terça-feira, 23 de maio de 2017

CAPITÃO FANTÁSTICO (2016)

Uma família que parece tirada de um filme do Wes Anderson

CAPITÃO FANTÁSTICO (Captain Fantastic / 2016) - Nome de filme de super herói, mas nada poderia ser mais distante. A história não é baseada num livro, apenas numa ideia que o roteirista e diretor Matt Ross teve assim que se tornou pai. Ele pensou como seria se os pais pudessem criar os filhos num ambiente perfeito dentro da própria realidade, fazendo com que as principais influências deles fossem as dos próprios pais. Daí surgiu a ideia para Capitão Fantástico.

O treinamento

Ben (Viggo Mortensen, que concorreu ao Oscar por este trabalho) vive no meio da floresta com todos os seis filhos, que variam de idade entre 6 e 18 anos. Lá, eles caçam a própria comida, tomam banho na cachoeira, escalam montanhas e enfrentam a verdadeira vida selvagem. Nas datas comemorativas ganham facas de caça e a usam com toda a destreza. Ali há pouco espaço para brincadeiras, durante a infância todos eles treinam como um verdadeiro exército.

As crianças

As crianças são muito bem desenvolvidas, tanto física como intelectualmente. Dentro do ônibus e das suas pequenas casas na floresta elas tem centenas de livros de pensadores, matemáticos, filósofos. E é por eles que as crianças aprendem tudo o que sabem. Por isso mesmo as menores são capazes de citar trechos longos de obras importantes e até mesmo discutir sobre qualquer assunto. Embora falte a elas - e o filme escancara isso muito bem - o contato com outras pessoas.    

Ler livros é uma das poucas opções de lazer por ali
    
A escolha de viver ali, afastado de um grande centro urbano, foi dos pais, eles queriam criar os filhos com nenhuma relação com outros humanos. Mas Ben decide voltar com as crianças para a cidade para se despedir da mãe, que acaba de cometer suicídio. E eles encontram no avô materno Jack (Frank Langella) a resistência que evitaram durante todos os anos vivendo reclusos. Ele quer enterrar a própria filha, enquanto Ben quer cremá-la, pedido que a esposa havia lhe feito.

A entrada triunfal durante o funeral da mãe

Os pequenos sofrem porque vêm o pai perdendo a batalha para o avô - rico, bem sucedido e com uma casa cheia de luxo - o que explica em parte o porque da filha ter largado a vida de dinheiro farto por outra simples e pura no meio da floresta. 

Avós maternos

Matt escolhe focar excessivamente na relação do pai com o avô deixando as crianças no meio, como um cabo de guerra. Teria sido mais interessante dividir o protagonismo a partir desse ponto, com as crianças. Como elas enfrentaram essa chegada à sociedade, como elas vêm o mundo com toda a tecnologia, e a relação com possíveis amigos e namorados ou namoradas. O filme aborda isso de uma forma muito leve, passa por cima e atropela.

Foca pouco em algumas questões importantes

A boa discussão que o Matt intencionava levantar no começo do projeto se perde ao longo do filme, principalmente por dois personagens irredutíveis e egoístas, que no fundo só prejudicam as crianças. Um pai que pensa em criar os filhos para ele e não para o mundo e um avô que quer abraçá-los julgando que o que o pai decide está errado. Um pior que o outro.  
Veja abaixo o trailer de Capitão Fantástico.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA (2015)

Mais um personagem excêntrico na galeria de Johnny Depp

MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA (Mortdecai / 2015) - Sabe aquele tio que faz sempre aquela pegadinha de tocar no seu ombro e se esconder ou ainda que manda sempre aquele "é pavê ou pra comer?" A gente sempre ri por educação sem conseguir esconder o incômodo ao pensar bem no fundo "meu Deus, esse cara não muda?" Pois é, Johnny Depp está se tornando esse tiozão. Ele está arrastando Jack Sparrow pro resto da vida.

Mudam as roupas, mas não os trejeitos

Mortdecai (Depp) é um colecionador de arte destacado para descobrir o paradeiro de uma pintura de Goya que foi roubada após um assassinato suspeito. Ele é todo excêntrico e ostenta um bigode diferentão, algo que os seus antepassados já ostentavam. Cheio de caras, bocas, gestos Mortdecai não vai à lugar nenhum sem Jock, o seu braço direito sempre pronto para salvar a pele do chefe, mesmo que para isso tenha que levar um tiro.

O braço direito

O Inspetor Mortland (Ewan McGregor) acompanha à distância o caso do roubo da pintura, ao mesmo tempo em que nutre um sentimento profundo por Johanna (Gwyneth Paltrow), a esposa de Mortdecai. Ele tenta à todo custo conquistá-la e ela retribui com charminho.

Ela joga o charme e ele tenta roubar a esposa do outro

A pintura viajou pra todo canto e caiu nas mãos de outro colecionador de artes, Krampf (Jeff Goldblum), tão excêntrico quanto Mortdecai. A pintura - que teria na parte de trás o código de uma conta bancária nazista recheada de dinheiro - é disputado em um duelo de espadas entre Mortdecai e um ladrão de obras de arte.

Outro ricaço colecionador de artes

O filme é chato. Simples assim. Cheio de atores estrelados e com um visual apurado e colorido, mas sem recheio. Falta estofo para Mortdecai assim como outros filmes dirigidos por David Koepp como A Janela Secreta e Perigo por Encomenda. Todos atuam aqui meio que no automático, e Depp (meu Deus...), está péssimo, exagerado e irritante com os trejeitos nada originais.
Veja abaixo o trailer de Mortdecai - A Arte da Trapaça.


domingo, 14 de maio de 2017

MORANGOS SILVESTRES (1957)

Um lugar onde o tempo é relativo

MORANGOS SILVESTRES (Smultronstället / Wild Strawberries - 1957) - Ousado, inovador, surpreendente. Faltam elogios para Morangos Silvestres, filme essencial na carreira de um não menos essencial Ingmar Bergman. O diretor sueco, que dirigiu até os 89 anos de vida, criou obras duras, complexas, mas acima de tudo belas peças do mais refinado cinema. Bergman tem um pé na filosofia e em questões existencialistas, temas que dominaram os mais de cinquenta filmes, entre cinema e televisão.

Bergman, de boina, em ação

Morangos Silvestres é um estudo otimista sobre a relação do ser humano com o seu próprio passado e a morte. Isak é um professor aposentado, viúvo que vive com a cuidadora e que mantém uma relação distante com o único filho. Não tem netos.

Um homem em profunda avaliação da própria vida

Ele sonha com a morte com frequência nos últimos tempos. Um destes sonhos é mostrado em detalhes - Isak anda por uma cidade abandonada e completamente silenciosa. As janelas estão lacradas e as portas fechadas. Uma figura aparece de costas para ele. Isak se aproxima e a figura não se mexe. Quando ele a toca, a figura estranha cai no chão escorrendo sangue. Depois aparece uma carruagem e uns cavalos, eles trazem um caixão. O caixão cai e dentro aparece o próprio Isak olhando para si. Isak acorda refletindo sobre tudo aquilo.

Fragmentos de um pesadelo

O professor vai receber uma homenagem pelos 50 anos de profissão em uma cidade próxima. E decide então fazer a viagem de carro. A nora Marianne vai junto. No caminho eles param em uma casa de campo onde Isak passou a infância. Enquanto caminha pelo terreno, passado e presente se fundem, as lembranças ganham vida, caminham junto dele, ao lado dele. Isak passa a ser espectador de acontecimentos que marcaram a sua vida. No terreno plantava-se morangos silvestres, daí o nome do longa.

Na visita, o passado toma vida

Presente e passado vão se revezando no comando da história, mas nunca de forma didática, simples de engolir. Bergman nos cutuca, nos instiga, nos convida a pensar, a compreender os dilemas da história. Isak ainda está cheio de vida embora esteja no final dela e ele decide então não sofrer por isso. Admite só conseguir descansar direito por entregar seus pensamentos sempre à lembranças do passado.
Veja abaixo o trailer de Morango Silvestres.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

GUARDIÕES DA GALÁXIA - VOL. 2 (2017)

Guardiões

GUARDIÕES DA GALÁXIA - VOL. 2 (Guardians of the Galaxy - Vol. 2 / 2017) - Não é a primeira vez e nem será a última que este fenômeno acontece - os caras pegam uma fórmula que deu certo, e espremem, espremem até não poder mais. Essa união improvável de heróis das mais diversas espécies nasceu numa HQ nos anos 60. Os personagens foram repaginados em 2008 e viraram filme. Em 2014 saiu o primeiro, foi bem, fez grana. E agora três anos depois, assistimos o segundo, que exibe os mesmos méritos e claro, os mesmos defeitos.

Batalhas espaciais

A história se apóia na busca de Star-Lord (Chris Pratt) por seu passado. Até que ele encontra o pai, interpretado por Kurt Russell, um deus celestial que segue de planeta em planeta criando vida. O planeta onde ele mora é bonito, colorido, arborizado e todo perfeito. À princípio.

Os Guardiões e alguns intrusos

No mais os personagens principais se separam em arcos. Drax fica no planeta perfeito. Já Yondu, Rocket e Groot acabam nas mãos de prisioneiros do espaço, uma espécie de caçadores de recompensas ou piratas do espaço, algo do tipo.

Yondu e Rocket

Nebulosa e Gamorra, as irmãs que vivem brigando, formam outro arco do filme. Nebulosa é uma andróide, já que teve boa parte do corpo substituída por peças de robô, como represália do pai - o todo poderoso Thanos - por ter perdido as brigas com Gamorra. As personagens são interessantes e fazem dessa a porção mais interessante do filme.

As irmãs brigando mais uma vez

No mais - sem brincadeira - o filme é uma piada só. Literalmente. O cinema gargalhava, ria alto. Afinal, qual o propósito da Marvel com Guardiões da Galáxia? É fazer um filme de super herói ou uma comédia? Ou pior, uma paródia escrachada.

Baby Groot indeciso

Uma coisa é fazer um filme de super herói leve, bem humorado, com piadas pontuais e que fazem sentido. E cito aí Vingadores, Homem Formiga e Deadpool, que de longe é o mais "engraçadão" de todos. Mas... nesses casos cabe, entende?

Kurt Russel como Ego

Mas aqui em Guardiões da Galáxia - vol. 2 a comédia é forçada, exagerada e diria até fora de tom. Os caras não podem quebrar o clímax de uma cena com humorzinho de colégio. Como um herói que se transforma em pacman no meio da batalha mais importante do filme. E nem venha me dizer que "cabe no personagem" ou sei lá mais o quê. Isso é ruim, não tem propósito, e tira o espectador da ação, brochante mesmo.

Chrisd Pratt, de volta como Star-Lord
Veja abaixo o trailer de Guardiões da Galáxia - vol. 2:



sexta-feira, 5 de maio de 2017

O ÓDIO (1995)

O retrato da juventude da periferia francesa

O ÓDIO (Le Haine / 1995) - Paris, a cidade luz. Berço de nomes imortais das mais diversas artes. Local romântico com restaurantes às margens do Sena. Galerias, bibliotecas, catedrais, cafés charmosos, além é claro da Torre Eiffel. Tudo o que qualquer turista sempre espera encontrar quando vai pra Paris é o que menos se encontra aqui em O Ódio, o longa metragem que lançou o nome do diretor Mathieu Kassovitz no mundo do cinema.

Reunião de elenco e o diretor, de blusa preta 

Kassovitz também é ator. De nome talvez não seja tão fácil de reconhecê-lo, mas o diretor de O Ódio interpretou Nino, o estranho namorado da não menos estranha Amelie Poulain. Lembra dele?

Kassovitz em primeiro plano

Em O Ódio a cidade luz nunca foi tão cinza, ela é toda retratada em PB. E não é à toa. O filme acompanha a trajetória de três amigos do subúrbio francês - Vincent, Hubert e Said. Eles vivem num mundo cercado de drogas, violência e falta total de perspectiva. As rodas de jovens passam o dia sentados, conversando e arrumando confusão. Principalmente com a polícia.

Esqueça aquela Paris romântica

A polícia por sinal sempre trata os moradores dessas regiões de forma truculenta, principalmente os jovens, que não precisam de grandes motivos para iniciar uma confusão. E foi numa dessas confusões que eles feriram seriamente Abdel, outo jovem local, que acaba em coma no hospital.

O trio pelas ruas da cidade cinza

Vincent está decidido a matar um policial caso Abel morra no hospital. E para isso ele mostra aos amigos uma arma de um policial que ele achou por acaso. Daí pra frente ele carrega essa arma para todo lugar, embora isso desperte o desprezo, principalmente de Hubert, que profere a famosa frase que dá título ao filme "ódio gera ódio". Eles seguem para Paris para cobrar uma dívida e acabam se metendo em mais confusão com outras gangues e uma turma de skinheads. Chegam ao subúrbio na manhã e uma surpresa põe um fim abrupto à aventura e ao filme.

Cassel, em um dos seus primeiros filmes

Por O Ódio, Kassovitz levou a Palma de Ouro e reconhecimento mundial. Chegou a ser comparado com Spike Lee que havia lançado um filme de temática muito parecida - Faça a Coisa Certa - seis anos antes.

Periferia francesa, outro personagem do filme

O filme é enxuto - tem pouco menos de uma hora e meia - e tão cru que nem deixa espaço pra pensar. É aí que o discurso direto sem qualquer rodeio ganha ainda mais força. A interpretação explosiva, principalmente de Vincent Cassel, que fazia ali a sua estréia no grande cinema, dão um ar ainda maior de realidade ao filme que cobre de cinza a cidade luz.
Veja abaixo o trailer de O Ódio


terça-feira, 2 de maio de 2017

INTRIGA INTERNACIONAL (1959)

A clássica cena da fuga 

INTRIGA INTERNACIONAL (North by Northwest / 1959) - Uma das mentes mais brilhantes do cinema desde os tempos do filme mudo, Alfred Hitchcock já tinha entregado longas do calibre de Rebecca: a Mulher Inesquecível, Festim Diabólico, Disque M para Matar e Janela Indiscreta. E estava às portas de fazer Psicose e Pássaros quando lançou Intriga Internacional.

Hitchcock aparecido, explica o próprio filme...
...e claro, faz sua aparição no longa

Um publicitário (Cary Grant) Roger Thornhill chega para um almoço em um hotel no alto das montanhas e acaba levado por dois capangas que o confundem com um espião. O chamam de George Kaplan. Sequestrado, Thornhill é conduzido a uma mansão, onde passa a ser interrogado. Irritado, ele nada entende e só pede explicações.

Roger se escondendo

Decidem embriagá-lo e dar um carro nas suas mãos para que ele sofra um acidente no caminho de volta. Thornhill consegue controlar o carro e escapa ileso. Mas tem um objetivo - descobrir porque o estão confundindo com Kaplan e outra para quê?

Ele não é George Kaplan!

Uma trama de troca de identidades, com aquele charme todo especial da década de cinquenta e um final que se passa no Monte Rushmore que era novinho, tinha pouco mais de trinta anos de existência.

Um dos primeiros filmes a usar o Monte Rushmore como cenário

Veja abaixo o trailer de Intriga Internacional.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

CAROL (2015)

Uma mulher decidida

CAROL (2015) - Uma novidade na carreira de Cate Blanchett. Ela agora também é produtora executiva. E Carol é sua primeira contribuição nessa nova função. A diva tem uma carreira vencedora. O mais recente reconhecimento do seu inegável talento veio com Blue Jasmine, de Woody Allen de 2013, quando ela arrebatou simplesmente o Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz. Conquistas inquestionáveis, reconhecidos até mesmo por suas concorrentes.

Um prêmio mais do que merecido

Blanchett vive Carol, um mulher casada, mãe de uma criança de uns 4 anos e que se descobre homossexual na conservadora década de 50. O marido descobre o segredo da esposa e tenta convencê-la do contrário. Sem sucesso, ele pede divórcio.

Um casal que deixou de ser

Carol vê em Therese, uma jovem vendedora de uma loja de departamentos, algo especial. E as duas se aproximam, se tornam amigas e começam a ficar mais íntimas. Alguns encontros depois as duas já estão se relacionando mais sério e combinam de viajar juntas durante as festas de final de ano.

A paixão de uma e a fascinação da outra

O marido, que já desconfiava que Carol não o amava quanto antes, quer proibir a ex-esposa de ter acesso a filha e coloca um detetive no encalço dela para pegar em flagrante a "relação imoral" - como ele chama. Ele consegue provas da relação homossexual da ex-esposa e um juiz proíbe Carol de ver a filha. Desesperada, Carol foge e Therese, perdida, volta pra casa.

Um final triste nada surpreendente

Um final triste para um filme triste. Mas não é só isso, ele também é lento e arrastado demais. Ele segue o ritmo de atuação de Blanchett, com gestos suaves e pouco inspirados.

Uma rara Blanchett sem inspiração em Carol

Mas o principal problema de Carol está no elemento que deveria dar força ao filme, a história de amor. Em nenhum momento sentimos verdade na relação das duas, como na relação entre os personagens de O Segredo de Brokeback Mountain e Azul é a Cor Mais Quente, por exemplo. Em Carol, o sentimento é imposto, surge do nada.

Para Therese resta a fuga

Therese mais parece vítima do desejo da Carol do que uma amante disposta a tudo para lutar pelo seu sentimento. O amor delas é raso demais e para embarcar numa história como a que o filme propõe o primeiro passo é acreditar no amor. E aqui isso não acontece, definitivamente.
Veja abaixo o trailer de Carol.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

VÍCIO INERENTE (2014)

Paz e amor (ou quase) 

VÍCIO INERENTE (Inherent Vice / 2014) - Um diretor de primeiro nível. Se não for está perto disso. Paul Thomas Anderson já foi diversas vezes indicado pros principais prêmios do cinema, embora nunca tenha arrebatado nenhum. Foram 6 indicações aos Oscar por exemplo, 4 delas de roteiro. E nos seus filmes ele sempre consegue contar históricas intrincadas com elencos estrelados e com um resultado sempre muito bom, como em Boogie Nights, Magnolia, Sangue Negro. Embora ele tenha alguns tropeços, como em O Mestre e este Vício Inerente.

Equipe filmando Joaquin Phoenix

A história, adaptada do livro de mesmo nome, se passa na Los Angeles dos anos 70. Doc (Joaquin Phoenix) é um detetive particular que recebe a visita de Shasta, ex-namorada que estava sumida há um tempo. Ela pede à ela que ajude a encontrar o paradeiro de um ricaço do ramo imobiliário, Michael Wolfmann, que está envolvido em alguns esquemas obscuros. No dia seguinte ele recebe a visita de um outro cara que pede a busca por um amigo que também está desaparecido e também tem ligações com Michael.

Shasta, a bela ex-namorada de Doc

Doc está sempre chapado de todos os tipos de droga que aparecem na frente dele - de maconha à ácido, passando por cocaína e LCD. O visual de Phoenix, a barba por fazer e o cabelão ajudam na composição do personagem, mas é irritante, sempre com quele "olho de Garfield" e aquela voz molenga.

Nem Doc sabe em que mundo está

No oposto disso está o chefe da polícia, Bigfoot (Josh Brolin). Sujeito quadradão, de voz dura, olhar marcante que nutre particular ódio por Doc e sua forma de trabalhar. Mas como os dois estão teoricamente do mesmo lado da lei, Bigfoot não pode fazer nada com Doc. Só tirá-lo do caminho sempre que possível e usando a força bruta.

Opostos em tudo

Os dois - cada um usando as ferramentas que possuem - seguem nas buscas pelos desaparecidos. Doc encontra um deles numa seita estranha de pessoas com roupa branca. Coy (Owen Wilson) está lá. Nesse meio tempo, Doc leva umas alfinetadas de Penny Kimball (Reese Whiterspoon, com quem Phoenix tem uma química toda especial).

Revivendo os tempos de Johnny e June

Benicio Del Toro, como advogado de Doc e Martin Short, como um dentista viciado, fecham as participações especiais em Vício Inerente. De certa forma, eles ajudam Doc na busca para desvendar não apenas os desaparecimentos daquelas pessoas, mas para descobrir no que elas estão envolvidas - uma busca que começa pequena e termina gigante.

O advogado de Doc lhe dá conselhos

Complicado, né? Vício Inerente é um nome ótimo para um livro aclamado pela crítica. Mas no todo, o filme é fraco. Merece a indicação pro Oscar de roteiro na medida em que a adaptação de uma obra literária como esta - indicada pelos especialistas como das mais complexas do autor - tem lá suas dificuldades. E são grandes.

Martin Short em curta participação

Com filme não convence. É chato, arrastado, longo e cheio de personagens chapados o tempo todo. A trama de muitos personagens e situações é confusa e não funciona. Talvez seja um ótimo livro mas no formato de filme não funciona. Uma derrapada de Paul Thomas Anderson.

Owen Wilson

Veja abaixo o trailer de Vício Inerente.