acabou repetindo algumas ideias já exploradas em outros tantos filmes do gênero. Mas não é por isso que o sul coreano Invasão Zumbi deva ser evitado. Ao contrário.

Boa parte da ação acontece no mesmo cenário

Na história um pai ausente promete levar a filha até a mãe. A dupla pega o trem e no caminho se deparam com uma cidade parcialmente destruída. E escutam rosnados. Pessoas com os olhos mortos, com membros desvirados e correndo como loucos.

O contaminados
Permissão para "corrigir" o título em português. As figuras contaminadas aqui não são zumbis, elas parecem contaminadas com raiva, como as do Extermínio. Zumbis são mortos-vivos que rastejam, andam devagar atrás de cérebro. Essas criaturas daqui mordem outro pessoa - ou comem - e imediatamente o mordido se torna um ser humano com raiva.

Sem saída

Invasão Zumbi tem um grande mérito - ele se passa sem rodeios, começa a termina dentro do trem, praticamente. E tem todos os elementos conhecidos de um filme desses - os seres humanos egoístas que jogam outros pelo caminho para se salvar, os entes queridos que se transformam nas criaturas (zumbis, pelo título em português) e deixam a gente com aquele gostinho de "puxa, até ele?", os justiceiros que resolvem as coisas com os punho, a relação pai-filha que se fortalece, e claro, uma mulher grávida. Passa rápido e diverte.

Um dos momentos mais tristes do filme

Veja abaixo o trailer de Invasão Zumbi.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

UM CADÁVER PARA SOBREVIVER (2016)

A lição que a morte ensina

UM CADÁVER PARA SOBREVIVER (Swiss Army Man / 2016) - Coloque Náufrago e Um Morto Muito Louco dentro de uma panela. Mexa bem. Inclua uma boa porção de humor surrealista, existencial e até escatológico. Você terá a receita perfeita de Um Cadáver para Sobreviver, filme de uma dupla de diretores iniciantes - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - que com um roteiro potente não tiveram trabalho para convencer Paul Dano e Daniel Radcliffe a entrarem no barco.

Um dos "Daniels" gravando Dano e Radcliffe

Hank (Dano) está  se enforcando. Ele está perdido no que parece ser uma ilha sem qualquer contato com outro humano. Algo chama sua atenção, um corpo jogado ali na areia da praia. Ele recupera o corpo e começa a conversar com ele, leva para as instalações que ele construiu por ali, fala da sua vida, conta sua história e se assusta - o cadáver começa a falar.

Um homem à beira da morte

Tudo, claro, fruto da imaginação de Hank. Manny (Radcliffe) é o Swiss Army Man do título, algo como "Homem canivete". Isso porque ele "ajuda" Hank em qualquer tarefa do dia a dia. Seus dentes servem para raspar a barba de Hank, sua cabeça dura como ferramenta para abrir cocos, a água que sai da sua boca - já que presume-se que ele tenha morrido afogado - serve como chuveiro para Hank, e suas flatulências (?) são o motor propulsor que o transformam numa lancha, por exemplo (sim, é isso mesmo). Um humor estranho que dividiu a plateia de Sundance - metade saiu ainda no meio da projeção.

Um homem multi-tarefas

De qualquer forma a parceria com um morto - que ele acredita realmente estar vivo - faz Hank ter uma nova perceptiva da própria vida e tem papel fundamental na sua salvação. Esta é a grande mensagem que Um Cadáver para Sobreviver apresenta.

Ajudando o amigo a tocar em frente

O problema é que para chegar até essa conclusão enfrentamos um mar de piadas de mau gosto e que incomodam demais, desconectando-nos do filme até certo ponto. Se você conseguir não se incomodar com tudo isso, o filme - que conta com excelentes atuações da dupla principal - tem um significado importante e merece sim ser visto.

Duas vidas que juntas fazem sentido

Veja abaixo o trailer de Um Cadáver para Sobreviver.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

FOME DE PODER (2016)

O homem que levou o McDonald´s para o mundo

FOME DE PODER (The Founder / 2016) - Uma história de sucesso das mais impressionantes e revoltantes já contadas. Uma sacada de mestre de um cara capitalista acima de tudo e, como diz o ótimo título brasileiro, com muita Fome de Poder. O problema é que no caminho ele atropela tudo e todos. A ambição vem sempre em primeiro lugar. E pior é que tudo é real.

Kroc, do lado direito, analisando o projeto de um novo restaurante

Fome de Poder conta a história de Ray Kroc, um irritante homem de negócios vivido por Michael Keaton. Ele tenta a todo custo vender uma máquina de fazer milkshakes, bate de porta em porta em restaurantes espalhadas pelo país, sem sucesso. A sorte de Kroc começa a mudar quando ele recebe uma ligação de um restaurante chamado McDonald's que encomendou seis das suas máquinas de uma vez só. Kroc vai até lá.

Krock insiste para falar com os irmãos do McDonalds

No tal McDonald's ele encontra dois irmãos - Ray e Don, os donos, que criaram um método revolucionário para servir a comida rapidamente com o menor custo possível. "De 30 minutos em 30 segundos", dizem. Ele inventaram ali o fast food. Kroc embarcou nessa ideia e conseguiu, depois de muita insistência, assinar um contrato como novo sócio dos irmãos. Sua missão - fazer filiais do McDonald's por todo o país.

Kroc vendendo, que é o que ele sabe fazer

O problema é que nesse afã de sucesso e expansão a todo custo, Kroc atropelou a autoridade que os irmãos McDonald's teriam nesse processo todo. O contrato assinado por eles não foi cumprido ("contratos foram feitos para serem quebrados", diz Kroc), os irmãos preferiram não entrar na briga. Até que Kroc, já cheio de dinheiro de tantas novas lojas que conseguiu abrir e ao lado de bons advogados, acabou adquirindo o McDonald's todo para ele. Aos irmãos sobrou mudar o nome de seu restaurante original para M simplesmente, que por sinal, faliu poucos anos depois.

O primeiro restaurante, que deu origem à toda rede

A escolha de Michael Keaton foi perfeita, ele não tem uma cara amigável mas encarna muito bem um empresário chato, persistente e até maldoso. A mensagem que fica de Fome de Poder é que para vencer tem que se atropelar a todos, e ser acima de tudo uma pessoa sem limites ou escrúpulos.

Os irmãos McDonald´s

Não basta ser maior, tem que ser O maior e para isso Kroc amassa os menores. Algo que o filme Steve Jobs, dirigido por Danny Boyle, também deixa claro sobre o grande líder da Apple. Uma mensagem que me incomodou tanto que falei pra mim mesmo "não vou mais no McDonalds"... passou dois dias e descumpri minha promessa.
Veja abaixo trailer de Fome de Poder.


domingo, 6 de agosto de 2017

A SENHORA DA VAN (2015)

Mal humorada

A SENHORA DA VAN (The Lady in the Van / 2015) - Alan Bennett é um escritor inglês de mão cheia. Ele se acostumou a retratar a vida de personagens comuns do dia a dia e por isso quando uma senhora passou a morar dentro de uma van na rua em que o escritor morava, tudo se encaixou. Ele acabou transformando aquela experiência real em história. Nasceu ali um livro e depois uma peça que é encenada até hoje na Inglaterra.

A peça de teatro

Maggie Smith interpreta a senhora do título, que vive dentro de uma van numa rua de Camden Town em Londres. Ela e Bennett (interpretado por Alex Jennings) acabam desenvolvendo uma estranha amizade, já que ambos não são nada simpáticos um ao outro, nem minimamente cordial. Ela se apoia na velhice e ele nas manias de um turrão vivendo uma vida solitária.

Uma relação conflituosa

Ele é reservado, mora sozinho e faz o máximo esforço para manter qualquer pessoa distante, até a própria mãe. Fala sozinho em casa o tempo todo, e a forma como o diretor Nicholas Hytner escolheu para preencher o vazio da casa onde ele mora é incrível - Bennett contracena com ele mesmo. No começo parece um irmão gêmeo, aos poucos descobrimos que é ele mesmo, um outro "eu".

O mal humor do vizinho

Por 15 anos aquela mulher morou dentro da van e - depois de conversar com Bennett -, acabou-se "mudando"da rua para a garagem do escritor. O seu espaço sempre foi mal cheiroso, cheio de sacolas e os seus carros - sim, porque ela teve mais de 1  - pintados com um estranhamento amarelo ovo. Mas de onde ela tira dinheiro? Porque é tão irritante e irritável? Qual a história dessa senhora? Aos poucos o roteiro de Bennett soluciona todas essas questões.

A equipe no set

A Senhora da Van é cativante e uma lição dura e curiosa. O paralelo que o texto propõe entre a senhora maltrapilha e a mãe do próprio escritor é leve, porém muito claro. Ele mesmo traça essa linha vez por outra. Ao mesmo tempo em que se vê obrigado a internar a mãe doente em um asilo, ele se cobre de zêlo para proteger a senhora moradora de rua. Não é amor, mas passa longe do ódio. Um sentimento que ele despeja na senhora, ao mesmo tempo que evita lançar sobre a própria mãe.

O "raro" sorriso 

Veja abaixo o trailer de A Senhora da Van.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (1987)

Duas pessoas que nunca se viram, mas que trocaram confidências por vinte anos

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (84 Charing Cross Road / 1987) - Uma história real. Romanceada, é claro, mas real. Helene Hanff se correspondeu via carta durante anos e anos com um livreiro londrino, buscando exemplares de obras raras disponíveis na livraria dele. As cartas viajavam de Nova York para Londres e vice-versa. Das correspondências nasceu uma amizade e, ao que parece, um sentimento. A incrível história virou uma peça, um telefilme e por fim, um longa metragem. David Hugh Jones dirigiu o filme.


A peça inspirada na história

Anne Bancroft (a eterna Mrs. Robinson de A Primeira Noite de um Homem) e Anthony Hopkins interpretam Helene e Frank. Os dois já haviam atuados em O Homem Elefante, de David Lynch em 1980, mas na produção de Nunca Te Vi, Sempre te Amei, como entrega o título, eles não se vêem, não aparecem juntos em cena sequer uma vez. Helene é viúva e Frank casado e pai de três filhos.

Helene escreve uma de suas cartas

Tudo começa quando Helene, uma amante da literatura inglesa, apaixonada por colecionar livros raros não encontra alguns volumes e entra em contato, via carta, com uma livraria especializada em Londres. Semanas depois ela recebe uma resposta de Frank, responsável pelo estabelecimento, dizendo ter tais livros. O ano é 1948.

Frank em sua livraria

Eles passam o filme trocando cartas, sempre respeitosas e carinhosas contendo informações sobre família, amigos e interesses em comum. A Segunda Guerra Mundial ainda era um evento recente e a Inglaterra, assim como boa parte dos países europeus, passava por um período de recessão. Alimentos eram escassos. Helene enviou mais de uma vez, caixas de enlatados, que Frank distribuiu entre os empregados da livraria. Em troca, Frank mandou de Londres toalhas de mesa e alguns livros de graça.

A comida que chega em Londres enviada por Helene
A troca de cartas se manteve constante até 1968, quando Helene descobriu que Frank morreu após complicações de saúde. Ela, por sua vez, que sempre adiou uma viagem à Londres, se sentiu na obrigação de ir à capital inglesa conhecer a tal livraria no endereço que dá o nome original ao filme - 84 Charing Cross Road.

A quarta parede usada por Helene em boa parte do filme

O filme começa já com a viagem de Helene para Londres e num corte brusco volta vinte anos mostrando ela bem mais jovem, quando ainda estava escrevendo a primeira carta para Frank. No final do filme, Helene chega à livraria, que está abandonada, é somente uma construção antiga, mas ela fica feliz de fechar esse ciclo em sua vida.

A vista da livraria... sim, ela existiu!

Ritmo de romance e interpretações tocantes - porém estereotipadas - fazem de Nunca te Vi, Sempre te Amei um filme leve, bom para um dia a tarde com bolinho de chuva e cobertor. Hopkins apresenta o modelo do inglês tradicional, cortês, e a bela Bancroft faz uma nova iorquina fumante e ansiosa, que por mais de uma vez fala com a câmera como se fosse a própria consciência.
Veja abaixo o trailer de Nunca te Vi, Sempre te Amei.