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domingo, 19 de fevereiro de 2017

UM LIMITE ENTRE NÓS (2016)

Risos raros

UM LIMITE ENTRE NÓS (Fences / 2016) - Tony é a premiação mais importante do teatro - é o Oscar dos palcos. Um Limite Entre Nós é uma das peças mais famosas dos últimos anos no teatro norte americano. Na década de 80/90, James Earl Jones - o imortal dono da voz de Darth Vader - ganhou o Tony por sua interpretação de Troy. Nos últimos anos, os cinco principais atores da nova montagem levaram o Tony também. Toda a turma agora está de volta junta - sob a direção de Denzel Washington.

A peça - um sucesso nos palcos

A história se passa na década de 50 quando Troy (Washington impressionante) leva a vida dura dos subúrbios onde é lixeiro, enquanto tenta manter bom relacionamento com a esposa Rose (Viola Davis magnífica). O problema está na relação dele com o filho, que não recebe carinho algum do pai e chega em certo momento até a questioná-lo: "Porque você não gosta de mim?"

A difícil relação com o filho
Tudo complica ainda mais quanto o truculento Troy descobre que será pai de novo, de uma relação fora do casamento. O relacionamento com a esposa - que por machismo inerente à época já era naquele estilo "homem trabalha e mulher cuida da casa" - desmorona. Rose diz que abriu mão de tudo para manter aquela família unida e é aí que Troy percebe - a força da família nunca foi ele, e sim a esposa.

O esporte no sangue - assim como o pai

Um Limite Entre Nós é o título perfeito para um drama de época sobre uma família negra vivendo numa época difícil, de segregação. Um bom retrato de uma periferia tipicamente americana onde ainda se sonhava com algo melhor, um futuro no mínimo digno.

O irmão de Troy - o Bubba de Forrest Gump

A química do elenco é maravilhosa Também pudera, depois de encenar a peça tantas e tanta vezes - 114 para ser exato - não tem como o time não funcionar. Todos ali sabem de cor o texto que estão dizendo.

Denzel e Viola nos palcos

O problema de Um Limite Entre Nós está justamente no texto. Os diálogos - típicos de teatro - são muito longos e por isso as cenas são enormes. Dentro de uma mesma cena é possível acompanhar vários assuntos acontecendo ao mesmo tempo, não funciona muito bem para cinema não. Na minha opinião o texto poderia ser melhor adaptado - de qualquer forma, ironia ou não, o roteiro concorre ao Oscar deste ano. Acho difícil, mas pode ser que cale a minha boca. Quem sabe...
Veja abaixo o trailer de Um Limite Entre Nós.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2016)

As mais impressionantes cenas de guerra já feitas

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge / 2016) - Mel Gibson já fez muito pelo cinema, e como diretor tem uma carreira das mais ricas. São cinco filmes dirigidos - O Homem Sem Face, o excelente Coração Valente, o chocante A Paixão de Cristo, o desafiador Apocalypto e este Até o Último Homem, que concorre agora em 6 categorias no Oscar, incluindo Direção. Em Até o Último Homem, Mel Gibson entrega sequências de guerra impressionantes, jamais vistas, tamanho o realismo e a violência. E não só pelo fator "tecnologia de ponta", é puro conhecimento de causa.

Gibson em ação

Desmond Doss (interpretado pelo "cara de tonto" Andrew Garfield) e o irmão Hal tem problemas com as bebedeiras do pai (Hugo Weaving), um homem que encontra na bebida a saída para esquecer o passado trágico na Primeira Guerra. Ele visita com frequência o túmulo dos soldados mortos no combate. A relação dele com os filhos e a esposa é nula.

O pai de Desmond tendo que livrar-se dos fantasmas do passado

O jovem Desmond, contrariando os pedidos da família, se alista no exército, mas para ser médico - por princípios cristãos ele não quer colocar a mão em um rifle. Durante o treinamento no quartel general, ele passa maus bocados nas mãos do sargento (Vince Vaughn) e dos demais soldados. Desmond apanha à noite, é levado à corte por contrariar as normas do Exército, mas por fim consegue seguir com os soldados para a batalha em solo japonês.

O sargento que era para ser durão

Durante a batalha em Okinawa - repito, com as melhores cenas de guerra jamais vistas - Desmond se esgueira o tempo todo dos ataques dos inimigos, mas prestando socorro aos soldados feridos. A batalha segue no dia seguinte, os soldados descansam, menos um - Desmond continua sozinho a resgatar os soldados durante a madrugada. Resgata até soldados japoneses.

Doss e sua missão

Parece mentira mas a história é real. Ao final do filme surgem fotos e trechos de entrevistas comprovando o feito de Desomd Doss - o único soldado a ser condecorado com a medalha de honra ao mérito numa guerra sem ter disparado um único tiro. Ao final, em uma sequência que só poderia surgir num filme de Mel Gibson, Doss é comparado à uma figura santa, imaculada.

O quase santo Doss

Mel Gibson acerta em cheio ao fazer um retrato da guerra do ponto de vista dos que morrem - a batalha foca pouco nos heróis que conquistam trincheiras e avançam pelo terreno inimigo. O olhar é pros que morrem, muitos jovens que acabaram de entrar no terreno, mal enxergam o inimigo e são alvejados por um tiro certeiro. Choca como as vidas são descartáveis e quantas se perdem com poucos passos no terreno de combate.

O set visto de cima

Defeitos? Sim, dois eu diria - Andrew Garfield e Vince Vaughn. O primeiro começa e termina o filme com a mesma cara de juvenil idiota, olhos esbugalhados e expressão de "não sei o que estou fazendo aqui". Já Vaughn... não sei, simplesmente não funciona no papel de um sargentão linha dura. Dá vontade de rir toda vez que ele levanta a voz. Mas por pior que os dois estejam eles não estragam o ótimo Até o Último Homem.

"Por favor Senhor, me ajude a resgatar mais um..."

Veja abaixo o trailer de Até o Último Homem.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

MANCHESTER À BEIRA MAR (2016)

Família em dia feliz de pesca

MANCHESTER À BEIRA MAR (Manchester By the Sea / 2016) - Matt Damon era o dono da ideia e do projeto por um bom tempo. Ele criou os personagens, desenvolveu um pré-roteiro, mas abandonou tudo por conflitos na agenda. Coube ao amigo Kenneth Lonergan tocar o barco. Lonergan gostou tanto do pré-roteiro que desenvolveu ainda mais o trabalho e aceitou assumir a direção do longa, depois de 11 anos sem assinar um filme.

Damon e Lonergan

Damon era a escolha óbvia para estrelar o filme, mas coube a um ator menos conhecido do grande público assumir o papel principal. Casey Affleck - que já havia concorrido ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo arrastado O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford. Ele é irmão de Ben Affleck e amigo de infância de Damon.

O zelador

Em Manchester à Beira Mar, Lee (Affleck) é o zelador em um condomínio de apartamentos em Boston. Ganha um salário mínimo para desentupir privadas, limpar calhas, tirar o gelo da entrada e etc. Tudo isso aguentando ainda o mal humor dos moradores. Lee tem fala mansa, voz baixa daquelas que falham quando saem da boca, e um olhar sereno, mas que se inflama por pouco. Depois de beber, ele costumeiramente arruma brigas no bar local apenas por olharem para ele. Um cara odioso... à princípio.

O telefone toca e tudo muda

Ele recebe uma ligação informando que o irmão, que tinha uma doença rara no coração, acaba de falecer. Lee larga tudo e encara 1 hora e meia de estrada até chegar à Manchester, a cidade da infância, onde morava com toda a família. Lá, ele reconhece o corpo do irmão no hospital e começa os procedimentos do funeral.

SPOILERS

O choque com a perda do irmão só faz com que Lee se feche ainda mais. Sua mente viaja e é através de flashbacks que as peças do quebra cabeça começam a se encaixar. Descobrimos que, pouco tempo antes, Lee era um cara normal, amoroso que vivia com a esposa Randi (Michelle Williams) e os três filhos pequenos. Mas uma noite de bebedeira com os amigos em casa resulta em um erro bobo, que mudaria sua vida. Ele acende a lareira, não coloca a proteção, uma das madeiras rola e incendeia a casa toda. A esposa é salva, as crianças não. Começamos a entender melhor porque aquele cara odioso é tão fechado.

Lee e o sobrinho Patrick

Pelo testamento, o irmão coloca seu filho adolescente Patrick sob a guarda de Lee, já que a mãe deste casou de novo e sumiu do mapa. E agora os dois "cabeça-dura" tem que aprender a levar a vida juntos nesses primeiros momentos quando tudo se perde.

FIM DOS SPOILERS

Lonergan acerta na mão em respeitar o público, principalmente ao não ser tão didático em alguns momentos - a própria história trata de explicar o que é flashback e o que não é. Aqui não se usa claquetes, mudanças de trilha ou iluminação para mostrar que algo é passado e presente.

Michelle Williams em atuação aclamada

Mais do que isso - a história não apenas mostra as dores dos personagens, ela te convida a entrar e enfrentar aquelas dores juntos com eles. Na verdade não é bem um convite - está mais para uma intimação. O filme te puxa junto.

Abraço de irmão

Manchester à Beira Mar é um filme de descobertas através de um processo de amadurecimento. Casey Affleck faz do calado e explosivo Lee o alicerce que precisava para se firmar de vez na carreira - ele já levou o Globo de Ouro por esta interpretação e pode levar o Oscar também. E merece, é um trabalho notável.
Veja abaixo o trailer de Manchester à Beira Mar.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A CHEGADA (2016)

Os primeiros passos de uma complicada comunicação

A CHEGADA (Arrival / 2016) - De 2013 pra cá, Dennis Villeneuve tem trabalho bastante. Já dirigiu cinco filmes nesse período, entre eles o novo Blade Runner 2049, além do médico Sicario e do bom Os Suspeitos. Todos com elencos estrelados. E agora entrega A Chegada, o maior sucesso da sua carreira, tendo levado oito indicações na premiação máxima do cinema. E mesmo que não leve nenhuma estatueta - o que eu particularmente acho difícil - pode ser apontado, sem sombra de dúvidas, como um dos grandes filmes de ficção científica dos últimos anos, juntamente com Interestelar.

Villeneuve dirige Adams

A Chegada começa com imagens de Louise (Amy Adams) e sua filha pequena. Em rápidos momentos vemos a aproximação de mãe e filha por várias etapas das vida. Aqui, as imagens retratadas e o tom contemplativo e poético que Villeneuve emprega lembram muito A Árvore da Vida de Terrence Malick.

Da noite pro dia numa jornada que poderá o mudar o destino do planeta

Louise é professora de linguística, especialista em desvendar idiomas e subitamente se vê dentro de um helicóptero sendo levada para um campo aberto por uma equipe de militares liderada por Webber (Forest Whitaker). Junto com ela o matemático Ian (Jeremy Renner).

SPOILERS

Doze naves alienígenas estão "estacionadas" em diferentes lugares do planeta. E mais - um contato já foi estabelecido com os visitantes - a cada duas horas uma "porta" se abre nas naves, permitindo que uma equipe entre lá e tenha contato com os ETS. O principal objetivo é descobrir o motivo da visita deles. Ele estariam para nos dominar ou apenas a passeio?

As naves - conchas com quase 5 quilômetros de altura

Louise cria um método complexo e a cada visita à nave se aproxima mais dos visitantes a ponto de criar uma linguagem comum entre as duas raças. A comunicação passa a ser possível. E aí começam também os problemas. A China, outro país que recebe a visita de uma das naves, declara guerra aos ETS e recebe apoio de Rússia e Paquistão. Começa a luta de Louise e Ian para evitar que tudo se transforme numa batalha entre espécies.

Matemática puira

Há cerca de 30 minutos do fim, o roteiro - adaptado de um conto escrito em 1998 chamado "Story of Your Life" - dá uma guinada e encaixa as pontas soltas de uma forma... inimaginável até. A Chegada se torna uma viagem pela vida através do tempo, onde presente e passado se misturam e se anulam, e o futuro se torna uma resposta ao passado.

Dentro da nave - a busca pelo desconhecido

A história dela com os alienígenas, na verdade é o presente e as imagens dela com a filha - que imaginássemos serem flashbacks - são o futuro. Essa solução é apresentada de forma tão leve que ganha peso, força e nos convida à reflexão, até o fim dos créditos.

Símbolos à desvendar

No final, a visita dos ETS se torna apenas um pretexto para algo muito maior - o significado da vida e de como nos preocupamos com coisas muito maiores quando na verdade damos de ombros para coisas importantíssimas e simples que acontecem com cada um de nós todos os dias.

FIM DOS SPOILERS

Um dos grandes exemplos de filme "mind-blowing", aqueles que são um verdadeiro tapa na cara devido a uma virada maravilhosa e inesperada na história. Respeito ao roteiro, à direção e aos atores, principalmente Amy Adams, que carrega boa parte das cenas sozinhas, contemplando o silêncio, enquanto busca respostas para o que tem e para o que virá. 
Veja abaixo o trailer de A Chegada.       



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK - THE TOURING YEARS (2016)

Fab Four nos anos das turnês

THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK - THE TOURING YEARS (2016) - Tudo na carreira dos Beatles dá um filme. E nem precisa ser assim tão fã do Fab Four para saber que a história deles é mágica, incomparável. E é bem isso que Ron Howard - diretor de Uma Mente Brilhante, Rush, A Luta pela Esperança, Frost/Nixon e tantos outros - mostra nesse documentário, que foca unicamente os anos das apresentações ao vivo.

Ron com Paul e Ringo

Nada de voz guia, aqui quem guia as ações são os entrevistados. Além dos obrigatórios Paul e Ringo, Howard ouviu pessoas que possibilitaram as turnês e outras tantas que acompanharam a banda, além de fãs que estavam lá e autores de livros, historiadores ou mesmo pessoas com conhecimento de estúdio. Ele abriu o leque Beatle, ao invés de se focar no mundo das pessoas que os rodeavam.

Apresentações coloridas digitalmente

Seguindo esse intuito ele entrevistou Elvis Costello, que fala como fã, consumidor da música e dos álbuns dos Beatles. É muito interessante notar a importância que John, Paul, George e Ringo tiveram na formação artística de outros tantos, não importa a área de atuação.

Entrevistados ilustres

Sigourney Weaver e Whoppy Goldberg também dão entrevistas, aqui como simples fãs, mortais. A primeira por ter visto os Beatles em um show em Washington - "enrolando os cabelos para o John reparar em mim" - e a segunda por ter sido uma das mais de 56 mil pessoas no Shea Stadium.

Whoopy e sua ida, por acaso, ao Shea

O filme relaciona a importância cultural da banda com fatos importantes em alguns países como por exemplo o assassinato de John F. Kennedy e a segregação racial em alguns estados do sul dos EUA, além do  problema com Imelda Marcos nas Filipinas e os protestos no Japão antes do show no Budokan.  

Entrando no Shea Stadium para uma das maiores apresentações da carreira

As apresentações são mostradas como nunca, os quatro no palco com pouca edição. Poucas vezes vemos tanto das pessoas e não apenas dos músicos John, Paul, George e Ringo. A alegria e a excitação daqueles jovens no meio daquele turbilhão todo, ao mesmo tempo que se mostram preocupados e até assustados com toda a pressão que recebem, do mundo todo.

A apresentação no Japão - o clima já não era tão amistoso

Em alguns momentos The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years deixa aquele gosto de "já ví isso" e não é à toa. Muito do material ali - principalmente as entrevistas de George - é tirado do Anthology. Howard ainda tentou alguns truques de edição como ampliar a imagem, ou mesmo invertê-las, sem tanto sucesso.

Compondo em quartos de hotel

Mas tudo que entrou é muito substancial. O documentário é enxuto e conta o que precisa ser contado parando no momento exato - no lançamento de Sgt. Peppers. E os créditos finais são ao som - e com imagens, é claro - do Rooftop Concert em 1969, a última apresentação ao vivo dos quatro. Um filme obrigatório para fãs de história da cultura pop, dos Beatles e de boa música. 



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

MOONLIGHT - SOB A LUZ DO LUAR (2016)

Três fases da vida de um homem

MOONLIGHT - SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight/2016) - Barry Jenkins é um diretor novato de 37 anos, fruto dos subúrbios onde via de perto as desigualdades sociais e raciais, bem como os problemas com drogas entre os amigos e na própria família - a sua mãe era viciada. Por isso Jenkins se sentiu à vontade na adaptação do livro que virou o filme Moonlight - Sob a Luz do Luar.  

O pequeno sob o pôr do sol

A história é dividida em três atos. O primeiro se chama Little e mostra Chiron, um garoto de uns 9 anos e os problemas que ele enfrenta no bairro pobre e violento onde mora. Ele aparece de repente num barraco, fugindo de uns amigos que querem bater nele. Um homem se mostra amigável, seu nome é Blue (Mahershala Ali em curta porém ótima atuação).

A figura paterna que falta para Chiron

Chiron vai para casa de Blue e da namorada Teresa. O casal dá comida para o pequeno Chiron e lhe faz perguntas sem obter qualquer resposta, ou que seja um olhar. O menino é acuado, medroso, retraído.

Amigos de infância - Chiron e Kevin

No dia seguinte Blue o leva de volta para a sua casa não muito longe dali e o entrega a mãe (Naomi Harris, em grande performance como uma mulher totalmente entregue ao vicio no crack). Chiron vê Blue e Teresa como os pais que nunca teve - ele como a figura paterna que inexiste e ela como a mãe que lhe falta. Ele quer passar os dias longe de casa, sempre que chega é recebido aos berros pela mãe, que volta e meia se entrega ao uso de drogas no meio da sala mesmo.

A mãe dependente e ausente

O segundo ato se chama Chiron e mostra o jovem na fase adolescente, enfrentando bullying dos demais estudantes, principalmente de Tyrrell. O jovem cabeludo vê em Chiron uma presa fácil já que ele continua o mesmo - calado, retraído e sozinho.

Chiron adolescente

A mãe, além das drogas, se entrega à prostituição como forma de levar a vida e conseguir algum dinheiro. Isso deixa Chiron ainda mais fechado, afinal alguns clientes dela são seus amigos de classe. Ele não passa as noites em casa e muitas vezes dorme na casa de Teresa. Até uma noite quando vai à praia e começa a conversar com Kevin, seu amigo de escola. Ali Chiron recebe carinho e se apaixona pelo amigo.

Sob o luar tudo muda na vida de Chiron

O último capítulo se chama Black e mostra Chiron adulto se dando bem no ambiente onde "trabalha". Ele é traficante e vive armado cobrando dívidas e alimentando o vício dos outros. Até que um dia recebe uma ligação de Kevin e eles marcam um encontro no restaurante onde este trabalha como cozinheiro.

Já como um adulto no terceiro ato
Os amigos não são mais tão próximos e nem dividem os mesmos gostos - Kevin agora é casado e pai. Chiron se frustra, mas no final recebe o carinho de Kevin, um abraço carinhoso, de uma pessoa que lhe dá afeto, algo que sempre faltou em toda vida. Fim.

Amigos se reencontram
Moonlight - Sob a Luz do Luar é um filme pequeno mas com atuações fortíssimas e uma história que é um verdadeiro soco no estômago. A forma como ela é contada, episódica, só reforça a clara intenção do diretor - mostrar que a pobreza, a violência e a falta de oportunidade nas comunidades negras atravessa idades. Mas mais do que isso, ele mostra o quão opressor pode ser o mundo para as minorias - no caso aqui um negro homossexual.

Anos depois o reencontro com Kevin

Durante vários momentos Chiron - em todos os três atos - se vira para a câmera, encarando-nos mesmo, de olhos bem abertos e expressão dura. Não diz nada e nem precisa, é como se falasse "E aí? O que você faria no meu lugar?". A trilha também merece destaque justamente por destoar do ambiente do filme, tem muita música incidental, algo mais clássico, que convida à reflexão de uma forma muito mais profunda do que o faria o óbvio uso de rap, por exemplo, nesse caso.

"O que você faria no meu lugar?"

É louvável que um filme levantando importantes discussões - o do preconceito racial e sexual de forma tão crua - alcance o público que vem alcançando, principalmente depois de levar vários prêmios internacionais e ser indicado em oito categorias do Oscar.

Barry Jenkins, de óculos, e os três Chiron

Ainda mais em se tratando de um filme diferente na montagem e edição - com takes mais longos, cenas extensas, silêncios exagerados - e com uma paleta de cor diferente a cada ato - azulada no primeiro ato quando Chiron é uma criança, passando pelo vinho amarronzado da segunda e terminando com acizentado da terceira. É um filme diferente que premia o cinema menor, bem pensado e feito com boas ideias.
Veja abaixo o trailer do ótimo Moonlight - Sob a Luz do Luar.




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (2016)

Mary, Katherine e Dorothy

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures / 2016) - Uma história real que envolve preconceito racial e a briga entre EUA x Rússia para chegar primeiro ao espaço. Do tipo que os velhinhos da academia adoram. Por isso, Estrelas Além do Tempo concorre ao Oscar de melhor filme, além de roteiro adaptado e atriz coadjuvante com Octavia Spencer, a mesma que já levou a estatueta por Histórias Cruzadas.

A verdadeira Dorothy, a primeira da esquerda

O filme se passa no começo da década de 60 no meio da corrida espacial. Três amigas negras - Katherine, Dorothy e Mary - trabalham na Nasa em uma sala voltada às pessoas de cor. O diretor Theodore Melfi mostra a segregação no dia a dia dos negros, como os bebedouros separados nas ruas, os ônibus com indicações de assento, a biblioteca pública com separação entre livros para brancos e negros.

A sala das mulheres de cor

Há 800 metros da sala onde as três amigas trabalham, Langley (Kevin Costner, sem sal como sempre) comanda com mãos de ferro o setor de projetos especiais da Nasa. O clima dentro da empresa é de pressão, principalmente porque eles acabam de acompanhar a primeira vitória russa ao mandar Yuri Gagarin para o espaço em 1961.

O homem que dá as cartas por ali

O desbocado Paul (Jim Parsons, ainda tentando se livrar da capa de Sheldon do Big Bang Theory) faz um dos engenheiros chefes da equipe de Langley. Ele é responsável pelos cálculos matemáticos que garantem um lançamento e um pouso seguro dos astronautas. Seu trabalho, assim como de todos do setor, ainda não surtiu o efeito esperado.

Tentando se livrar de Sheldon

Em determinado momento, Langley precisa de um expert em matemática para fazer o projeto avançar. A secretária (Kirsten Dunst) lembra de Katherine Goble, que sempre foi ótima com números, tendo se formado no colégio aos 14 anos e na universidade aos 18.

Katherine real e a atriz

Assim que entra na sala Katherine chama a atenção de todos - afinal como uma mulher de cor se atreve a querer se tratada como igual no começo dos anos 60, principalmente num ambiente totalmente masculino como a sala de engenharia espacial da Nasa? Ela recebe um café especial designado só para pessoas de cor e precisa correr aqueles 800 metros todos os dias apenas para ir ao banheiro, já que não existem banheiros destinados à pessoas de cor no prédio onde trabalha.

Katherine e as duas amigas a caminho da Nasa

Pouco tempo depois, chegam grandes computadores IBM para resolver os cálculos matemáticos, mas ninguém consegue fazê-los funcionar direito. Cabe à Dorothy (Octavia Spencer) ajudar a reformular o setor ao se tornar gerente do lugar.

Ela comanda a área dos computadores

Mary também não fica atrás. É a mais nova e mais descarada das três amigas. Por isso mesmo acaba se tornando a primeira mulher negra a cursar engenharia espacial em uma faculdade só para brancos. O discurso inflamado convenceu e emocionou o juiz que avaliava a questão anteriormente como um caso perdido.

Estranha no ninho

As três mulheres negras transformaram o lugar. Elas são as figuras escondidas (como promete o título original) que passavam despercebidas e de repente começaram a fazer a diferença. Sem elas, principalmente Katherine, muitas conquistas espaciais do futuro não teriam sido alcançadas.

Destaque num ambiente masculino

Uma história incrível com alguns pontos fracos, entre eles a atuação de Costner e Parsons. A direção de Melfi é segura, mas embora a mensagem do filme seja marcante ela é entregue sem pontos de virada ou rodeios. É aquele tipo de filme que começa e você já sabe bem como termina, espera apenas pelas pedrinhas no meio do percurso, que nesse caso não existem.

Cálculos especiais... e espaciais

É do tipo de filme correto e que não poderia ser esquecido na noite máxima do cinema norte americano, mas aí a pensar nele como um dos favoritos... já é um pouco demais.

Mulheres que fizeram diferença

Estrelas Além do Tempo, além de ter um título em português horroroso, sofre pelo didatismo e pelo tom exageradamente correto de Melfi. Pecou pela falta de ousadia, o que sobrou para as três mulheres negras naquele comecinho dos anos 60.
Veja abaixo o trailer de Estrelas Além do Tempo.