domingo, 20 de maio de 2018

O CORVO (1994)

O Corvo

O CORVO (The Crow / 1994) - A fama de um filme pode vir de muitas maneiras diferentes, mas nem sempre por uma coisa boa. Pode ser por um cartaz atrás de uma cortina - que alguém imaginou que seria um fantasma -, pode ser por uma cena de sexo forçada armado pelo ator e diretor e sem consentimento da atriz - e tantas e tantas maneiras diferentes. No caso do O Corvo a fama veio por uma tragédia.

Brandon Lee
A história, baseada numa HQ de muito sucesso do final da década de 80, gerou uma série de outras HQs, quatro filmes e até uma minissérie de TV. O personagem principal é Eric Draven, um integrante de uma banda de rock gótico que acaba sendo assassinado junto com a noiva depois de ter a casa invadida por uma gangue local.

A violenta gangue local

Eric é trazido do mundo dos mortos por um corvo e - mesmo morto - assume uma personalidade violenta ao buscar vingança contra cada um dos membros da tal gangue. No percurso ele conta com a ajuda de algumas pessoas que não se assustam com a presença de Eric, como um policial e uma garotinha que era sua amiga quando vivo.

A garotinha, amiga de Eric Draven

Basicamente o filme é isso. Mas a repercussão do filme só foi tão grande devido ao assassinato - por acidente - de Brandon Lee, ator que interpretava Eric. Em uma cena foram usadas balas de verdade ao invés das de festim. Brandon foi atingido e morreu aos 28 anos. A cena da morte foi destruída pelo estúdio, nada sobrou dela. Michael Massee, o ator que atirou e matou Brandon Lee, ficou anos afastado do cinema e acabou morrendo em 2016.

Massee, como Funboy

A tragédia de Brandon é a segunda na família. O pai, Bruce Lee, também morreu jovem e de forma estranha. A versão oficial diz que seu corpo rejeitou um medicamento para dor de cabeça que ele vinha tomando há algum tempo. Um edema cerebral foi diagnosticado e Bruce perdeu a vida aos 32 anos. Pela internet uma série de outras causas contrariam esta.

Bruce em seu último filme

A triste coincidência no destino de pai e filho marcou as duas carreiras e por consequência seus últimos filmes - Operação Dragão, no caso de Bruce, e O Corvo, no caso de Brandon. Várias cenas deste último tiveram que ser refilmadas, usando um dublê e computação gráfica, que apesar de não ser tão avançada quanto a de hoje, são de excelente qualidade. Ao assistir O Corvo é quase imperceptível quando Brandon está em cena ou quando ele é substituído por um dublê ou pela computação.
Difícil saber quando é dublê, computação ou o próprio Brandon
A cena inicial do filme - toda em flashback - foi uma maneira que os produtores encontraram para mascarar a cena real onde Brandon é assassinado. A tortura que a gangue promove no apartamento do casal substitui a outra, onde a sua noiva no filme, teria sido estuprada, culminando na morte do personagem e consequentemente do ator.

Brandon, ao meio, no set de O Corvo

Um triste fim para um ator que poderia ter uma carreira longa. Dizem até que ele estava cotado para interpretar Coringa em um filme do Batman.
Veja abaixo o trailer de O Corvo.
   

domingo, 13 de maio de 2018

CONSPIRAÇÃO E PODER (2015)

A verdade custe o que custar

CONSPIRAÇÃO E PODER (Truth / 2015) - George W. Bush é um presidente que mexeu com os ânimos dos norte americanos quando foi eleito e reeleito. O republicano era considerado incapaz de assumir o cargo por boa parte dos eleitores. Muitos afirmam que o seu QI sempre foi baixo. Michael Moore por exemplo sempre teve em George W. Bush o seu maior alvo. Conspiração e Poder segue o mesmo caminho.

Tapinhas nas costas 

A história real de Conspiração e Poder se passa em 2003, ano anterior à reeleição de George W. Bush. Mary Mapes (a sempre ótima Cate Blanchet), vive uma jornalista, produtora e editora do "60 Minutes", o jornalístico de maior credibilidade dos Estados Unidos. E reúne uma equipe para investigar um fato que mudaria a história daquela eleição - George W. Bush, ainda quando servia as Forças Armadas teria sido favorecido ao não se apresentar para o serviço por 1 ano e ainda ter "fugido" do Vietnã, onde deveria servir.

Mapes e Dan antes de gravar o 60 Minutes

Assim que Mapes colocou a história no programa especialistas apareceram na TV, internet e radio para dizer que tudo não passa de uma invenção da jornalista. Os documentos que comprovavam a história, segundo eles, eram falsos. Para evitar uma grita maior a CBS, emissora do "60 Minutes", resolveu desmanchar a equipe e evitar que eles continuassem com as investigações. Destaque para Robert Redford que vive Dan Rather, o apresentador experiente do noticiário e que é como um pai para Mapes. Respeitado e dono de marcas copiadas no telejornalismo norte americano.

Toda a equipe na sala de edição

Nesse ponto a história foca no drama de Mapes. A mulher durona desmorona quando a relação que antes era só profissional, passa a ser pessoal a partir do momento que a imprensa em geral passa a investigar tudo na sua vida, até mesmo suas crenças políticas. E chega finalmente ao pai dela, a sua maior ferida. Ele batia nela quando criança pelo simples fato de fazer muitas perguntas. O processo judicial se arrasta, mas não impede que George W. Bush vença a reeleição. Coube a Mapes escrever o livro "Truth and Duty: The Press, The President and the Privilege of Power" que originou o filme escrito e dirigido por James Vanderbilt. A sua estreia nas telonas.

O casal real e o fictício

Impossível não fazer comparações com Spotlight, o vencedor de Oscar de melhor filme em 2016. Lá a equipe está mais bem resolvida na história, dá pra acreditar naquela equipe. Aqui, nem tanto. Foca mais no drama de Mapes. Lá a vitória do jornalismo investigativo, aqui a derrota.

Repercussões negativas

Um filme sobre o poder do jornalismo investigativo, que não precisa surtir efeito - nesse caso Bush se reelegeu - mas é importante para mostrar que tem muita lama correndo por aí. E que essas histórias precisam chegar às pessoas. Mesmo depois de anos para saber que nem tudo o que é lido, escrito, publicado e mostrado na TV é verdade. Cada história tem muito mais do que apenas dois lados.
Veja abaixo o trailer de Conspiração e Poder.


sexta-feira, 11 de maio de 2018

GAROTA, INTERROMPIDA (1999)

Várias garotas interrompidas

GAROTA, INTERROMPIDA (Girl, Interrupted - 1999) - Susanna Kaysen é uma escritora de poucos livros. Até hoje, beirando os 70 anos, foram cinco publicados. O de maior sucesso é o único biográfico - Garota, Interrompida. O título é inspirado em uma pintura de 1660 que mostra uma garota incomodada por ter sido interrompida enquanto compunha uma canção ou lia uma partitura.

O quadro "Girl, Interrupted at her Music"

O livro de Kaysen fez bastante sucesso e pouco tempo após publicado, em 1993, teve os direitos adquiridos por Winona Ryder que produziu o longa metragem, lançado em 1999.

A autora da autobiografia que deu origem ao filme 

Winona interpreta a própria Kaysen, uma jovem deprimida e desconectada do mundo nos anos 60. Ela tenta se suicidar com uma mistura de vodca e comprimidos. Os pais, preocupados, internam Susanna numa casa de repouso. Mas ao chegar ela percebe que trata-se na verdade de um manicômio.

A chegada ao novo lar

O local só tem meninas - uma que botou fogo no próprio corpo, outra que fica ninando uma boneca como se fosse sua filha, outra que mente compulsivamente, outra que fica como estátua olhando pro vazio o tempo todo, etc. Susanna se assusta e afirma não pertencer aquele lugar. O quadro de enfermeiros, comandados por Valeria (Whoppi Goldberg) passa a fazer jogo duro. Algo como o vivido por Randle (Jack Nicholson) e a enfermeira Ratched (Louise Fletcher) em Um Estranho no Ninho.

Whoopi, a chefe dos enfermeiros

Susanna se assusta mais com Lisa (Angelina Jolie, simplesmente sensacional), uma interna com sérios distúrbios psicóticos. Ela é a líder das outras internas, não respeita as leis do lugar, e tem um olhar simplesmente insano. Poucas veze Jolie esteve tão bem em uma personagem, não é à toa que a atriz levou o Globo de Ouro e o Oscar pela atuação.

Jolie magistral...

... e com a merecida estatueta pela criação de Lisa

Aos poucos Susanna se acostuma com o lugar, mesmo tendo pouco contato com o mundo externo e com a companhia das demais internas. O namorado dela, vivido por Jared Leto, tenta levá-la embora, mas ela recusa e diz pertencer àquele lugar.

Leto e Ryder

Diagnosticada com transtorno de personalidade, Susanna evolui no tratamento apenas quando fica distante de Lisa, o que acaba acontecendo com frequência quando a interna violenta dá as suas escapadas, ficando semanas fora. Nesse período, Susanna se entrega à escrita, dedicando seu tempo à escrever suas memórias, que depois viraria o livro.

Lisa e outras internas

Garota, Interrompida, dirigido por James Mangold - o mesmo de Johnny e June e Identidade - é ótimo. O diretor soube encontrar o limite do dia a dia de um hospital psiquiátrico, sem cair em caricaturas. Grande parte ao excelente trabalho das jovens atrizes, como Brittany Murphy e Clea DuVal, por exemplo. Mas o destaque, acima de tudo, é para Angelina Jolie, que repito, está incrível no papel de Lisa. Daquelas interpretações que valem o filme.

Brittany Murphy 
Veja abaixo o trailer de Garota, Interrompida

terça-feira, 8 de maio de 2018

AMANTE A DOMICÍLIO (2013)

O cafetão e o Don Juan

AMANTE A DOMICÍLIO (Fading Gigolo / 2013) - Como uma homenagem à Woody Allen. É o jeito, e talvez o único, de se analisar Amante a Domicílio. O filme respira Woody em todas as cenas. Desde o ambiente - Nova York -, passando pela trilha sonora - com jazz e músicas similares o tempo todo - e fechando, é claro, no confronto de religiões - tendo os judeus como principal alvo. Está tudo aí, só se inverteram as cadeiras. Em Amante a Domicílio Woody assumiu a posição de mero ator, John Turturro assinou o roteiro e a direção, aqui a sua quarta.

Turturro em ação

Os amigos de longa data Fiovarante (Turturro) e Moore (Allen) estão à procura de algo novo para o primeiro fazer já que a livraria da família em que trabalha será fechada e o atual emprego como floriculturista não lhe dá perspectivas melhores. Moore volta com a ideia perfeita, sugere se tornar um cafetão do solteiraço Fiovarante.

Em Allen alguns alívios cômicos da trama

O primeiro programa acontece com a dermatologista de Moore, vivida pela sempre linda Sharon Stone. O sucesso é grande, o dinheiro entra fácil. Então Moore faz o mesmo com as colegas dela e o negócio de cafetão acaba prosperando.

Mais uma cliente

Isso até ele se apaixonar por uma das suas clientes - uma judia ortodoxa que não era tocada por um homem desde a morte do marido. Fioravante fica tão mexido com aquilo que não consegue mais realizar o "serviço". Aí o negócio acaba.

A paixão de Fioravante

Clichês atrás de clichês... mas os problemas de Amante a Domicílio nem são só esses. Primeiro a começar por Turturro que, vamos combinar, não passa por amante profissional em nenhum lugar do planeta. Ainda mais quando arrebata clientes como Sharon Stone e Sofia Vergara. É uma baita forçação de barra aí.

A dupla que se atira sobre Fioravante

O roteiro de Turturro, que assina também a direção, poderia ser bem mais desafiador. O tom de comédia romântica fácil sobrevoa o filme todo e até passa um certo ar de preguiça. Pô, não custava nada pedir ajuda para Allen, que é um mestre dos roteiros. Allen por sinal não é ator, mas seu Moore melhora depois de um começo inseguro nas primeiras cenas. É bom - para quem é fã - ver um Allen assim fazendo algo diferente do seu usual. Aqui ele não é apenas o cara inseguro, ele também faz papel de tiozão jogando beisebol no parque com uma criançada, por exemplo.


Diálogos nada inspirados

Turturro tentou mas não chegou nem perto das comédias de Allen. Faltou texto basicamente. Seria tão melhor se a dupla protagonista não fosse levada a sério pelas mulheres. Faria mais sentido. Mas não, tudo é levado muito a sério e aí... nada. Veja abaixo o trailer de Amante à Domicílio.


sexta-feira, 27 de abril de 2018

BOI NEON (2015)

Um vaqueiro com a cabeça lá longe

BOI NEON (2015) - Gabriel Mascaro está tentando cavar seu espaço no cinema nacional. O jovem pernambucano se especializou em documentários desde 2008 e acabou na ficção, mas não abandonou o passado. Muitas das cenas de Boi Neon - seu segundo longa de ficção e de longe seu filme mais premiado - são documentais. Chegou a levar até o prêmio de melhor filme no Festival do Rio. O auge? Mascaro foi eleito o melhor diretor por Boi Neon em um festival de Marrocos e recebeu a estatueta das mãos de Francis Ford Coppola. Bom começo hein?

Mascaro recebendo prêmio das mãos de Coppola...
...e ostentando o troféu

Boi Neon conta a história de uma equipe que vive peregrinando no sertão de Pernambuco promovendo vaquejadas, festival muito popular em vários estados brasileiros onde uma das principais atrações é o momento em que dois cavaleiros derrubam um boi segurando-o pelo rabo. Iremar (Juliano Cazarré) é um dos vaqueiros que preparam os bois antes de entrar na arena.

Um abraço no sertão

Galega, mecânica e motorista de caminhão, é a única mulher adulta por ali. A sua filha Cacá também enfrenta o dia a dia naquele meio, embora viva de mau humor característico da pré adolescência. O pai dela abandonou a família e agora a criança fica colada à mãe ajudando na vaquejada.

Galega

Iremar de vez em quando, segue pro lixão da cidade recolhendo roupas, acessórios e até manequins. Tudo para ajudá-lo no seu maior sonho - se tornar estilista. Ele pega as revistas de mulher pelada de um amigo vaqueiro e lá desenha seus modelitos. O sonho de mudar de vida fica difícil com a rotina puxada. Mas ele acaba por se envolver com uma segurança de uma fábrica de tecidos e consegue entrar lá para conhecer o espaço. E... fim.

O envolvimento do vaqueiro com uma vendedora de perfume

Pois é, Boi Neon pode ser premiado aqui e acolá, mas sofre de um grave problema - falta de história. Nada acontece. Os personagens não vão a lugar nenhum, apenas andam de lado e o filme, com isso, rasteja. As cenas de vaquejada, dos bois em preparo, da região toda de seca nordestina... claro, tudo é muito bonito, mas cinema não é só imagem, tem que ter roteiro e faltou aqui. E pior. Mascaro achou que seria interessante colocar umas cenas intensas de sexo e nudez sem cortes. Algo que não acrescenta absolutamente nada pra história e só atrasa o filme.

Cena longa e, para a trama, desnecessária

O que mais chama a atenção em Boi Neon é o fato de em um ambiente praticamente todo masculino um homem querer sair dali para fazer seu sonho se tornar realidade. Mas em nenhum momento, ele parece mesmo lutar por aquilo, parece mais na base do "se rolar rolou".

Iremar e seu sonho de ser estilista

O filme nem chega perto de discutir essa escolha ou de pelo menos mostrar o personagem caminhando na sua decisão... nada. As fraquíssimas motivações de cada personagem caminham a passos de formiga e chegam no final do longa exatamente no mesmo lugar que começaram. Um desperdício enorme de um bom argumento. Pena.
Veja abaixo o trailer de Boi Neon
  

terça-feira, 24 de abril de 2018

PATTON - REBELDE OU HERÓI? (1970)

Motivo de orgulho ou uma pedra no sapato?

PATTON - REBELDE OU HERÓI? (Patton / 1970) - Reconhecidamente um rebelde. De opiniões fortes e avesso à aparições públicas. Não media as próprias palavras, gostava de beber - se envolvendo inclusive em algumas brigas por conta disso. Em suma, era um cara difícil. Mas de muito talento. Tudo isso serviria para descrever George, seja Patton - o famoso líder do exército norte americano na segunda guerra mundial - ou C. Scott, o ator. Talvez por isso Scott tenha sido a escolha perfeita para encarnar o papel título do clássico filme de 1970.

O verdadeiro Patton

O roteiro, escrito por Francis Ford Coppola, venceu o Oscar. Uma das sete estatuetas que o filme levou, além de diretor para Franklin Schaffner e melhor filme. E claro, a de melhor ator para George C. Scott, mas o rebelde ator se recusou a receber o prêmio por achar que ele transforma os atores em "mercado de carne", enquadrando-os como em um molde. Abaixo o momento em que um representante do estúdio recebeu a estatueta no lugar de Scott na premiação em 1971.


Patton começa de cara com a clássica cena do general discursando com uma enorme bandeira dos Estados Unidos no fundo. Ele fala direto ao seus comandados que estão prestes a se lançar em solo europeu durante a segunda guerra mundial, mas os soldados nunca são mostrados. De cara percebemos que o general é pra lá de linha dura.

Linha dura 

A trajetória de Patton no exército é uma reta ascendente. Seus pensamentos conservadores e nacionalistas guiam seus ideais e o fazem atropelar todos os mandos e desmandos que recebe, e quase sempre se provam escolhas certas que o levam ao sucesso. Sua companhia - o terceiro exército - avança contra todas as condições contrárias graças a mão de ferro do comandante irredutível e boca dura.

Repeitado e odiado, mesmo entre os colegas de alta patente

Só que Patton também enfrenta problemas, principalmente quando as suas atitudes passam a desagradar os altos comandos do exército. Para eles, a instabilidade emocional de Patton traz mais prejuízos do que benesses, como na cena em que ao invadir a Itália ele se vê preso numa ponte com um morador da região e seus dois burros bloqueando a passagem. Patton tira a arma do coldre, mata os animais e os joga ponte abaixo para que seus homens prossigam viagem.

Lendas dizem que os animais foram mortos de verdade para fazer a tal cena

Nesse ponto o sub-título brasileiro é muito feliz - o cara é um rebelde, mas também um herói e durante todo o filme ficamos nos perguntando em qual momento teremos certeza de qual das características se aplica mais a Patton. Pois é... nenhuma. Ele foi um herói de guerra lutando pelos ideais em que acreditava, mas foi um rebelde que causou inúmeras mortes no jogo sangrento da guerra.

Presença Intimidadora

Patton foi tão vilão e assassino quanto qualquer outro, não importa o quão diferente o nacionalista filme de Schaffner tente fazer ele parecer. Patton fez sucesso entre o público mais conservador, como os velhinhos da Academia que viram na derrocada de Hitler o ponto decisivo na "vitoriosa" campanha militar do general norte americano. Mas boa parte do público naquele final dos anos 60 e começo dos 70, não caía mais de gaiato naquele discurso pró-guerra.

Um discurso pró-guerra que não caiu muito bem naquele período

Ficam as boas cenas de guerra com uma quantidade absurda de figurantes e material cenográfico, além de efeitos práticos que só dão valor ao filme. Sem falar na interpretação de Scott, que não apenas o transformou no exemplo do típico militar durão - assim como R. Lee Ermey depois de Nascido para Matar - mas que levou Scott ao panteão dos grandes atores de Hollywood. Pena que ele não queria nada disso...
Veja abaixo o trailer de Patton - Rebelde ou Herói? 


sexta-feira, 13 de abril de 2018

TERRA DE NINGUÉM (1974)

Amor acima de tudo

TERRA DE NINGUÉM (Badlands / 1974) - A estreia. Em todos os sentidos. Terrence Malick escreveu, produziu, dirigiu e atuou em Terra de Ninguém pela primeira vez. Ele tinha 30 anos de idade e já mostrava ali algumas marcas que levaria pra sempre - o questionamento sobre o estado das coisas, os momentos filosóficos de repensar a própria existência e importância no mundo.

Malick não só dirige como tem um papel relevante no filme

A ideia para o roteiro de Terra de Ninguém Malick tirou da vida real - a história é baseada na vida e morte de Charles Steakweather que matava sem critério apelas pelo próprio prazer. Entre o final de 1958 e o comecinho de 1959 ele matou 11 pessoas que cruzaram o seu caminho, inclusive toda a família da namorada, que continuou ao lado dele mesmo depois da matança. Steakweather foi condenado à cadeira elétrica aos 20 anos e baseou, além de Terra de Ninguém, o rapaz do casal protagonista de Assassinos por Natureza.

Kit

Kit (o estreante na telona Martin Sheen, que faria no final daquela década Apocalipse Now), trabalha como lixeiro em uma cidade perdida no meio-oeste dos Estados Unidos. Acaba sendo demitido pelo seu jeitão largado e despreocupado demais. Lembra James Dean. E é isso que chama atenção de Holly (a também estreante Sissy Spacek, que estrelaria pouco tempo depois Carrie - A Estranha) que se interessa pouco a pouco pelo rapaz.

A solitária Holly

O casal começa a se conhecer melhor - ele boca dura, decidido do que quer e ela, menina ainda, tipicamente interiorana, simples e que acaba realizando tudo o que Kit quer. O que irrita o pai da moça. Mas isso não é problema para Kit, que quando vai confrontar o velho depois que ele impediu os dois de se verem, o jovem simplesmente saca uma arma e dispara contra o pai da namorada, que cai morto no chão. Ele bota fogo na casa e foge com Holly, que aceita tudo com estranha passividade.

Em chamas a velha vida fica pra trás

Sem destino certo, o casal pega a estrada e no caminho mata qualquer um que atrapalhe a jornada, sem dó. Holly assiste enquanto Kit executa. Ela não parece entender em nenhum momento tudo o que aquilo representa. Ao todo são cerca de 10 mortes até que a polícia finalmente consegue colocar as mãos no casal.

Matar... uma banalidade pro casal

Durante a jornada de Terra de Ninguém a narração que se ouve é de Holly, o tempo todo, como se tivesse nos contando a história. Tudo no tempo passado, como uma vaga lembrança dela. E ali nada de julgamento sobre as atitudes frias e impiedosas do namorado. Chocam a destreza e a frieza de Kit, que acaba condenado à cadeira elétrica, assim como Steakweather foi na vida real.

O refúgio antes da captura

Uma estreia consistente de Terrence Malick, que fez uma ponta no filme. E em alguns momentos temos aqui aquelas discussões existenciais que Malick tanto gosta como fez em trechos de Além da Linha Vermelha e durante todo o Árvore da Vida.

Vidas violentas e questões existencialistas

Veja abaixo o trailer de Terra de Ninguém.