quinta-feira, 21 de abril de 2016

QUE HORAS ELA VOLTA? (2015)

Uma segunda mãe e um segundo filho

QUE HORAS ELA VOLTA? (2015) - É a terceira vez que Anna Muylaert escreve e dirige um longa metragem. Ela já tinha se aventurado em 2002 com o fraco Durval Discos e em 2009 com o bom É Proibido Fumar. Seus roteiros priorizam os diálogos, sempre muito bem desenvolvidos. Que Horas Ela Volta? foi tão bem recebido em alguns festivais internacionais - ganhou prêmio em Sundance e Berlim - que chegou a ser cotado como o provável indicado brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Val

A história se passa na casa de uma família rica de São Paulo e gira em torno de Val (Regina Casé, forçando um sotaque nordestino), a empregada que trabalha ali há décadas. Ela praticamente criou Fabinho, o filho dos patrões. Uma relação de amor puro, como a de mãe e filho.

Desde criança Val e Fabinho são como mãe e filho

Val recebe uma ligação da filha adolescente Jéssica dizendo que está vindo para São Paulo e ela pede autorização para os patrões e a filha passa a se hospedar ali. Aí começam os problemas. Jéssica não se vê como a filha da empregada e se aproxima de Fabinho. Chega até a se jogar na piscina. Abre a geladeira dos patrões e por pouco não se acomoda no quarto de hóspedes.

Jéssica, a filha de Val, chega para morar com a mãe

Bárbara, patroa e mãe do Fabinho (vivida pela ótima Karine Teles), começa a se incomodar e aos poucos impõe limites a Val, que começa a pressionar a filha para que se comporte direito. Lourenço Mutarelli, escritor do excelente O Cheiro do Ralo de 2006, não é ator de ofício (aliás é bem ruinzinho), mas tem papel importante no longa, como Carlos, o marido de Bárbara que aos poucos se encanta e até se apaixona pela beleza e juventude de Jéssica.

Uma família desconectada

Irritada com a situação, Jéssica sai da mansão e passa a alugar um quartinho numa região humilde, ao mesmo tempo em que revela para a mãe que ela deixou um filho pequeno no nordeste. Fabinho segue para um intercâmbio e Val se vê distantes dos dois filhos - a real e o de criação - e toma uma decisão: pede as contas, vai morar com a filha e insiste para que ela traga o neto do Nordeste para viver com elas.


Carlos começa ter sentimentos por Jéssica

O roteiro de Que Horas Ela Volta? usa o microuniverso de uma casa de alto padrão para questionar algo muito maior - as diferenças sociais de pessoas que dividem o mesmo espaço, escancarando um problema que a gente convive ou ignora todos os dias. É possível enxergar amigos, vizinhos, parentes ou até mesmo a si próprio em algumas das situações que o longa apresenta. O preconceito nosso de cada dia visto nas pequenas ações.

Karine Teles, a melhor atriz em cena

Mesmo assim, o roteiro carece de um ponto de virada, um plot a mais para mover o enredo - a história começa e vai até o final, sem grandes viradas (ou nenhuma). As atuações são péssimas, de cabo a rabo, com exceção de Karine Teles e Camila Márdila que vive a jovem Jéssica, filha da Val. Não vou nem perder tempo com Regina Casé que está péssima com uma interpretação estereotipada, exagerada e um sotaque mais fraco e sem sal do que o finado Esquenta.

Mãe e filha acertando as contas

Veja abaixo o trailer de Que Horas Ela Volta?


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