terça-feira, 27 de novembro de 2007

MUNIQUE - Spielberg é um cineasta surpreendente. Ele consegue se reciclar a cada ano, a cada obra. Aliás, ele pode até passar longe do genial, mas que ele é um produtor/diretor de mão cheia, ah isso ele é! Com Munique ele concorreu a 5 prêmios Oscar e 2 Globo de Ouro com muito mérito. O cinema engajado politicamente, que nunca foi seu forte, começa a ser mais presente na sua cinebiografia, já que anos antes ele havia entregado A Lista de Schindler.
Aqui, ele retrata a história real de 5 terroristas israelenses que são contratados para matar 11 palestinos que estiveram envolvidos com o atentado nas Olimpíadas de Munique, em 1972, que vitimou dezenas de atletas e treinadores daquele país. Spielberg gosta de cutucar vespeiro... ele poderia ser tachado como uma pessoa que toma parte de qualquer um dos lados indicando favorecimento, mas não... sua mão firme não pende para lado algum.
A duração pode ser um pouco exagerada (2h40), mas o resultado, tanto pelo conteúdo histórico como pela aula de dieção, vale muito a pena.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

ICHI THE KILLER - Mais um destes filmes orientais obscuros e não vou nem perder tempo aqui... nem o seu, nem o meu... o filme é ruim, chato e estranho... personagens excêntricos comandados por outro mais ainda, saem em busca do chefe que está sumido. Eles realizam as mais sádicas formas de torturas para conseguir esta informação, já que o principal da gangue é masoquista, mas durante esta busca, acontece uma estranha onda de assassinatos dentro do bando... acho que já foi o suficiente, né?!
ACROSS THE UNIVERSE - É um filme feito por uma diretora apaixonada pelos Beatles, que deciciu escrever um roteiro baseando-se nas músicas do Fab Four, utilizando-se de seus personagens, como Jude, Maxwell, Jojo, Prudence, Sadie, Mr. Kite, Dr. Robert, Lucy e tantos outros, e contando suas histórias de amor, amizade e guerra passando pelas fases que qualquer tipo de relacionamento, de amizade ou não, passam. Se você é Beatlemaníaco, como a pessoa que vos escreve, vai notar muitas referências à banda nos objetos (vivos ou não) de cena, nas falas e no próprio andamento do filme. A história do filme conta cronologicamente, certinho, a fase dos Beatles! De reis do iê-iê-iê, ao consumo de drogas, as brigas, a guerra e o amadurecimento. É muito claro!
Os atores, desconhecidos, são ótimos! O elenco tem uma empatia muito grande e leva as músicas muito bem, complementando muito para o filme. Participações de Salma Hayek, Joe Cocker e Bono Vox.
Preste atenção nas sequências musicais e no deslumbramento visual do filme.Tudo é muito colorido, bem coreografado, uma riqueza de formas e fases. É incrível.
Julie Taymor, diretora de Frida, foi cutucar um vespeiro. Não existe outra banda mais bem sucedida e com melhor reputação na história da música que os Beatles, é difícil fazer algo que agrade seus exigentes fãs. Digo por mim, saí MUITO satisfeito e empolgado com o filme!
CONTROL - Foi um filme marcante... realmente difícil de esquecer. Fui só, porque minha "pequena" estava em Taubaté e a sessão rolou no meio da semana na Mostra de SP e eu não poderia perder. Tenho que admitir... não sou um grande conhecedor de Joy Divison, nunca fui, mas depois que assisti A Festa Nunca Termina me interessei bastante pelo som britânico dos anos 70/80 e a cena deste que mostra a morte do Ian Curtis marca bastante. Por isso fui cheio de expectativa para a sessão de Control, finalmente ia conhecer a trajetória dele e da banda. O roteiro é baseado no livro Carinhos Distantes escrito pela sua esposa alguns anos atrás.
Saí do cinema realmente pensativo, olhando o nada, muito comigo mesmo... não é o tipo de filme que se quer sair, comer e pizza e conversar com outros, se abrir, falar e falar... tem que se olhar para sí e analisar as impressões... se não for assim não há como digerir certas coisas.
Anton Corbijn, o diretor, tem uma ligação música-cinema muito grande. Ele, que já havia dirigido filmes/documentários sobre U2, Bryan Addams, Depeche Mode e Metallica, nos traz uma obra tão discreta, minimalista e introspectiva quanto a própria figura do Ian, que está loooooonge de ser um gênio, mas ainda assim deixou sua marca com tanta simplicidade que por isso se tornou tão notável.
Assista este filme... se possível sozinho... ajuda na digestão.
EL OTRO - Mais uma mostra do crescente cinema argentino, mas sem tanta inspiração. Ariel Rotter nos entrega um filme leve sobre um cara de meia-idade, nos 40 e pouco, com o pai seriamente doente e a esposa grávida de seu primeiro filho. Ele está vivendo a crise daqueles anos em que se constata que a vida não lhe reserva quaisquer surpresa pros próximos anos. A vida fica sem graça... Julio Chavez (que aliás é a cara do Bebeto de Feitas), interpreta este cara que viaja à trabalho e nas cidades em que chega começa a adotar personalidades imaginárias, meio que para "ver o que acontece". Não há uma grande cena, um momento de reviravolta no roteiro ou algo assim, por isso, fica-se pacientemente esperando o fim da história, o que não traz nada de novo. Um filme que chega de surpresa, se apresenta quietinho e sai sem fazer barulho.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

SCOOP, O GRANDE FURO - É incrível a capacidade de alguns cineastas se reinventarem com o tempo (como a Madonna faz na mísica), mas definitivamente Woddy Allen não é um deles. Calma, eu explico... não é que ele sempre se repete, apenas se aprimora naquilo que é melhor, a comédia do dia-a-dia, do convencional. Aí ele é mestre, não há ninguém que possa se comparar!
O seu filme anterior, Match Point foi excelente (apesar de eu ter a convicta certeza de que não passa de uma refilmagem de Crimes e Pecados, do Woddy também), com seus momentos e diálogos cortantes. Mas o plot principal gira em torno do suspensesobre o romance dos protagonistas. Em Scoop, a comédia é o prato principal. Ele (mágico fracassado) e uma aspirante a jornalista (Scarlett Johansson) tentam desvendar o mistério por traz de um serial killer, que acreditam ser um misterioso rapaz de alta classe (Hugh Jackman). Woddy faz um papel muito importante, o de sempre, o incomodado-inseguro-neurótico-judeu, mas engraçado até quando não quer, ou precisa.
Este é Woddy Allen, nas pequenas coisas ele faz a diferença, e esta diferença define o que é banal e o que é genial.

sábado, 3 de novembro de 2007

O LABIRINTO DO FAUNO - Muito louvável do Guillermo Del Toro escrever uma fábula com fortes elementos de violência e terror... muito interessante... mas fico pensando o que Tim Burton faria com este roteiro em mãos... A história pretende mesclar fantasia e (dura) realidade com a menina filha de dum ditador que recebe uma missão de um fauno, que acredita esta ser na realidade uma princesa... Eu gosto mais da parte fantástica, com seus cenários, personagens e situações ricas e muito bem feitas... mas quando cai na parte real, a violência é muito presente e necessária para elevar o tom não-infantil da fábula...
O filme concorreu a muitos prêmios em diversos festivais pelo mundo... mas ainda penso como ficaria o roteiro nas mãos de Tim Burton... Quer um conselho? Assista Hellboy que é muito melhor...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

ENTRE O CÉU E O INFERNO - Meu Deus... uma garota ninfomaníaca (Cristina Ricci) e seu namorado que possui sérios ataques de ansiedade (Justin Timberlake) acabam se separando para que ele vá pro exército. Ela então, passa a querer "se entregar" (digamos assim) a todo e qualquer homem da cidade. Ela é encontrada por um músico de blues (Samuel L. Jackson) que a leva pra casa, e vendo não haver solução para seu desejo por sexo, a acorrenta para tentar curá-la. (?!)
bem.. é isso... o que dizer?! O Samuel faz de novo o papel do negão-fodão-que-sabe-de-tudo-e-conhece-todas-as-respostas, o Justin... ah, fala sério! e a Cristina fica pelada metade do filme... se você achar que estes três elementos fazem um bom filme, fique a vontade... mas eu recomendo não entrar neste barco.
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS - Que beleza, que beleza... vi na Mostra de Cinema Brasileiro de SBC e mesmo o burburinho incessante não foi capaz de atrapalhar a obra. O menino fica na casa do avô quando os pais "saem de férias" (vão pro clandestino) e desenvolve uma relação de amor e ódio no meio da Copa do Mundo de 1970. Em momentos essa relação com o "vovô" lembra Cinema Paradiso quando o "novo" rejeita e depois acaba aceitando o "velho".
O mais interessante aqui é reparar como Cao Hamburguer está se saindo um diretor preocupado com os detalhes, os pequenos movimentos, as influências que as pequenas coisas têm na nossa vida. Esta preocupação reflete na tela, e nos tristes olhos do protagonista. A retratação do período de Copa dá um tom leve à obra. Todos os ingredientes juntos num caldeirão que gera este suco delicioso da cinematografia nacional. Não deixe de assistir!
DR. JIVAGO - É de 1965... dura umas 3 horas e meia... mas é ótimo! Geralmente este tipo de filme com a narrativa clássica de décadas passadas não tende a agradar nos dias de hoje, justamente por não falar a "mesma língua" de outras gerações, mas este filme aqui merece sim ser visto. Pode ser pela retratação de época (Rússia de 1917), pelas ótimas cenas de guerra, pelas atuações (Omar Sharif e Alec Guiness), pela beleza de Geraldine Chaplin (filha dele) e Julie Christie... o que importa é o que fica. E não há como não se importar com a história, o amor "impossível" em tempos de guerra e redefinição de valores. Uma aula de direção de David Lean...5 Oscar e tudo...