segunda-feira, 14 de agosto de 2017

FOME DE PODER (2016)

O homem que levou o McDonald´s para o mundo

FOME DE PODER (The Founder / 2016) - Uma história de sucesso das mais impressionantes e revoltantes já contadas. Uma sacada de mestre de um cara capitalista acima de tudo e, como diz o ótimo título brasileiro, com muita Fome de Poder. O problema é que no caminho ele atropela tudo e todos. A ambição vem sempre em primeiro lugar. E pior é que tudo é real.

Kroc, do lado direito, analisando o projeto de um novo restaurante

Fome de Poder conta a história de Ray Kroc, um irritante homem de negócios vivido por Michael Keaton. Ele tenta a todo custo vender uma máquina de fazer milkshakes, bate de porta em porta em restaurantes espalhadas pelo país, sem sucesso. A sorte de Kroc começa a mudar quando ele recebe uma ligação de um restaurante chamado McDonald's que encomendou seis das suas máquinas de uma vez só. Kroc vai até lá.

Krock insiste para falar com os irmãos do McDonalds

No tal McDonald's ele encontra dois irmãos - Ray e Don, os donos, que criaram um método revolucionário para servir a comida rapidamente com o menor custo possível. "De 30 minutos em 30 segundos", dizem. Ele inventaram ali o fast food. Kroc embarcou nessa ideia e conseguiu, depois de muita insistência, assinar um contrato como novo sócio dos irmãos. Sua missão - fazer filiais do McDonald's por todo o país.

Kroc vendendo, que é o que ele sabe fazer

O problema é que nesse afã de sucesso e expansão a todo custo, Kroc atropelou a autoridade que os irmãos McDonald's teriam nesse processo todo. O contrato assinado por eles não foi cumprido ("contratos foram feitos para serem quebrados", diz Kroc), os irmãos preferiram não entrar na briga. Até que Kroc, já cheio de dinheiro de tantas novas lojas que conseguiu abrir e ao lado de bons advogados, acabou adquirindo o McDonald's todo para ele. Aos irmãos sobrou mudar o nome de seu restaurante original para M simplesmente, que por sinal, faliu poucos anos depois.

O primeiro restaurante, que deu origem à toda rede

A escolha de Michael Keaton foi perfeita, ele não tem uma cara amigável mas encarna muito bem um empresário chato, persistente e até maldoso. A mensagem que fica de Fome de Poder é que para vencer tem que se atropelar a todos, e ser acima de tudo uma pessoa sem limites ou escrúpulos.

Os irmãos McDonald´s

Não basta ser maior, tem que ser O maior e para isso Kroc amassa os menores. Algo que o filme Steve Jobs, dirigido por Danny Boyle, também deixa claro sobre o grande líder da Apple. Uma mensagem que me incomodou tanto que falei pra mim mesmo "não vou mais no McDonalds"... passou dois dias e descumpri minha promessa.
Veja abaixo trailer de Fome de Poder.


domingo, 6 de agosto de 2017

A SENHORA DA VAN (2015)

Mal humorada

A SENHORA DA VAN (The Lady in the Van / 2015) - Alan Bennett é um escritor inglês de mão cheia. Ele se acostumou a retratar a vida de personagens comuns do dia a dia e por isso quando uma senhora passou a morar dentro de uma van na rua em que o escritor morava, tudo se encaixou. Ele acabou transformando aquela experiência real em história. Nasceu ali um livro e depois uma peça que é encenada até hoje na Inglaterra.

A peça de teatro

Maggie Smith interpreta a senhora do título, que vive dentro de uma van numa rua de Camden Town em Londres. Ela e Bennett (interpretado por Alex Jennings) acabam desenvolvendo uma estranha amizade, já que ambos não são nada simpáticos um ao outro, nem minimamente cordial. Ela se apoia na velhice e ele nas manias de um turrão vivendo uma vida solitária.

Uma relação conflituosa

Ele é reservado, mora sozinho e faz o máximo esforço para manter qualquer pessoa distante, até a própria mãe. Fala sozinho em casa o tempo todo, e a forma como o diretor Nicholas Hytner escolheu para preencher o vazio da casa onde ele mora é incrível - Bennett contracena com ele mesmo. No começo parece um irmão gêmeo, aos poucos descobrimos que é ele mesmo, um outro "eu".

O mal humor do vizinho

Por 15 anos aquela mulher morou dentro da van e - depois de conversar com Bennett -, acabou-se "mudando"da rua para a garagem do escritor. O seu espaço sempre foi mal cheiroso, cheio de sacolas e os seus carros - sim, porque ela teve mais de 1  - pintados com um estranhamento amarelo ovo. Mas de onde ela tira dinheiro? Porque é tão irritante e irritável? Qual a história dessa senhora? Aos poucos o roteiro de Bennett soluciona todas essas questões.

A equipe no set

A Senhora da Van é cativante e uma lição dura e curiosa. O paralelo que o texto propõe entre a senhora maltrapilha e a mãe do próprio escritor é leve, porém muito claro. Ele mesmo traça essa linha vez por outra. Ao mesmo tempo em que se vê obrigado a internar a mãe doente em um asilo, ele se cobre de zêlo para proteger a senhora moradora de rua. Não é amor, mas passa longe do ódio. Um sentimento que ele despeja na senhora, ao mesmo tempo que evita lançar sobre a própria mãe.

O "raro" sorriso 

Veja abaixo o trailer de A Senhora da Van.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (1987)

Duas pessoas que nunca se viram, mas que trocaram confidências por vinte anos

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (84 Charing Cross Road / 1987) - Uma história real. Romanceada, é claro, mas real. Helene Hanff se correspondeu via carta durante anos e anos com um livreiro londrino, buscando exemplares de obras raras disponíveis na livraria dele. As cartas viajavam de Nova York para Londres e vice-versa. Das correspondências nasceu uma amizade e, ao que parece, um sentimento. A incrível história virou uma peça, um telefilme e por fim, um longa metragem. David Hugh Jones dirigiu o filme.


A peça inspirada na história

Anne Bancroft (a eterna Mrs. Robinson de A Primeira Noite de um Homem) e Anthony Hopkins interpretam Helene e Frank. Os dois já haviam atuados em O Homem Elefante, de David Lynch em 1980, mas na produção de Nunca Te Vi, Sempre te Amei, como entrega o título, eles não se vêem, não aparecem juntos em cena sequer uma vez. Helene é viúva e Frank casado e pai de três filhos.

Helene escreve uma de suas cartas

Tudo começa quando Helene, uma amante da literatura inglesa, apaixonada por colecionar livros raros não encontra alguns volumes e entra em contato, via carta, com uma livraria especializada em Londres. Semanas depois ela recebe uma resposta de Frank, responsável pelo estabelecimento, dizendo ter tais livros. O ano é 1948.

Frank em sua livraria

Eles passam o filme trocando cartas, sempre respeitosas e carinhosas contendo informações sobre família, amigos e interesses em comum. A Segunda Guerra Mundial ainda era um evento recente e a Inglaterra, assim como boa parte dos países europeus, passava por um período de recessão. Alimentos eram escassos. Helene enviou mais de uma vez, caixas de enlatados, que Frank distribuiu entre os empregados da livraria. Em troca, Frank mandou de Londres toalhas de mesa e alguns livros de graça.

A comida que chega em Londres enviada por Helene
A troca de cartas se manteve constante até 1968, quando Helene descobriu que Frank morreu após complicações de saúde. Ela, por sua vez, que sempre adiou uma viagem à Londres, se sentiu na obrigação de ir à capital inglesa conhecer a tal livraria no endereço que dá o nome original ao filme - 84 Charing Cross Road.

A quarta parede usada por Helene em boa parte do filme

O filme começa já com a viagem de Helene para Londres e num corte brusco volta vinte anos mostrando ela bem mais jovem, quando ainda estava escrevendo a primeira carta para Frank. No final do filme, Helene chega à livraria, que está abandonada, é somente uma construção antiga, mas ela fica feliz de fechar esse ciclo em sua vida.

A vista da livraria... sim, ela existiu!

Ritmo de romance e interpretações tocantes - porém estereotipadas - fazem de Nunca te Vi, Sempre te Amei um filme leve, bom para um dia a tarde com bolinho de chuva e cobertor. Hopkins apresenta o modelo do inglês tradicional, cortês, e a bela Bancroft faz uma nova iorquina fumante e ansiosa, que por mais de uma vez fala com a câmera como se fosse a própria consciência.
Veja abaixo o trailer de Nunca te Vi, Sempre te Amei.



quinta-feira, 20 de julho de 2017

RUA CLOVERFIELD, 10 (2016)

Uma mulher em busca de respostas

RUA CLOVERFIELD, 10 (10, Cloverfield Lane / 2016) - Tudo era um grande segredo. Inclusive para os atores. Ninguém sabia ao certo qual filme estava sendo produzido quando a equipe se juntou no set para as primeiras gravações. Ideia do produtor J.J. Abrahms, que gosta de sempre manter suspense nos seus projetos, mesmo com a equipe. Aos poucos descobriu-se que se tratava do segundo filme da série Cloverfield, sucesso de Abrahms de 2008.

Um pedido desesperado

Na verdade Rua Cloverfield, 10 não é uma sequência do primeiro filme, está mais para um spin-off, ou seja um filme derivado que se passa naquele mesmo ambiente, mesmo universo. A história  escrita por Damien Chazelle - o diretor de La La Land - começa com a bela Michelle (a Lee de À Prova de Morte) saindo de casa às pressas depois de abandonar o namorado. Na estrada ela sofre um acidente e acorda em uma sala fechada, sem janelas, acorrentada à parede.

Aprisionada em um quarto de concreto

Pouco depois um homem aparece. Howard (John Goodman, talvez na melhor interpretação da carreira) não diz muito, apenas que ele a mantém viva. Aos poucos, ele conta para ela que o oxigênio do planeta está contaminado, talvez pelos russos, coreanos ou mesmo extraterrestres e que ele, que tem preparação militar, construiu aquele bunker se preparando para um ataque das forças inimigas.

John Goodman impressionante

Ela não acredita até conhecer Emmett, outro homem que está lá embaixo também e parece acreditar em tudo o que o Howard diz. E são esses três personagens que passam boa parte do filme tentando se entender confinados naquela casa subterrânea.

A "família" montada à força 

Michelle tenta escapar algumas vezes, principalmente por receio de que a figura ameaçadora de Howard - com Goodman repito no melhor papel da carreira - possa violentá-la ou algo do tipo. Tudo gera desconfiança nela e para piorar, Emmett não é lá muito inteligente e não oferece perigo imediato para o reinado de Howard na casa.

Aos poucos eles percebem que o controle que sofrem é doentio

Ela chega a ver o mundo lá fora pela porta, mas logo desiste de abri-la ao se deparar com uma mulher sangrando e olhar desesperado que implora para que ela abra a porta. Howard grita de longe para que Michelle não faça isso. Assustada com o que vê lá fora, Michelle passa a acreditar na contaminação do oxigênio no exterior e desiste da fuga.

Vítima do oxigênio contaminado

Mas as histórias de Howard são meio sem sentido. Faltam alguns pontos, não se sabe ao certo a real intenção dele em alguns momentos. Será que ele é mesmo tão bonzinho por abrigar dois desconhecidos ou tem algo mais que ele esconde? A interpretação de Goodman deixa tudo aberto.

O dono do filme

Howard se mostra violento, principalmente quando a dupla começa a arquitetar um plano para escapar do bunker. Sem entrar em detalhes para não estragar o enredo, digo apenas que Michelle consegue escapar e fica chocada ao olhar no horizonte e enxergar uma nave alienígena rondando o céu. A reação é a que a maioria de nós teria, talvez - ela fica incrédula, sem acreditar que aquilo é real. O filme poderia perfeitamente acabar aí. Já seria ótimo!

A fuga final e o encontro inesperado

Mas o roteiro nos leva por mais uns dez minutos em que Michelle trava uma batalha com um dos ETs... Na minha opinião esse final é a grande escorregada de Rua Cloverfield, 10.

"Como sair daqui?"

Quando navega pelo suspense o filme vai muito bem! Dá agonia se imaginar na posição de Michelle, ainda mais sabendo que o dono do lugar - e que tem todos os acessos e chaves e ferramentas - é um cara misterioso, com aquele olhar que não demonstra nada, e uma respiração arfante como se estivesse sempre armando algo. Mas aqueles dez minutos finais... bem que poderiam ter ficado ar no chão da sala de edição.
Veja abaixo o trailer de Rua Cloverfield, 10.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

DEMÊNCIA 13 (1963)

Baixo orçamento

DEMÊNCIA 13 (Dementia 13 / 1963) - Novato e cheio de ideias na cabeça. Um jovem Coppola saiu dessa forma da universidade direto pro concorrido mercado de cinema norte americano. O hippie abraçava todo e qualquer projeto que podia, escrevendo roteiros e assumindo a direção também. Foi assim que nasceu Demência 13, filme de terror de baixíssimo orçamento - como não poderia deixar de ser - filmado em apenas nove dias por um Francis Coppola (sem o Ford ainda), que assumiu o roteiro e a direção.

Coppola em começo de carreira

A família Haloran é rica e amaldiçoada. A mãe viúva está no castelo da família com os 3 filhos de meia idade e duas namoradas. Um dos filhos morre de ataque do coração e a namorada esconde isso da família inventando uma mentira qualquer, para que não perca parte da herança. Em menos de trinta minutos de filme, ela morre assassinada à machadadas por uma figura estranha.

A morte logo no começo do filme

O outro irmão assume o papel de pai, é bruto e pouco carinhoso com a namorada que vive para lhe agradar o tempo todo. Estão prestes à se casar. E o último irmão, o mais jovem não tem namorada mas é atormentado por um fantasma do passado - ele viu a irmã jovem morrer afogada no lago da propriedade. A mãe de todos vive em luto pela morte da menina que aconteceu há sete anos.

Irmãos e a mãe, uma família enlutada

Outro crime acontece em situações parecidas - machadadas no meio da noite - e os irmãos ficam alertas. A tumba que guardaria o corpo da irmã é violada e dentro dela os objetos mais bizarros possíveis. Coppola brinca com os brinquedos infantis e os transforma em itens assustadores.

Brinquedinhos - objetos do terror

Destaque para o médico da família, interpretado por Patrick Magee. O nome não é conhecido, mas a cara dele... O velhinho faria uma participação marcante em Laranja Mecânica como o senhor que tem a casa invadida pela turma de Alex, tem a esposa violentada e acaba numa cadeira de rodas. As expressões faciais dele em Demência 13 e em Laranja Mecânica são idênticas.

O médico da família... Cara conhecida, não?

A conclusão da história passa pelo óbvio mas o roteiro tem seus momentos marcantes e surpreendentes, principalmente com relação à trilha sonora forte e presente - lembra muito os temas que Polanski usou em muitos dos seus clássicos como O Inquilino, por exemplo.

A investigação 

Demência 13 não tinha esse nome, era apenas Demência, mas durante as gravações Coppola descobriu que existia um filme da década de cinquenta com o mesmo nome. Ele decidiu colocar o 13 no título por ser um número maldito, digamos assim. E no final "Demência 13 soava bem", ele disse certa vez.

A entrada no túmulo

Francis Ford Coppola entrou com o pé na porta, sem medo de cara feia dos grandes estúdios. O hippie venceu como roteirista, produtor e diretor - um cineasta completo com um início impressionante.
Veja abaixo o trailer de Demência 13.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO (2016)

As novas caras do terceiro filme da série

12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO (The Purge: Election Year / 2016) - Uma boa ideia exprimida sem piedade até render mais algumas gotinhas. A noite onde todo e qualquer crime é permitido chega ao terceiro filme... e com fôlego pra mais! Mas desta vez eles trocaram o título em português que era Uma Noite de Crime e virou esse horroroso 12 Horas para Sobreviver. Mas se o horror ficasse apenas no título seria bom...

A lei que abala uma nação... por uma noite

Desta vez uma eleição está prestes a ocorrer nos EUA. De um lado um candidato a favor do purge e do outro uma senadora que cresce cada vez mais nas pesquisas defendendo o fim do purge. Está armado o cenário quando a senadora se vê nas ruas, no meio do purge, sendo escoltada por seu guarda costas e mais alguns voluntários que pretendem defendê-la.

A senadora contrária ao purge busca refúgio

As boas ideias presentes no filme anterior quando o filme sai de dentro de casa e a ação vai pras ruas são quase todas repetidas aqui. Vemos aqui na verdade mais do mesmo nesse sentido. Faltou criatividade e inovação para James DeMonaco, diretor e roteirista da saga. As ideias estariam acabando?

Acerto de contas

O último ato do filme, o mais arrastado, se passa dentro de uma igreja e faz uma aproximação interessante entre violência e religião, mostra como as pessoas ficam cegas em suas crenças. Outra ideia que poderia ser melhor aproveitada e aprofundada.

O crime como religião

Dos três filmes da franquia, esse 12 Horas para Sobreviver é o mais fraco. Repete as ideias do segundo, não inova e avança pouco na trama. As boas ideias - como os turistas assassinos e o aspecto visual interessante com as máscaras marcantes dos símbolos americanos - são descartadas rapidamente e tem literalmente poucos segundos de cena. Pouco para tanta promoção, já que as caras brilhantes e ameaçadoras aparecem em todos os cartaz de divulgação do filme.

Muito estilo e pouco conteúdo

quarta-feira, 28 de junho de 2017

DISQUE M PARA MATAR (1954)

Um crime quase perfeito

DISQUE M PARA MATAR (Dial M for Murder / 1954) - Fazer grandes filmes com grandes livros é fácil, difícil é fazer o mesmo com livros baratos, daqueles que poucos eram... por isso que Alfred Hitchcock é um gênio imortal. Cada filme dele é uma aula de cinema em algum aspecto. Pássaros é o meu predileto de Hitchcock. Mas Janela Indiscreta e Festim Diabólico também são marcantes e criam suspense usando um cenário único. Disque M Para Matar segue essa mesma linha de sucessos do diretor.

Hitchcock e os atores principais

Tony, um ex-jogador de tênis, é casado com a bela Margot (Grace Kelly), mas ela está muito interessada em Mark, um escritor norte americano que chega naqueles dias em Londres. Os dois já mantinham um caso em segredo. E tudo isso é mostrado em cortes rápidos e sem nenhuma fala ainda nos segundos iniciais do filme.

O ciúmes do marido, de pé

O marido traído convoca Charles, um amigo para cometer o crime perfeito - matar a esposa sem deixar vestígio em troca de uma bela quantia em dinheiro. Ele aceita. O plano é pensado nos mínimos detalhes e explicado à exaustão por Tony. Parece à prova de falhas.

Margot em perigo

O crime acontece, mas tem uma falha. Margot, que estava sendo enforcada por Charles, usa uma tesoura que tem na mesa para enfiar nas costas do agressor, que morre na hora. Tony, que conversava com a esposa ao telefone naquele exato momento, ouve tudo e corre para casa. Chegando se depara com a cena que não esperava - a mulher viva e o amigo morto.

A tesoura

Daí para frente o show de Hitchcock. O suspense à toda prova. O chefe da polícia passa a investigar o casal para descobrir o que de fato aconteceu. A cada cena as máscaras vão caindo. Personagens mudam de intenção, passam de charmosos e seguros para nervosos e ansiosos. Margot nem desconfia do plano do marido, mas se mostra mais forte do que imagina no começo e Mark, até então "apenas" um amante, estabelece-se como grande força da parte final do filme.

As investigações

O longa de Hitchcock é tão renomado que ganhou uma série televisa, quatro telefilmes, e um remake  para o cinema em 1998 com o nome de Um Crime Perfeito com Michael Douglas, Viggo Mortensen e Gwyneth Paltrow. Festejado, copiado e homenageado, como tantas e tantas obras que levam a assinatura de Alfred Hitchcock.
Veja abaixo o trailer de Disque M para Matar.

  


sexta-feira, 23 de junho de 2017

OS SEIS RIDÍCULOS - (2015)

Filhos do mesmo pai

OS SEIS RIDÍCULOS - (The Ridiculous 6 / 2015) - Cada vez se torna impossível entender o que Adam Sandler quer fazer com a sua carreira. Convenhamos, ele não deve estar desesperado por dinheiro, já deve ter conseguido fazer um pé de meia suficiente para viver muito bem. Ele não apenas estrela, como escreve e até produz a maioria dos seus longas (só falta dirigir, mas é melhor nem dar ideia).


Sandler

E olha que sou fã de Sandler desde os tempos de SNL, quando ele não passava de um moleque atrevido que fazia ótimas músicas tirando sarro de famosos e com trocadilhos inteligentes. Tipo o que Andy Samberg fez recentemente no mesmo SNL. Quando largou a série e foi pro cinema Sandler teve vários acertos no começo, como Um Maluco no Golfe, O Rei da Água, O Paizão, entre outros. Chegou ao auge no começo dos anos 2000 com Tratamento de Choque ao lado de Jack Nicholson e Como se Fosse a Primeira Vez tendo Drew Barrymore como seu par amoroso.


Na época de SNL, quando ainda era engraçado

O moleque atrevido cresceu, mas seus papéis no cinema não acompanharam. Os seus acertos se transformaram em acúmulo de erros - como Gente Grande, Zohan, Este é o Meu Garoto, e claro este The Ridiculous 6.

As más escolhas na carreira

Aqui ele interpreta um caubói com cara de mal e voz rouca forçada, que tenta conhecer o pai. Pelo caminho nessa jornada, ele encontra outros cinco personagens que tem absolutamente tudo diferente entre si - e tem mexicano, negro, branco, japonês, baixinho, fortão... enfim, mas todos afirmam serem filhos do mesmo pai. Aí estaria a graça. O Ridiculous 6 se descobre um sexteto de irmãos.


Parte da família

O que irrita nos filmes recentes de Sandler é a necessidade que ele tem de se mostrar como o "fodão". Ele é sempre o cara que conquistas as mulheres, o cara que os amigos invejam, as histórias giram em torno dele, sempre. Ele está se tornando tão irritante quanto o Tim Allen e seus filmes igualmente chatos. E pior, constrangedores.


Steve Buscemi e Harvey Keitel

Sandler poderia ter aprendido com caras como Steve Martin, Chevy Chase, John Candy, John e Jim Belushi, e tantos e tantos comediantes que basearam suas carreiras na "auto-tiração" de sarro. Eles não só faziam rir, mas riam de si mesmo. E não vivendo um tipo. Sandler não segue o caminho desses grandes e está com a bolinha cada vez menor para as comédias.
Veja abaixo o trailer de The Ridiculous 6.