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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ASAS DO DESEJO (1987)

Anjos sobre Berlim

ASAS DO DESEJO (Wings of Desire / 1987) - Uma boa ideia vale um filme. E a de Asas do Desejo é ótima - a humanidade é vigiada o tempo todo por anjos invisíveis, que nos ajudam, nos confortam, nos guiam. O filme alemão, quase todo em PB, tem muito mais do que aquela pegada de filme de arte, vai além disso. Muito graças à Wim Wenders, um dos diretores mais importantes do chamado Novo Cinema Alemão, surgido nas décadas de 60 e 70 com forte influência da Nouvelle Vague francesa.

A visão dos anjos

Em Asas do Desejo os anjos, que pairam sobre uma Berlim dividida pelo muro, escutam os pensamentos e os sussurros das pessoas. Boa parte da hora e meia inicial do filme é tomada por longas tomadas de pessoas caladas, onde ouvimos apenas os seus pensamentos. Anjos estão ali, por toda a parte. Eles são apenas vistos pelas crianças.

Anjos dando conforto e paz às pessoas

Um deles se apaixona por uma trapezista de circo. Mas mais do que isso, ele começa a ficar obcecado pelos sentimentos humanos, pelo toque, o quente e o frio, pelo gosto, o paladar, por olhar e ser notado, fazer diferença na vida de uma pessoa. Essa angústia começa a sufocá-lo, até o momento em que ele fala sobre isso com um outro amigo anjo. A saída - ele decide se "matar" para se tornar humano.

A trapezista, alvo da paixão do anjo

De repente de um PB passamos a um filme cheio de cor e com tomadas diferentes - afinal agora o anjo é humano. Aprendemos com ele cada uma das suas conquistas - o toque, as cores em uma pichação na parede, o abraço, os aplausos em um show de música - no caso de Nick Cave and the Bad Seeds - onde ele acaba reencontrando a trapezista.

O anjo ganha vida, se torna humano e o filme ganha cor

Você deve ter pensado "conheço essa história". Sim, verdade. Asas do Desejo inspirou o filme Cidade dos Anjos com Nicolas Cage e Meg Ryan, que saiu 11 anos depois. Mas no filme norte americano o romantismo toma o lugar da poesia. O problema na versão norte americana é que eles tocaram muito pouco - ou nada - no que mais importa no roteiro e o que faz do filme de Wim Wenders tão especial - um não-humano e sua luta por renascer num ambiente que ele não é natural.

Wenders de óculos no set

Asas do Desejo tem vários momentos de pura contemplação, seja da cidade de Berlim vista de cima ou de baixo - ainda com o muro que seria derrubado pouco tempo depois - ou até mesmo da existência humana. Os diálogos são pura filosofia (Wenders se formou na matéria na faculdade), tornando a experiência de assistir ao filme pesada em alguns momentos.

Anjo conhecendo as ruas

Principalmente porque filmes europeus, tem uma linguagem diferente da de Hollywood. Não são melhores ou piores, são apenas diferentes. Então aqui, algumas cenas se arrastam mais do que deveriam, o corte demora à chegar, e os monólogos são longos. Mas nada disso é ruim, é só uma característica. Asas do Desejo é fascinante, uma experiência única e que nos faz abrir os olhos para outros cinemas por aí. Um filme mágico.
Veja abaixo o trailer de Asas do Desejo.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

DEADPOOL (2015)

O herói (anti-herói?) que faltava na galeria da Marvel

DEADPOOL (2016) - Um dos maiores sucessos recentes da Marvel, a história de Deadpool consegue ser ainda anterior ao filme de 2016. O personagem apareceu no filme solo de Wolverine e também havia sido interpretado por Ryan Reynolds. (O fato de ele ser morto lá não conta, tá...). O mesmo personagem - Deadpool - está de volta e é um grande acerto em vários motivos. Começa pela escolha do ator.

Os dois "Deadpool" de Reynolds

Ryan Reynolds é Deadpool. Nasceu para ser Deadpool. (E aqui peço desculpas de antemão à quem conhece bem a história do personagem nos tempos de quadrinhos, aqui vou me focar apenas no que veio pro cinema, ok?). Wade Wilson é um matador de aluguel sem escrúpulos ou qualquer traço de humanidade. Para ele o mundo é um tabuleiro com peças a matar... e sempre por dinheiro. É também um falastrão, piadista.

Desta vez nada de uniforme de CGI

Quando descobre ser portador de um câncer que está se espalhando rapidamente pelo corpo, Wade abre mão de tudo e abandona inclusive a namorada com o pretexto de evitar que ela sofra. Ele aceita um convite de um estranho e se entrega como cobaia de um experimento que não só promete curá-lo mas como também lhe dar força sobre humana.

Wade e a namorada

Lá passa por um tortura severa nas mãos de Francis, um mutante com o poder de não ter sentimento algum - nem dor nem medo. Wade se torna vítima de Francis e acaba com o rosto deformado, o que o obriga a usar uma máscara e se esconder de tudo e de todos. Foge do local, assume o nome de Deadpool e tem apenas um único desejo - se vingar de Francis.

Francis, o mutante que nada sente

O filme é um acerto só, do começo ao fim. Reynolds está à vontade ao assumir a personalidade de um personagem engraçado e violento, sem nenhum pudor. Uma história boa que inaugura - vamos ignorar aquele outro Deadpool, ok? - mais um personagem da Marvel que tem tudo para ter sucesso em seus filmes próprios - como no remake prometido para 2018 - ou quando se juntar à outros.

"Ele fugiu? Nãooooo!"

O roteiro é muito bem amarrado, mistura flashbacks em momentos relevantes da trama, com o cuidado de não fazer a história parar em nenhum momento, apresenta muito bem o personagem e guarda ainda boas cenas de brigas cheias de sangue e uma participação pequena, mas relevante, de alguns X-Men.

Lição de moral na Sinead O´Connor

Piadas o tempo todo - consigo próprio ("Ryan Reynolds tem um método de atuação superior"), com música ("Wham!" e "Vou fazer com você o que Limp Bizkit fez com o rock nos anos 90"), trocadilhos infames ("a quem eu tive que puxar o saco para ter meu próprio filme? Não vou dizer o nome, mas rima com Polverine") e muitas e muitas coisas. Com cenas físicas cheia de humor também. E claro, não se esqueça da cena pós créditos, que homenageia Curtindo a Vida Adoidado.



Veja abaixo o trailer de Deadpool.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

SIN CITY: A DAMA FATAL (2014)

A cidade onde tudo acontece

SIN CITY: A DAMA FATAL (Sin City: A Dame to Kill For / 2014) - Foi uma longa espera. Para os fãs da graphic novel ou do diretor Robert Rodríguez - o meu caso - a espera foi de quase 1 década. O longo vácuo entre o primeiro filme e este segundo filme tem uma explicação. As agendas lotadas de todos os envolvidos, isso sem falar no esmero excessivo de Rodríguez, que esperou juntar a mesma equipe - ou boa parte dela - para a sequência. E dá pra entender. O sucesso de Sin City: A Cidade do Pecado de 2005 foi estrondoso.

A dama fatal
O elenco estelar está quase todo de volta. Bruce Willys, Jessica Alba, Mickey Rourke e Rosario Dawson. Brittany Murphy e Michael Clarke Duncan, atores mortos em 2007 e 2012 respectivamente, foram substituídos.

A marca do longa é o forte apelo estético

Clive Owen decidiu não voltar ao personagem Dwight, papel que coube a Josh Brolin. Aqui talvez o único grande problema do filme. Não que Brolin não seja um ator capacitado. É que Dwight está cravado na pele de Owen. Ele É Owen. Ver esse personagem na pele de outro ator incomoda bastante.

Brolin assume papel de Owen

Lady Gaga e Joseph Gordon-Levitt vivem bem os seus papéis, mas está em Marv (Mickey Rourke) a grande força do filme - assim como no primeiro filme.

Marv é mais uma vez, a grande força de Sin City: A Dama Fatal

O longa mantém a mesma fórmula do sucesso anterior - tudo gravado em estúdio com fundo verde e substituído por imagens feitas em computador remontando a cidade violenta e corrupta imaginada por Frank Miller. O atrativo que chamou tanto público aos cinemas no filme de 2005 segue o mesmo - o visual impressionante dando sustentação a personagens muito ricos.

Joseph Gordon-Lewitt e Christopher Lloyd

Muitas fórmulas são repetidas aqui, inclusive a questão de ele ser um filme episódico. Em time que está ganhando - mesmo que sejam quase dez anos depois - não se mexe mesmo. Então não é difícil de concluir - se você gostou do Sin City: A Cidade do Pecado de 2005 vai gostar de Sin City: A Dama Fatal de 2014. 
Veja abaixo o trailer de Sin City: A Dama Fatal.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O INFORMANTE (1999)

Um sabe muito e o outro quer fazê-lo contar publicamente

O INFORMANTE (The Insider / 1999) - Já foi um grande negócio processar as indústrias de cigarro. Ganhou-se muito dinheiro com isso. Os filmes Erin Brokovich: Uma Mulher de Talento e Obrigado por Fumar tratam um pouco disso. No caso do segundo filme toda a batalha jurídica é mostrada de uma forma leve e descontraída. Ao contrário de O Informante onde tudo é muito mais sério.

Expôr a verdade na televisão

O longa dirigido por Michael Mann (que vinha de O Último dos Moicanos e Fogo contra Fogo, este último com Pacino e De Niro) fez barulho e teve grande sucesso em festivais de cinema pelo mundo. Ele colocou frente a frente o mestre Al Pacino e um Russell Crowe, pré Gladiador mas pós Los Angeles Cidade Proibida, onde já demonstrava enorme talento e um futuro brilhante.

Perseguido no jogo de golfe - eles estão em todo lugar

Jeffrey (personagem de Crowe) não é fumante, mas trabalhou por muitos anos como vice presidente de uma grande companhia de cigarros. Acabou sendo mandado embora sem explicações.

Um homem pressionado

Encontrou ajuda em Lowell (Pacino), o produtor de um dos maiores programas jornalístico da televisão norte americana, o 60 Minutes. A credibilidade do programa junto ao público é enorme, por isso Jeffrey sabe que lá é o lugar certo para contar tudo o que sabe sobre as indústrias de tabagismo e seu produto, como uma forma de vingança.

Um produtor de TV atrás de notícia

A empresa de cigarros o procura pedindo que ele assine um termo de confidência. Jeffrey se nega e passa a ser perseguido, pessoas rondam sua casa, ameaçando a sua segurança e da sua família. Ele entre na paranoia e carrega uma arma por onde vai. Sua vida desmorona. A esposa não aguenta a situação, e se muda com as filhas. Jeffrey passa a enfrentar o problema sozinho.

Uma bala na caixa de correio

Isso só contribuiu para que Lowell faça a entrevista bombástica onde Jeffrey conta tudo. O principal - um aditivo químico colocado na nicotina para forçar o vicio e a dependência. Mas colocar essa entrevista no ar não é tarefa fácil, porque a própria CBS, emissora de televisão do programa 60 Minutes, tenta boicotar o programa, resultado da enorme influência que as empresas tabagistas tem nas grandes empresas de qualquer ramo.

Brigando com os executivos para levar a história ao ar

O problema de O Informante é ser muito longo, e por vezes o interesse de perde. O clima também não contribui, deixa o filme pesado demais em algumas momentos. De qualquer modo, é uma impressionante história real onde pessoas deram suas vidas, quase literalmente, em nome das coisas em que acreditam.
Veja abaixo o trailer de O Informante.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SNIPER AMERICANO (2014)

Chris Kyle, o melhor sniper do exército americano

SNIPER AMERICANO (American Sniper / 2014) - Chris Kyle é um nome que divide opiniões, para uns, ele é um herói, para outros, um assassino. O atirador de elite mais letal do exército americano, com cerca de 160 mortes na guerra do Iraque (incluindo algumas mulheres e crianças), se aposentou em 2009 e escreveu uma autobiografia, lançada em 2012. A história de Kyle ganhou espaço na mídia americana e depois mundial, por conta do desfecho chocante. O livro deu origem ao filme Sniper Americano.

Eastwood e Cooper juntos no set

No longa dirigido por Clint Eastwood, as cenas de guerra são muito bem feitas, bem filmadas. Não é difícil de se imaginar como um dos soldados na linha de frente do combate, tamanho o realismo daquelas sequências. Fruto do talento do diretor e da equipe. Bradley Cooper vive Kyle intensamente.

A visão de Kyle durante a guerra
Apesar da qualidade dessas sequências, a grande força do filme está nos 15 minutos finais, quando já de volta a casa, Kyle começa a sofrer com transtornos pós-guerra. São alucinações e pesadelos que fazem o filme valer a pena. Uma cena em especial chama atenção. Kyle assiste TV, barulhos de tiros dominam a cena. Em um movimento de câmera vemos na verdade que a TV está desligada. O combate acontece apenas na cabeça de Kyle. Em alguns momentos lembra Tim Robbins em Alucinações do Passado. A família de Kyle sofre. Mas aos poucos ele vai se recuperando, até o trágico desfecho.

Cooper personifica bem Kyle
O filme de Eastwood foi acusado de ser propagandista da guerra. Tudo piora com o inclinamento político do diretor que nunca se mostrou contrário ao uso de armas. O pecado do longa de Eastwood está em não cogitar a hipótese de Kyle ter passado dos limites e ter se transformado em um justiceiro, apenas tomado pela sede cega de matar. Para ele, durante a guerra valia de tudo. Um discurso retrógrado, e que ainda faz a cabeça de muita gente.

O Kyle real e o do cinema

Veja abaixo o trailer de Sniper Americano.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

STRAIGHT OUTTA COMPTON - A HISTÓRIA DO N.W.A. (2015)

Rappers em cima, atores embaixo

STRAIGHT OUTTA COMPTON - A HISTÓRIA DO N.W.A. (Straight Outta Compton / 2015) - "A banda mais perigosa do mundo". É assim que o N.W.A. se autodenominou desde o começo da sua trajetória na metade dos anos 80. Cinco amigos se juntaram para transformar em rap a realidade do subúrbio em que viviam na Califórnia. As batidas policiais sempre com abuso de autoridade e a rotina de drogas e violência moldou a mente destas pessoas que quase do dia para a noite se descobriram artistas.

O preconceito racial como rotina da banda

F. Gary Gray dirige a impressionante história. E não foi procurado à toa. Ele é especialista em videoclipes, tendo produzido e dirigido mais de trinta, inclusive alguns do Dr. Dre e Ice Cube - dois rappers que ajudaram a formar o N.W.A.. Eles também assinam a produção de Straight Outta Compton.

A produção e a gravação de grandes músicas do rap

Ice Cube é interpretado pelo seu filho O´Shea Jackson Jr., e é o maior acerto do filme. Ele está incrível, mostrando a força e a postura indignada e briguenta que o pai ajudou a traduzir em letras igualmente fortes. O pai - que fez Anaconda e outros trinta filmes - obteve sucesso em todos os ramos que atuou, como músico, produtor musical, produtor cinematográfico, diretor e roteirista.

Impressionante semelhança entre pai e filho

O filme mostra a relação de Ice Cube com Dr. Dre e Eazy-E, rappers criadores do chamado Gangsta Rap. Mas o N.W.A. só alcançaria o sucesso graças ao produtor musical Jerry Heller (interpretado por Paul Giamatti), um judeu que cheirou grana no estilo largado e agressivo do grupo. Se deu bem, levou os cinco rapazes à riqueza e fez a sua própria fortuna também.

O empresário que abriu as portas para o sucesso da banda

Todos ficaram ricos muito jovens e não souberam administrar tanta grana e poder repentino - festas na piscina com drogas e prostitutas - e com isso a briga interna foi inevitável. Ice Cube seguiu seu caminho, depois Dr. Dre e por fim Jerry Heller foi demitido. A banda mais perigosa do mundo durou de 1986 até 1991 (depois ressurgiu ainda em 2000 e de novo em 2015, mas sem o mesmo sucesso) e seu legado para o rap é inegável. Gerou muitas polêmicas e inaugurou um estilo que influenciou uma série de outros cantores.

A auto proclamada banda mais perigosa do mundo 
O filme tem muita força e uma reconstrução de época muito boa. Como todo filme baseado em uma história real beira os exageros, mas os seus personagens retratados em tela - pelo menos a maioria deles - estão vivos e com vasto material e videoclipes disponíveis na internet para compararmos os fatos do filme com a realidade. Juntar Dr. Dre, Ice Cube e a esposa do rapper Eazy-E na produção do longa foi um grande acerto, dá aquele gosto de homenagem bem feita e correta dos fatos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

MAGIA AO LUAR (2014)

"Estou tendo uma visão..."

MAGIA AO LUAR (Magic in the Moonlight / 2014) - Woody Allen continua sua saga pelos países europeus com Magia ao Luar e aposta em dois nomes com quem nunca tinha trabalhado antes para a sua comédia romântica da vez - a norte americana Emma Stone e o inglês Colin Firth.

Woody dirige a dupla

A história começa na Alemanha no final da década de vinte com uma plateia impressionada com o show do ilusionista Stanley (Firth). Ao final do show ele recebe no camarim um amigo de longa data, também ilusionista, que faz um convite. Quer que ele conheça uma jovem moça que diz ser uma médium com fortes poderes psíquicos. Stanley, com a certeza de que desmascará uma charlatã, aceita o convite na hora e juntos seguem para a França.

Stanley tem certeza de que encontrará uma charlatã

Eles chegam a um casarão de propriedade de uma senhora rica que perdeu o marido recentemente. Lá, a jovem Sophie (Stone) realiza sessões de contato com o espírito do marido, conversa com ele e a senhora rica fica cada vez mais encantada. E é justamente esse encantamento geral que deixa Stanley convicto de que Sophie não passa de uma farsa.

A jovem Sophie ao lado da mãe

Os dois se aproximam. Stanley quer a todo custo desmascarar Sophie, mas a princípio nada consegue. Apena passa a se encantar profundamente com o charme da moça. Ela revela detalhes íntimos da vida dele, da sua noiva, da sua família e da sua tia Wanessa. Seria ela uma médium de verdade? Tanta proximidade gera um sentimento em Sophie, mas Stanley - irredutível e pomposo como só ele - nega que sinta algo por ela. Esta comédia de Woody Allen não poderia ser um autêntico Woody Allen se não contasse com uma virada no roteiro... mas só assistindo pra ver.

A conexão com o mundo dos mortos, o desconfiado Stanley no fundo

Colin Firth mostra que tem tino pra comédia, dosa muito bem a irredutível segurança do seu personagem, com uma dose leve de insegurança em momentos críticos. Tudo é demonstrado por detalhes como o olhar que se abala ou o penteado que desmancha. Ótimo no papel, forçando um sotaque inglês (muito além do seu já natural), que agrega muito ao personagem, caindo como uma luva.

A aproximação

Emma Stone é um talento. Jovem e versátil, ela parece se encaixar muito bem em qualquer tipo de personagem - do drama à comédia. E mesmo tendo trinta anos a menos do que Firth e cinquenta a menos do que Woody ela não faz feio não. É engraçada, leve e tem tudo para se tornar uma nova musa para Allen. Magia ao Luar é um filme divertido e charmoso, talvez um pouco abaixo do que Woody costuma entregar, mas ainda assim é um Woody. E isso, convenhamos, conta e muito.
Veja abaixo o trailer de Magia ao Luar.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS (2016)

O poster

ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS (Rogue One: A Star Wars Story / 2016) - Já de cara aviso - VAI TER MUITO SPOILER! Se você foge desse tipo de coisa nos textos sobre filmes que tem por aí é melhor parar agora. 

SPOILERS

Os Rebeldes
Seguindo... Rogue One: Uma História Star Wars nasceu com a pretensão de ser o primeiro spin off, ou filme derivado, da maior saga do cinema. É um filme que preenche algumas lacunas da história original e ajuda a responder algumas perguntas que ficaram em aberto - por exemplo porque a gigantesca Estrela da Morte é destruída com apenas um tiro certeiro? E essa vai ser uma constante depois que Star Wars foi comprado pela Disney - a cada ano teremos um novo filme da saga ou um spin off. Tudo isso pelo menos até 2019 - quando sai o episódio IX. Aguardemos.

Krennic e seus Deathtroopers

Rogue One se passa entre os episódios III e IV e conta a história de Jyn (Felicity Jones) - uma menina que presencia a morte da mãe e o sequestro do pai pelas mãos de Krennic, o homem por trás da maior arma do Império, a Estrela da Morte. Jyn acaba salva por Saw Gerrera (Forest Whitaker), personagem que deriva dos desenhos de Star Wars. Ele é meio máquina meio homem e anda com uma perna biônica, tem uma armadura presa ao corpo e respira com uma bomba de oxigênio.

Saw Gerrera no filme e nos desenhos Clone Wars 

Jyn se junta aos rebeldes. O intuito é atrair Galen Erso, seu pai, que trabalha pro Império, para que ele desvende alguns segredos da Estrela da Morte. O comandante da missão é Cassian (Diego Luna). Um novato assim como Jyn, mas que perdeu tudo na vida e que é um rebelde desde os 6 anos, como ele mesmo afirma em certo momento do filme. Ele mata sem pensar duas vezes, busca o melhor para si e é cheio de mistérios.

Cassian e Jyn

À trupe se juntam Baze, um típico produto da guerra cheio de cicatrizes, e seu amigo Chirrut, um cego que pode ser descrito como a personificação da Força e sua crença. Fala dela, se rege por ela, anda por ela e clama por ela a cada passo. Chirrut é o mais próximo que se tem dos Jedis nesse novo filme da saga, já que aqui - é claro - os Jedis não existem praticamente depois da execução da Ordem 66 no episódio III.

Chirrut é a própria fé na Força

O dróide K-2SO fecha o grupo. Ele é uma mistura clara de Chewbacca, R2-D2 e C3-PO. É alto, forte e assim como Chewie, manuseia armas muito bem. Ele ajuda nas missões livrando a turma toda das enrascadas como R2 e é desesperado e tem o apelo cômico inglês de C3-PO. K cumpre muito bem seu papel quando aparece.

O dróide K-2SO

A parte final se reserva à grande missão propriamente dita e assim como em outros filmes da saga como o II e o VI - ele mostra o trecho final mesclando as diferentes frentes de batalha. Gareth Edwards, o diretor de Rogue One, foi muito habilidoso em misturar a batalha espacial, a terrestre e dentro da Estrela da Morte. É de tirar o fôlego, pra dizer o mínimo e não escapar do clichê.

Um fã de Star Wars na direção de Rogue One
O visual aliás é belíssimo. Rogue One trouxe luz às cenas de batalha e guerra, nada daqui é escuro. É lindo de ver os Destróieres Espaciais, os Stormtroopers e o Death Squad - os de preto - e tantas outras coisas.

Cenas épicas de batalha

Problemas? Claro que tem. Os personagens são descartáveis. Nenhum tem história passada bem desenvolvida, nem mesmo a Jyn apesar da história dos pais no comecinho do filme. Não dá para se importar de verdade com qualquer um deles, não se cria vínculos, não dá tempo. Talvez o grande personagem seja o universo em si... talvez.

Um filme puramente de guerra

Edwards privilegia a história da busca pelos planos secretos da Estrela da Morte e deixa os personagens um pouco de lado. Foi a escolha dele. Talvez não desse tempo de desenvolver tudo em um filme, é claro, mas nota-se que esse não foi um erro de corte, algo que ficou na sala de edição, nada disso. Fica claro que desde o começo o roteiro não previa nada disso. Então acaba enchendo os olhos com personagens com potencial, mas muito mal desenvolvidos e como disse, descartáveis.

Os Death Troopers tem visual incrível, mas uma relevância quase nula na história

General Tarkin não poderia nunca ficar de fora do filme. Peter Cushing também não. O ator que morreu em 1994 foi recriado em computação gráfica e reviveu o personagem que toma das mãos de Krennic a Estrela da Morte. Em alguns momentos o CGI aqui passou um pouco do ponto, o personagem irreal tem algumas expressões faciais muito estranhas. Não compromete mas causa estranhamento.  

Tarkin (Cushing real) no episódio IV

Vader é Vader. Aparece pouco, mas o suficiente. A primeira cena é magnânima, mostra a chegada triunfal de Vader depois de ficar no tanque de bacta, como Luke ficou no episódio V. Ele se aproxima de Krennic e o amedronta só com a presença. Tem ainda que ouvir o Lorde Negro dizer "está nervoso?", quando este perde a fala. É demais.

Amedontrador

A segunda cena é capital para demonstrar para quem não conhece a fundo a saga e julga Vader como nada mais do que um bizarrão de capa preta e respiração ofegante. O Vader nessa segunda cena é puro ódio e rancor, raivoso e dando muito medo nos soldados rebeldes que o enfrentam em um momento de raiva extrema. Quando os planos da Estrela da Morte são roubados e entregues de mão em mão, de soldado em soldado por um corredor, Vader aparece destroçando um a um com o sabre - o único que aparece no filme todo - usando a Força para enforcar e se livrar de um ou outro. Tudo isso sem mudar o ritmo dos passos e cheio de closes nos rostos apavorados dos pobres soldados rebeldes. Os planos chegam à porta e são entregues para Princesa Léia, de costas, ela recebe e em close fala "Esperança". Fim. É para qualquer fã fervoroso bater palma e querer mais.

Jyn dentro da Estrela da Morte 

Um final ótimo, um típico fan service de primeira e vários easter eggs espalhados por todo o filme - aqueles dois encrencões que puxam briga com Luke no bar, a dançarina do episódio VI escrava de Jabba, o tabuleiro de xadrez holográfico que desta vez tem peças reais, e claro o "I have a bad feeling about this", que nem é completado até o final, a frase é cortada ao meio. Assim como Rogue One, um ótimo filme Star Wars que se presta a responder talvez o maior furo do roteiro da saga - como a Estrela da morte é destruída com apenas um tiro?
Veja abaixo dois trailers de Rogue One: Uma História Star Wars.