terça-feira, 21 de março de 2017

UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN (1993)

Keaton e Allen juntos novamente

UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN (Manhattan Murder Mystery / 1993) - O começo da década de noventa não foi fácil para Woody Allen e sua esposa Mia Farrow. O drama do casal - Woody se apaixonou pela filha adotiva trinta e cinco anos mais nova e enfrentou o divórcio - se tornou público. E isso resultou em filmes sombrios no período, bem "Bergmanianos" mesmo, como Neblinas e Sombras e Maridos e Esposas. Mas foi com sua primeira comédia após esse período atribulado que Woody mostrava estar superando aquele problema.

Reescrevendo o papel principal feminino - sai Farrow entra Keaton

Um Misterioso Assassinato em Manhattan foi escrito por Allen tendo Mia Farrow em mente para o papel principal. Mas Woody teve que reescrever a personagem com uma característica mais cômica com a entrada de Diane Keaton no lugar. O filme marca a primeira participação de Diane Keaton em um filme do diretor desde A Era do Rádio, de 1987. E a química entre os dois está apuradíssima, como se não tivessem passados dezesseis anos de Noivo Neurótico Noiva Nervosa, a melhor contribuição entre os dois. Aqui, eles encaixam cacos hilários o tempo todo.

O filme mais famoso da dupla - "Noivo Neurótico Noiva Nervosa", de 1977

Larry e Carol (Woody e Keaton) vão na casa dos vizinhos para jogar conversa fora. No dia seguinte, a vizinha é encontrada morta dentro de casa - está aí o tal "misterioso" assassinato do título.

Ao fundo, de vermelho, a vizinha

Misterioso porque logo depois, o viúvo se mostra muito tranquilo para quem perdeu a esposa tão recentemente. E isso desperta a curiosidade de Carol que entra de cabeça na investigação ao lado do amigo Ted, por quem Larry tem certo ciúme.

Quem matou aquela senhora?

Larry vê na amizade de uma charmosa escritora (Anjelica Huston) uma saída para a sua vida tímida e neurótica. E isso lhe dá ânimo para que ele tome coragem para investigar o assassinato junto com a esposa. Investigar o suposto crime parece ser a excitação que faltava na vida de Carol e Larry. E eles descobrem cada coisa...

Investigação por conta própria

A hilária sequência em que Larry e Carol invadem um hotel atrás de pistas é o exemplo perfeito de como a química entre Woody e Keaton funciona tão bem. Algumas sequências e diálogos entre o casal protagonista foi tirado de sobras do roteiro de Noivo Neurótico Noiva Nervosa, como a hilária cena do elevador.

A melhor cena do filme 

Um grande exemplo de um filme delicioso de se assistir para quem é fã de Woody - não apenas escrevendo mas atuando - e de Keaton, que parece se soltar mais quando tem ao lado o diretor com quem mais trabalhou em toda carreira. Não é à toa que Um Misterioso Assassinato em Manhattan é apontado pelo próprio Woody como um dos filmes da sua carreira que mais gosta. Divertido e engraçado. Como contrariar Woody Allen?
Veja abaixo o trailer de Um Misterioso Assassinato em Manhattan.



sexta-feira, 17 de março de 2017

JACKIE (2016)

O símbolo da primeira dama norte americana

JACKIE (2016) - Jacqueline se tornou Kennedy após o casamento com John F. em 1953. A partir de 1961 ela experimentaria a doçura e a dureza de ser primeira dama ao seu marido ser eleito presidente dos EUA. O mandato curto acabaria tragicamente em novembro de 1963 com o tiro certeiro de Lee Oswald. Os dias que viriam após a tragédia é o principal foco do diretor chileno Pablo Larrain, o mesmo do ótimo No.

Larrain conversa com Portman

Jackie Kennedy (Natalie Portman) recebe a visita de um jornalista (Billy Crudup) que começa a entrevistá-la sobre os dias posteriores ao assassinato do marido. Como ela se sentiria após ter perdido ao mesmo tempo o pai dos seus filhos, o marido e o cargo de primeira dama. E tudo isso aos olhos do mundo.

Jackie e o jornalista

Natalie Portman encarna - o termo correto é esse mesmo, quase uma encarnação - Jackie Kennedy. A sua postura muda, fica mais imponente - ajudada pelos trajes que marcaram época - e a voz acompanha - doce, baixa... porém irritante. Esse é um dos problemas de Jackie, não só da personagem, mas do filme em si. A personificação de Portman incomoda com o passar do filme. Da metade pro final dá vontade de gritar - "Jackie, para de falar!"

Impressionante e irritante performance

No mais Jackie - o filme - funciona como uma boa retratação do interior da Casa Branca e da intimidade vivida por figuras importantes da história norte americana. Vale também pelo apuro e cuidado de Larrain, que utiliza as mesmas câmeras antigas que usou em No, o que dá um aspecto gasto à imagem. Mas fica o aviso - você vai se irritar com Portman aqui.
Veja abaixo o trailer de Jackie.

terça-feira, 14 de março de 2017

FEBRE DE JUVENTUDE (1978)

Uma turma sem limites e que sonha alto

FEBRE DE JUVENTUDE (I Wanna Hold Your Hand / 1978) - Nove de fevereiro de 1964, o dia em que quatro rapazes seguiram pros EUA para conquistar o mundo com sua música. Os Beatles ficaram surpresos com a histeria que causaram no aeroporto e depois pelas ruas até o show no programa de maior audiência na época, no Ed Sullivan Show.

Rosie à beira do desespero

Febre de Juventude, dirigido por um jovem Robert Zemeckis e produzido por um iniciante mas celebrado Steven Spielberg, conta a história de um grupo de jovens enlouquecidos com a possibilidade de ter a banda na cidade. Eles viajam de carro para chegar a Nova York e ver o show. Ou pelo menos tentar.

A turma toda - ou parte dela - no carro

E no grupo tem de tudo - uma jovem apaixonada por Paul, outra que está apenas acompanhando as amigas, outro sem carta mas que serve de motorista, outra que é fotógrafa e pretende tirar fotos exclusivas da banda, outra que acha que os Beatles são uma farsa e outro que está irritando depois de ser ignorado por todas as mulheres da cidade.

Elas conseguem entrar no hotel dos Fab Four

A comédia leve e divertida separa os personagens e cria pequenas histórias para cada um deles. Quando o grupo chega ao hotel onde John, Paul, George e Ringo estão hospedados eles se dividem e caem em pequenas ciladas - uma delas consegue por acidente entrar no quarto do Fab Four, outra é expulsa do hotel, outra se enrosca com outro fã enlouquecido que conseguiu um quarto vazio dentro do hotel e juntos começam um pequeno namoro, baseado no amor mútuo pelos Beatles.

Eddie Dezen, o símbolo do nerd nos anos 80

Aliás aí está uma das forças do filme - a comédia física de Rosie e Richard. Ela gordinha e arisca, ele magrelo e alto. Wendie Jo Sperber também atuou como irmã de Marty McFly na saga De Volta Para o Futuro e morreu de câncer aos 47 anos. Eddie Deezen é o símbolo do nerd em diversos filmes dos anos 70 e 80.

Sperber e sua comédia física
Dois não conseguem ver o show. A eles, que ficam do lado de fora dentro da limusine do pai de um deles, é reservado talvez a maior honraria. Ao final da apresentação os Beatles saem correndo do estúdio e entram no carro deles, seguindo de volta para o hotel.

E de repente no quarto do hotel da banda 

Outro ponto alto acontece ainda durante a presentação. Quatro atores são vistos em primeiro plano tocando como se fossem os Beatles e nos monitores e televisores espalhados pelo estúdio, são exibidas imagens da apresentação original de 1964.

Boa sacada

Leve, divertido e agrada a fãs - mas não só eles - dos Beatles. Febre de Juventude talvez tenha sido prejudicado devido ao sucesso mundial estrondoso de Grease: Nos Tempos da Brilhantina, que foi lançado no mesmo ano. Por isso mesmo Febre de Juventude não é dos filmes mais fáceis de serem encontrados, apesar de ter sido exibido com exaustão na sessão da Tarde nos anos 80. Mas acredite, vale a procura.
Veja o trailer de Febre de Juventude.


    

sexta-feira, 10 de março de 2017

ELLE (2016)

Uma mulher nada frágil

ELLE (2016) - Assisti Robocop no começo dos anos 90 e a princípio confesso que fiquei assustado. Tem uma cena lá que me marcou muito - a tortura do policial Murphy. Foi aí que descobri um tal Paul Verhoeven, diretor holandês que agora reencontro nesse drama francês. Verhoeven bem que tentou rodar Elle em Hollywood, mas o roteiro foi negado por várias atrizes. Na Europa ele encontrou Isabelle Huppert que aceitou na hora.

Verhoeven dirige Huppert

O longa baseado no livro Oh... de 2012, conta a história de Michele (Huppert), uma mulher bem resolvida, principalmente no trabalho onde comanda um grupo formado basicamente por homens. Mora sozinha numa bela casa, que é invadida por um homem vestido todo de preto, de máscara e a violenta sexualmente. Eles brigam feio e ela acaba no chão, com a roupa rasgada e desmoralizada. Aos poucos junta os cacos no chão - que representam os cacos dela mesma - e tenta levar a vida como se aquilo não tivesse acontecido.

Buscando proteção

O sentimento de pena que sentimos por Michelle aos poucos vai mudando na medida que passamos a conhecer as irritantes e nada corretas posturas que ela toma no dia a dia - ela maltrata as pessoas, bate em carro estacionado, odeia o pai idoso e tem nojo da mãe, tudo por conta de uma infância difícil.

A forma "carinhosa" como trata as cinzas

Uma mulher odiosa, detestável, e é aí que Huppert ganha espaço - o corpo magro e frágil dela esconde essa mulher forte que só se vê através do olhar. Uma impressionante interpretação da francesa. Michele vai crescendo a cada cena enquanto vamos aos pouco desvendando o estupro que ela sofreu - e sofre em outras cenas do filme. Tudo não passa de um jogo.

Michelle e seu companheiro

O filme vale por Huppert e a forma como ela mostra ser uma coisa e aos poucos se transforma em outra, tudo com o olhar, voz e trabalho de corpo. É muito respeitável também porque ela mesmo chegou a dizer que Elle foi um dos filmes mais difíceis que fez na longa carreira. Huppert, que já foi dirigida por Godard no começo dos anos 70, é respeitadíssima no cinema francês, e ao se ver Elle entende-se o porque. Pena que não levou a estatueta no Oscar. Merecia.
Veja abaixo o trailer de Elle.   


segunda-feira, 6 de março de 2017

SIMPLESMENTE ALICE (1990)

Simplesmente, uma mulher perdida

SIMPLESMENTE ALICE (Alice / 1990) - São 16 indicações ao Oscar de melhor roteiro. E 3 estatuetas, com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Hannah e suas Irmãs e Meia Noite em Paris. Woody Allen é o recordista, tanto em indicações como em premiações nessa categoria. E com folga. Billy Wilder, é o segundo da lista com "apenas" 4 indicações e 2 estatuetas. Woody é um diretor de mão cheia, um ator talentoso, mas acima de tudo, um escritor. Inegável.

A cabeça lá longe

Em Simplesmente Alice, Woody entrega um roteiro, mais uma vez, impecável. E claro, um elenco recheado de estrelas - Mia Farrow, Joe Mantegna, William Hurt, Alec Baldwin, Cybill Shepherd entre tantos outros.

Um casamento frio

A personagem título, vivida por Farrow, é casada há 15 anos com Doug (Hurt), mãe de 2 filhos e obcecada por compras. Numa visita a um curandeiro chinês, ela recebe ervas naturais. Durante o efeito da erva, ela se torna atirada e autoconfiante e dá em cima de Joe (Mantegna), que se separou há pouco da esposa. A paixão entre os Joe e Alice cresce, mas Alice continua insegura, tem receio de perder a vida confortável que leva.

Mesmo casada, ela se encanta por Joe

Em dúvida sobre o que fazer, ela experimenta outra erva do tal curandeiro chinês que a faz ficar invisível, para que ela possa vigiar melhor o que Joe e Doug fazem às escondidas e decidir com qual ficar. Joe é um músico charmoso apaixonado por jazz e Doug trai Alice com as amigas. Ela decide então levar em frente a relação com Doug.

O ponto da virada, a visita ao curandeiro

Mas tudo muda quando Joe também fica invisível ao experimentar as tais ervas e acaba descobrindo que a ex-esposa ainda o ama. Ele decide então voltar pra ela. Alice se vê num beco sem saída, não quer mais saber do marido que a trai e por mais que deseje Joe, não o tem. Numa última visita ao curandeiro chinês, Alice recebe uma poção do amor, quem beber daquela poção se apaixonará definitivamente por Alice. Mas quais dos dois ela escolheu para dar a tal poção? Só vendo.

Refinada e em busca de felicidade

Simplesmente Alice não é dos mais festejados do Woody, é um filme menor, embora premiadíssimo. Aqui, Woody amadureceu como ótimo contador de histórias, mas ficou longe das neuroses, que sempre tornam os seus roteiros muito atraentes. De qualquer forma, o filme cumpre o seu papel, é divertido e inteligente. Sendo Woody sempre vale a pena.
Veja abaixo o trailer de Simplesmente Alice.

     

sexta-feira, 3 de março de 2017

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (2013)

Solomon Northup, por um engano ficou afastado da família e vivendo como escravo por 12 anos

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (12 Years a Slave / 2013) - É sempre um tema difícil, espinhoso, mas que ainda faz sangrar as cicatrizes. E impressiona os velhinhos da Academia. 12 Anos de Escravidão foi indicado a 9 prêmios no Oscar de 2014, ficou com 3 - melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Lupita Nyong´o.

A premiação do Oscar com 3 estatuetas

Solomon Northup fez da sua vida um livro, que inspirou o roteiro de 12 anos de Escravidão. O filme começa com Solomon (interpretado na medida pelo ótimo Chiwetel Ejiofor) e outros escravos recebendo instruções de como cortar cana. Solomon está ali por engano.

Solomon tentando escrever uma carta, que viraria livro anos depois

Em um flashback voltamos ao período onde Solomon, muito bem vestido, junto com sua esposa e dois filhos, são vistos caminhando pela cidade e sendo saudados por várias pessoas. Ele é inteligente, um homem livre, na Nova York de 1840. A família pega uma charrete e se muda para outro lugar e Solomon seguirá o mesmo caminho, mas antes é convencido por dois homens que lhe prometem pagamento em troca de seus serviços - Solomon é talentoso, toca violino, e fora convidado para animar o circo dos dois homens. Naquela noite, ele janta com os dois, bebe demais e acorda acorrentado.

Na noite da "emboscada"

Solomon é, de novo, visto como escravo, passa a ser confundido com um tal de Platts que deveria estar ali. Quanto mais Solomon se diz um homem livre mais ele apanha. Com o passar dos dias ele percebe que seus esforços de contactar a família são inúteis.

Por engano entre os demais escravos

Passa por capatazes terríveis, mas revida sempre que pode. Em uma dessas cenas, Solomon toma o chicote de Tibeats (Paul Dano) e o açoita tanto e com tanta força a ponto de fazer Tibeats pedir desculpas à Solomon. Vendido à oura fazenda, ainda como escravo, Solomon se torna "propriedade" de Edwin Epps (o sempre ótimo Michael Fassbender).

Solomon e Tibeats

Lá, Solomon conhece Patsey (Lupita Nyong´o), uma escrava magra, frágil, mas forte como seu olhar. Patsey cai nas graças de Epps e é maltratada pela esposa dele por isso em um plano sequência assustador de quase 5 minutos dela sendo castigada em uma árvore.

A força no olhar

SPOILERS

Pouco depois Solomon pega confiança em Bass (Brad Pitt) e lhe conta toda a sua história. Bass leva adiante. O xerife aparece na fazenda para checar a história e leva Solomon embora em sua carroça, Epps protesta em vão. Na última cena do filme a redenção de Solomon, ele é levado à sua casa onde reencontra os filhos, a esposa e um neto que não conhecia. A única coisa que pede é perdão. Solomon Northup morreu pouco depois em 1853, mas conseguiu publicar seu livro contando a sua trágica história.

Bass (Pitt) ouve a história de Solomon e decide fazer algo a respeito


FIM DOS SPOILERS

São vários os acertos de Steve McQueen na direção. Não há sentimentalismo barato, ele não faz uso de trilha para conduzir à emoção, levar a platéia onde quer, não precisa. Tudo acontece de forma natural e fluída, sem flashbacks (tirando aquele pequeno do começo). É uma história forte e triste em sua essência.

O impiedoso Epps (Fassbender) e sua tortura psicológica sobre Solomon

12 Anos de Escravidão é aqueles filmes para engasgar com a pipoca no cinema, não é fácil, e merece todos os créditos de ótimo filme que realmente é. As atuações são precisas, assim como a condução firme. Tratar um assunto tão delicado sem apelações já é dar o devido respeito ao tema. E isso toda a equipe faz com maestria.
Veja abaixo o trailer de 12 Anos de Escravidão.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (1989)

O quarteto

SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Sex, Lies and Videotape / 1989) - Steven Soderbergh não era ninguém no mundo do cinema na metade dos anos oitenta. Mas em apenas oito dias ele mudaria isso. Esse período foi o que demorou para Soderbergh escrever de cabo a rabo o roteiro de Sexo, Mentiras e Videotape.

Soderbergh de boné em ação

O filme independente alcançou um sucesso jamais inesperado por ele ou mesmo pela Miramax, pequena distribuidora que se arriscou a distribuir o filme. Sexo, Mentiras e Videotape concorreu ao Oscar de melhor roteiro e o filme foi premiado ainda com a palma de ouro em Cannes. Nada mal hein?

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça 

A história é centralizada em quatro pessoas. Ann (Andie McDowell) vive um casamento distante com John, eles não mantém uma relação íntima há bastante tempo, como ela confirma para seu terapeuta. Por vezes - ela admite - John a procura por sexo, mas ela se nega.

Uma relação fria

John então vai à procura de Cynthia (Laura San Giacomo), irmã de Ann, que embarca nessa relação promíscua. Tudo ali é apenas carnal. Eles se ligam o tempo todo, apenas marcando sexo. John larga seu trabalho, inventa uma desculpa mas não perde uma oportunidade de sair para se encontrar com Cynthia.

Cynthia e o caso com o marido da irmã

A chegada do reservado Graham (James Spader) mexe com todos. Impotente assumido, ele se satisfaz gravando mulheres falando sobre as suas experiências sexuais, e guarda as fitas que levam os nomes de cada uma delas.

"Que tal se eu te gravar?"

Admito que me surpreendeu a forma como esse filme se tornou tão vitorioso nos festivais pelo mundo ou mesmo que ele tenha se tornado um dos independentes mais rentáveis do período, o que abriu caminho para muitos outros. Particularmente, achei Sexo, Mentiras e Videotape um pouco sonolento pela forma como Soderbergh conduziu a história e o roteiro previsível demais.

Relatos gravados

De bom destaco a atuação de Spader, sombria e misteriosa na medida. E depois mudando de tom quando a cena pedia isso, vale o destaque. No mais, nada demais, pelo menos não para tanto barulho.
Veja abaixo o trailer de Sexo, Mentiras e Videotape.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES (2016)

Dança e sapateado 

LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land / 2016) - Está aí um daqueles filmes que jamais será lembrado pelo título em português. Não que "Cantando Estações" seja horroroso, mas é que La La Land é tão mais forte e marcante. O título em português vem justamente do fato de o roteiro, criado por Damien Chazelle - novato de pouco mais de 30 anos - é contado através das estações do ano. Em cada uma delas uma paleta de cor, um ritmo de roteiro e uma motivação diferente entre os personagens principais. Cheio dos cuidados, La La Land é isso - um filme feito no capricho, em cada take.

Chazelle, à esquerda, de camiseta cinza

Isso reflete na tela. As cores saltam, vibram, a iluminação preenche os vazios e os fundos de cena são simplesmente maravilhosos. É tudo muito bem pensado, arquitetado até, com um cuidado poucas vezes visto recentemente. E todos esses elogios não são desnecessários, são puro mérito.

Tudo muito colorido e bem pensado

A história de La La Land é das mais simples. Garçonete (Emma Stone) e pianista (Ryan Gosling) tentam o sucesso em Hollywood. O sonho dos dois só os une mais, ficam mais fortes juntos. No meio de danças, sapateados, coreografias e muita música, La La Land conta a história de uma dupla se sonhadores.



O mais impressionante em La La Land - independente do enorme sucesso e das críticas positivas - é a beleza que se vê desde o primeiro minuto até o último. As músicas e as coreografias são muito bem feitas e digo sem medo, são felizmente curtas - digo isso porque faço parte do time que se irrita com musicais quando as cantorias interrompem a história. Aqui não acontece isso.

O desejo de ser nas telonas

Não vou contar como a história se desenvolve. E nem preciso. Primeiro porque não vale a pena - esse é o tipo de filme que tem que "pagar pra ver". E segundo que esse é daqueles que vale pela jornada e não apenas pela conclusão. Mas adianto que os minutos finais são de dar um nó na garganta.

Em poucos meses, Gosling aprendeu a tocar piano para o papel

Damien Chazelle, um "moleque" de apenas 32 anos, pode se sagrar o diretor mais jovem a levar uma estatueta pra casa, tudo graças ao seu amor pelo jazz e pelo cinema. No ótimo Whiplash ele já falava sobre esse amor pelo jazz e pela música e geral. Em La La Land ele foca acima de tudo no cinema. É acima de tudo, uma grande homenagem à sétima arte tendo referências à todo momento dos anos de ouro de Hollywood. Vale cada frame.
Veja abaixo o trailer de La La Land: Cantando Estações.