sexta-feira, 23 de junho de 2017

OS SEIS RIDÍCULOS - (2015)

Filhos do mesmo pai

OS SEIS RIDÍCULOS - (The Ridiculous 6 / 2015) - Cada vez se torna impossível entender o que Adam Sandler quer fazer com a sua carreira. Convenhamos, ele não deve estar desesperado por dinheiro, já deve ter conseguido fazer um pé de meia suficiente para viver muito bem. Ele não apenas estrela, como escreve e até produz a maioria dos seus longas (só falta dirigir, mas é melhor nem dar ideia).


Sandler

E olha que sou fã de Sandler desde os tempos de SNL, quando ele não passava de um moleque atrevido que fazia ótimas músicas tirando sarro de famosos e com trocadilhos inteligentes. Tipo o que Andy Samberg fez recentemente no mesmo SNL. Quando largou a série e foi pro cinema Sandler teve vários acertos no começo, como Um Maluco no Golfe, O Rei da Água, O Paizão, entre outros. Chegou ao auge no começo dos anos 2000 com Tratamento de Choque ao lado de Jack Nicholson e Como se Fosse a Primeira Vez tendo Drew Barrymore como seu par amoroso.


Na época de SNL, quando ainda era engraçado

O moleque atrevido cresceu, mas seus papéis no cinema não acompanharam. Os seus acertos se transformaram em acúmulo de erros - como Gente Grande, Zohan, Este é o Meu Garoto, e claro este The Ridiculous 6.

As más escolhas na carreira

Aqui ele interpreta um caubói com cara de mal e voz rouca forçada, que tenta conhecer o pai. Pelo caminho nessa jornada, ele encontra outros cinco personagens que tem absolutamente tudo diferente entre si - e tem mexicano, negro, branco, japonês, baixinho, fortão... enfim, mas todos afirmam serem filhos do mesmo pai. Aí estaria a graça. O Ridiculous 6 se descobre um sexteto de irmãos.


Parte da família

O que irrita nos filmes recentes de Sandler é a necessidade que ele tem de se mostrar como o "fodão". Ele é sempre o cara que conquistas as mulheres, o cara que os amigos invejam, as histórias giram em torno dele, sempre. Ele está se tornando tão irritante quanto o Tim Allen e seus filmes igualmente chatos. E pior, constrangedores.


Steve Buscemi e Harvey Keitel

Sandler poderia ter aprendido com caras como Steve Martin, Chevy Chase, John Candy, John e Jim Belushi, e tantos e tantos comediantes que basearam suas carreiras na "auto-tiração" de sarro. Eles não só faziam rir, mas riam de si mesmo. E não vivendo um tipo. Sandler não segue o caminho desses grandes e está com a bolinha cada vez menor para as comédias.
Veja abaixo o trailer de The Ridiculous 6.



domingo, 18 de junho de 2017

DRÁCULA DE BRAM STOKER (1992)

O Drácula como escrito em 1897

DRÁCULA DE BRAM STOKER (Bram Stoker´s Dracula / 1992) - Não seria a primeira e nem a última vez que a história de Drácula seria contada. Mas depois de tantas invencionices, Coppola assumiu a direção e a produção do longa e decidiu contar a história original criada por Bram Stoker em 1897. Coppola queria tanto ser fiel ao livro que fez questão de incluir no título do longa o nome do criador - Drácula de Bram Stoker.

Coppola dirige Gary Oldman como Dracula

O personagem-título é interpretado por um magistral Gary Oldman, que já mostrava aqui o seu talento de mil facetas, encarnando um ancião, um jovem cabeludo, um lobo ou o próprio diabo. Todas essas mudanças de aparência fazem de Drácula uma força praticamente indestrutível e sempre uma figura amedrontadora.

Todas as personificações do mal

Drácula atrai pro seu castelo o jovem Jonathan (o sempre péssimo Keanu Reeves). Mas o real interesse dele é na namorada de Jonathan, a bela Mina (Wynona Ryder). Todo esse fascínio não é à toa. Mina é idêntica à esposa que Drácula teve 400 anos antes e que teve um fim trágico.

Mina, amante do conde Dracula

Eles se veem presos no castelo. O doutor espiritual Van Helsing (Anthony Hopkins) é chamado para livrar Jonathan, Mina e a irmã desta, Lucy, das forças demoníacas de Drácula. Isso porque o velhote passa a perseguir Mina, na sede cega de conseguir de volta para si aquela que, segundo ele acredita, seria uma reencarnação do seu grande amor.

Dracula conversa com o jovem visitante

Drácula de Bram Stoker envelheceu mal em alguns aspectos. Alguns efeitos de vídeo, trucagens e até mesmo o áudio dublado dos atores durante quase todo o longa entregam o produto feito no comecinho dos anos 90. Apesar disso o longa faturou três prêmios Oscar técnicos, como figurino, efeitos sonoros e maquiagens. E concorreu ainda com direção de arte.

A caça a uma raça superior à humana

Mas o que peca de um lado, sobra do outro - o filme é um desfile de belas maquiagens em um cenário completamente assustador. Dentro do castelo do Drácula as sombras se movimentam, ouvem-se vozes sussurrando e troveja o tempo todo. Drácula rasteja pelas paredes, solta grunhidos arrepiantes e flutua ao invés de andar.

Van Helsing

Vale pelo resgate de Coppola a uma obra importante para a cultura geral, onde o homem se mostra mais uma vez fascinado pela mitologia dos monstros que ele mesmo cria. Um filme que envelheceu, repito, mas que ainda assusta como se fôssemos nós os perdidos no castelo do conde Drácula.

A sede por sangue

Veja abaixo o trailer de Drácula de Bram Stoker.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ANIMAIS NOTURNOS (2016)

Artista blasé

ANIMAIS NOTURNOS (Nocturnal Animals / 2016) - Um homem no caminho certo. Tom Ford é estilista de formação, mas gosta de se aventurar na produção e direção de filmes. Animais Noturnos é o segundo projeto em que ele assume a direção além do roteiro. Antes, Tom Ford havia dirigido Direito de Amar

Ford, de azul, em ação

A história é ambiciosa... à princípio. Susan (Amy Adams) é uma apreciadora de artes, responsável por uma espécie de centro cultural, que fica intrigada ao receber um manuscrito de um livro feito pelo ex-marido com o título de Animais Noturnos. Ela fica curiosa porque o ex-marido (Jake Gyllenhaal), que sempre sonhou em ser escritor, dedicou o livro à ela.

Uma mulher presa a uma história

Ela lê o manuscrito e o filme é partido ao meio. De um lado as cores pálidas e acinzentadas de Susan lendo em casa e reagindo ao livro e do outro lado as cores amareladas e pasteis do deserto do Texas onde se passa a história do livro que ganha vida, protagonizada por Jake Gyllenhaal e tendo Aaron Tylor-Johnson, o cara do Kick Ass, como principal vilão.

Personagem do livro e escritor do mesmo

Animais Noturnos é angustiante na medida em que a trágica história do livro pode acontecer com qualquer um - uma família é enquadrada por uns caras mal encarados na estrada deserta. Eles sequestram a esposa e a filha e somem com as duas. O pai, desesperado, só encontra os corpos das duas ao contactar o xerife local.

Confrontando o criminoso no carro

Susan, ao ler essa história angustiante escrita pelo ex-marido, interpreta tudo aquilo como um paralelo para a vida amorosa que os dois levaram durante anos. Ela abandonou o companheiro sem nem olhar pra trás e ainda fez um aborto. De uma tacada só, ele perdeu a esposa e o filho. Ao descobrir, claro, ele ficou devastado. 

O olhar perdido assistindo "Animais Noturnos"

Um ótimo plot principal que vem num crescendo e de repente... some, como num fade. A história fica nisso e só nisso, é uma personagem solitária e desiludida lendo um manuscrito e do outro lado toda a trama do livro acontecendo. É muito pobre de roteiro. Fica tedioso demais a edição também... fica pingando de lado a lado, não avança. Fraco em tantos sentidos.
Veja abaixo o trailer de Animais Noturnos.
  

terça-feira, 6 de junho de 2017

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (2016)

Ela achava que podia cantar

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Florence Foster Jenkins / 2016) - O título em português é muito feliz. Afinal quem já ouviu falar de Florence Foster Jenkins? A socialite norte americana ganhou mais notoriedade após a morte do que em vida. Stephen Frears, diretor de Alta Fidelidade, Coisas Belas e Sujas, A Rainha e Philomena, entre outros, assume aqui a cadeira de direção.

Frears, de cachecol, conversa com Streep

Florence é interpretada por Meryl Streep, muito bem por sinal, mas rasgar elogio à Streep seja desnecessário. Hugh Grant vive St. Clair, seu marido que leva outro matrimônio em segredo. Florence sonha em ser cantora de ópera, mas não tem voz para isso. É aplaudida por suas amigas - velhinhas e surdas - que não ouvem o que todos, inclusive seu marido, escutam claramente - a sua voz pra lá de desafinada.

Ilusões de uma senhora

St. Clair contrata, após escolha de Florence, o jovem pianista Cosme (o surpreendentemente ótimo Simon Helberg, o Howard do The Big Bang Theory). Ele é inexperiente, mas compensa com muito talento. Ele chega a rir - não na presença dela, é claro - após ouvir Florence cantando. St. Clair batalha duro para manter a imagem de boa cantora da esposa ao pagar pequenas quantias ao professor de canto e aos jornalistas que cobrem as apresentações dela. A revisões nos jornais do dia seguinte acabam sendo favoráveis e a imagem de Florence de ótima cantora segue intacta.

Preste atenção nesse cara! 

Mas tudo é posto à perder na noite em que ela fecha o Carnegie Hall e oferece um show aos soldados, como forma de retribuição. Ali, ninguém se aguenta. Os risos caem soltos, todos que assistem percebem que Florence não tem a menor condição de cantar. Sua voz é horrorosa. O talento é zero. Duvida? Ouça abaixo o áudio original de Florence cantando Mozart.


O problema de Florence: Quem É Essa Mulher? é que não emociona nem cativa como deveria. Não dá pena de Florence, nem raiva do marido que compra opiniões e vive outro relacionamento. Isso sem falar que o CGI usado pra mostrar a cidade na década de 30/40 é sofrível, mal feito até.

Ele faz ela acreditar que é boa

Mas não é um filme ruim, não entenda mal. Apenas fica aquele gosto de descartável logo depois de assisti-lo. Vale muito por Streep e por Helberg que está à vontade para desfiar todo seu talento.
Veja abaixo o trailer de Florence: Quem É Essa Mulher?



sexta-feira, 2 de junho de 2017

INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO (2015)

"It´s bigger than the last one"

INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO (Independence Day: Resurgence / 2015) - É um perigo assistir remakes ou continuações caça-níquel de filmes que você se lembra com carinho. Tive a sorte de ir ao cinema por acaso e assistir ao Independence Day na década de 90. Saí entusiasmado do cinema, gostei de tudo! Reassisti o filme todas as vezes que passou na Sessão da Tarde, gravei o filme em VHS e depois, já recentemente comprei o DVD. Sou muito fã do original, então sabia que assistir essa sequência seria um risco.

Parte do elenco original volta nessa continuação

Confesso que assisti essa continuação com poucas esperanças de que veria algo realmente bom e meus medos se confirmaram. Independence Day: O Ressurgimento, se passa vinte anos depois dos acontecimentos originais e... é um filme ruim, empacotado e embalado para atrair novos fãs, mas atropelando praticamente tudo o que o original tinha de bom.

O ex-presidente atormentado por pesadelos com alienígenas 

Jeff Goldblum e Bill Pullman estão de volta, assim como outros, menos Will Smith que decidiu não participar. A relação que o roteiro faz entre os personagens antigos abrindo espaço para os novos é interessante. Funciona e resolve. Mas o problema é muito mais profundo. O roteiro é fraco, não aprofunda e nos joga de repente numa batalha entre raças de outros mundos com pouca explicação.

As batalhas - único atrativo desse novo filme

Desta vez os ETs chegam por aqui, aterrizam sua nave - bem maior que a do filme anterior - e começam a cavar um buraco no centro do planeta para destruir de vez a vida por aqui. Todo encontro entre raças, que era um dos grandes baratos do primeiro filme, aqui acontece a todo tempo, o que acaba ficando sem valor. Então não faz diferença se o inimigo é de outro planeta ou da rua ao lado? Perdeu o sentido serem ETs os vilões.

O "destemido" David está de volta

As soluções encontradas para expulsar os ETs daqui são bem parecidas com as do roteiro original de 1996, até a questão do tiro do sacrifício, do presidente dos EUA discursando pro mundo todo ouvir, e a conversa entre raças sendo feito por um ser humano com os tentáculos em volta do pescoço... são muitos os pontos onde esse roteiro copia o anterior. Uma preguiça de roteiro que resulta em um filme que não se justifica, a não ser levantar belas quantias.

Liam Hemsworth buscando seu espaço como uma cara nova

Fique com o original, de 1996. Lá os efeitos não são melhores, mas o pioneirismo e a inventividade do roteiro fazem do filme um clássico. Aqui, eles copiaram basicamente o que foi feito lá trás esperando o mesmo sucesso, o que não se repetiu. Será que vem uma parte III por aí? O filme termina com um indicativo que sim. É bom os roteiristas se esforçarem um pouco mais, serem mais criativos e anotar uma lição importante - não basta sair por aí explodindo pontos turísticos, um filme precisa mais, precisa de história, uma boa história.

A cara do inimigo

Veja abaixo o trailer de Independence Day: O Ressurgimento.